Alain Daniélou (Shiva Sharan, 1907–1994)
Obras Monográficas Fundamentais sobre Shivaísmo, Mitologia e Metafísica Hindu
DANIÉLOU, Alain. Yoga: Méthode de réintégration. Paris: Éditions de la Table Ronde, 1951. (Reedição ampliada: Paris: Éditions du Rocher, 1973).
DANIÉLOU, Alain. Le Polythéisme hindou. Paris: Buchet/Chastel, 1960. (Edição definitiva em inglês: The Myths and Gods of India: The Classic Work on Hindu Polytheism. Rochester, VT: Inner Traditions, 1991).
DANIÉLOU, Alain. Les Quatre sens de la vie: Structure et déchéance de la société selon la tradition de l'Inde. Paris: Perrin, 1963. (Reedições: Paris: Buchet/Chastel, 1976; Paris: Éditions du Rocher, 1992).
DANIÉLOU, Alain. Shiva et Dionysos: La religion de la Nature et de l'Éros; De la préhistoire à l'avenir. Paris: Fayard, 1979.
DANIÉLOU, Alain. La Fantaisie des dieux et l'aventure humaine. Monaco: Éditions du Rocher, 1985.
DANIÉLOU, Alain. Le Destin du monde d'après la tradition shivaïte. Paris: Albin Michel, 1992.
DANIÉLOU, Alain. Approche de l'hindouisme. Paris: Hermann, 1996. (Publicação póstuma).
Musicologia Teórica, Teoria dos Intervalos e Acústica Sagrada
DANIÉLOU, Alain. Introduction to the Study of Musical Scales. London: The India Society, 1943. (Reedição: New Delhi: Oriental Books Reprint, 1979).
DANIÉLOU, Alain. Northern Indian Music. 2 v. London: Christopher Johnson; Calcutta: Visva-Bharati, 1949–1954. (Edição revista e refundida em volume único: The Ragas of Northern Indian Music. London: Barrie and Rockliff, 1968).
DANIÉLOU, Alain. Traité de musicologie comparée. Paris: Hermann, 1959.
DANIÉLOU, Alain. La Musique de l'Inde du Nord. Paris: Buchet/Chastel, 1966.
DANIÉLOU, Alain. Music and the Power of Sound: The Influence of Tuning and Interval on Consciousness. Rochester, VT: Inner Traditions, 1995.
Traduções Críticas Diretas do Sânscrito e Clássicos Épicos/Eróticos
KĀMASŪTRA (Vātsyāyana). Le Kamasutra de Vatsyayana. Traduction intégrale annotée d'après le sanskrit par Alain Daniélou. Paris: Fayard, 1992. (A primeira versão ocidental não expurgada e livre das paráfrases vitorianas de Richard Burton).
ŚIḶAPPADIKĀRAM (Ilango Adigal). Shilappadikaram (Le Roman de l'anneau). Conte du pays tamoul traduit du tamoul ancien par Alain Daniélou et R. S. Desikan. Paris: Gallimard, 1961. (Connaissance de l'Orient).
MANIMEKHALAI (Sattanar). Manimékhalaï ou le scandale de la vertu. Conte tamoul traduit du tamoul avec le concours de R. S. Desikan. Paris: Gallimard, 1987.
Obras Autobiográficas e Memórias
DANIÉLOU, Alain. Le Chemin du Labyrinthe: Souvenirs d'Orient et d'Occident. Paris: Robert Laffont, 1981. (Edição ampliada: Monaco: Éditions du Rocher, 1993; em português: O Caminho do Labirinto, Lisboa: Bertrand, 1995).
Traduções Principais em Línguas Ibéricas
DANIÉLOU, Alain. Shiva y Dioniso: La religión de la naturaleza y del eros. Traducción de Joaquín Rovira. Barcelona: Editorial Kairós, 1987.
DANIÉLOU, Alain. Dioses y mitos de la India. Traducción de Carmen Artal. Girona: Ediciones Atalanta, 2009.
DANIÉLOU, Alain. Música e poder do som. Tradução de Maria Silva. São Paulo: Madras, 2003.
DANIÉLOU, Alain. Kama Sutra. Traducción de Jorge Viñes. Barcelona: Ediciones Martínez Roca, 1994.
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Eixos da Contribuição de Alain Daniélou
Reabilitação Conceitual do Politeísmo: Em Le Polythéisme hindou, Daniélou rejeitou o viés colonial monoteísta que tentava “desculpar” o hinduísmo ao reduzi-lo a um monoteísmo disfarçado. Demonstrou que o politeísmo autêntico é a representação metafísica mais exata da complexidade inesgotável do Absoluto, onde as divindades atuam como personificações das leis cósmicas objetivas e das forças que regem o universo fenomênico.
O Shivaísmo Primitivo e a Continuidade Pan-Mediterrânica: Em Shiva et Dionysos, desenvolveu a ousada tese histórica e fenomenológica da existência de uma religião dionisíaca/shivaíta pré-ariana comum que unia a bacia mediterrânica e o subcontinente indiano antes da emergência do moralismo ascético. Essa tradição valorizava a comunhão extática com as forças da natureza, o erotismo ritual, a música sagrada e o reconhecimento da sacralidade da matéria.
A Musicologia Modal e a Teoria dos Śrutis: Como musicólogo experimental e diretor do Instituto Internacional de Estudos Comparativos de Música em Berlim e Veneza, formulou uma crítica científica e ontológica ao temperamento igual ocidental moderno. Daniélou demonstrou que os 22 microtons (*śrutis*) da música indiana e as escalas puras pitagóricas possuem proporções físicas precisas que afetam diretamente o sistema nervoso e os estados de consciência humana.
Iniciação e Heterodoxia em Varanasi (Benares): Estabelecido durante mais de quinze anos no palácio Rewa Kothi às margens do Ganges, foi formalmente iniciado no shivaísmo tradicional da mão de pandits ortodoxos (adotando o nome *Shiva Sharan*). Manteve um perfil singular e polêmico no cenário orientalista: defensor radical da ortodoxia hierárquica e social antiga da Índia (Les Quatre sens de la vie), porém crítico implacável do moralismo puritano do neovedānta moderno e da ocidentalização tecnocrática.