Em 1864 ou 1865, tornou-se discípulo de Totapuri, mestre do não-dualismo absoluto de Shankara, que lhe ensinou que a única realidade do Absoluto impessoal (nirguna-brahman) se compreende num estado de consciência desprovido de todas as formas conceituais (nirvikalpa samadhi), estado no qual Ramakrishna permaneceu absorto por mais de um ano, negligenciando o próprio corpo e aproximando-se da morte.
Segundo seus biógrafos, retornou desse estado somente quando a Mãe lhe ordenou, e pelo bem do mundo
Os biógrafos sustentam que a compreensão do Absoluto não-dualístico foi o cume de sua busca espiritual
Os próprios ensinamentos de Ramakrishna traçam, porém, um quadro muito diferente: afirmam que tal abandono do mundo produz um “conhecedor” (jnani) negativo, egocêntrico, estéril e monótono
Ramakrishna contrapõe esse tipo de jnani ao seu ideal pessoal de perfeição — o vijnani, um “conhecedor completo e pleno” que reconhece a realidade não apenas do Absoluto impessoal, mas também do mundo como jogo (lila) da Mãe divina
Em 23 de maio de 1885, afirmou: “Uma vez caí nas garras de um jnani, que me fez escutar o Vedanta por onze meses. Mas ele não pôde destruir por completo a semente da bhakti em mim. Aonde quer que minha mente se extraviasse, retornaria à Mãe divina” (Nikhilananda, 1952, p. 779)