É sempre revelador constatar como se forma a transmissão de uma tradição ou como não se dá sua renovação, ponto central que exige atenção muito cuidadosa.
O shivaísmo da Caxemira, quando distinguido dos Yogasutra de Patanjali por sua atitude de exclusão diante do que não é a Consciência, não constitui uma releitura dos Yogasutra.
Os Yogasutra repousam sobre um trabalho muito sutil de transformação, onde tudo tem lugar, mas pode religar-se à sua causa, transformar-se, recuperar sua verdadeira natureza e desengamar-se de toda estrutura previamente estabelecida.
Éric Baret provoca a discussão ao reunir, por vezes apressadamente, o que a palavra das
Upanishads e dos Darshanas permitiu elaborar.
O ensinamento proposto conduz a libertar-se dos obstáculos e das tensões, a privilegiar o “pressentimento”.
Se a tradição não é considerada como uma memória, mas como uma “atualização” sempre presente de elementos da sociedade, insiste-se na experiência e no silêncio.
A experiência tão valorizada no Vijnanabhairava Tantra constitui um desdobramento de possibilidades que forma toda uma arquitetura interior.
A experiência pode se dar simplesmente com uma forma conhecida — uma jarra — sobre a qual se meditará após renunciar às paredes.
É o grande espaço onde o sopro se torna pura energia.