REENCARNAÇÃO

MHFOT

Problemas éticos e religiosos da transmigração

O Hinduísmo é uma religião sem fundador humano, sem Igreja e sem dogmas, cuja unidade real é garantida pela existência da casta braquímica, cujos valores e modos de comportamento funcionam como um eixo de referência que, apesar de sua tolerância e permeabilidade a outras representações, confere ao sistema uma flexibilidade inigualável, embora à custa de um certo laxismo que permite a justaposição de crenças incompatíveis.

Uma escatologia complexa

A noção de transmigração, embora logicamente devesse ter suplantado todas as outras formas de representação do além, na verdade é apenas um elemento entre vários no Hinduísmo, que conserva e subordina três esquemas antigos: a concepção ctônica da morada subterrânea dos Manes, a noção védica de acesso ao Céu por meio da cremação como forma de sacrifício, e o desdobramento da morada védica dos mortos em “paraíso” e “infernos”.

Transmigração e destino

O princípio geral da retribuição cármica é claro — o ato segue o homem infalivelmente e o alcança “como o bezerro reencontra sua mãe no meio de um rebanho de mil vacas” —, mas seu mecanismo preciso permanece envolto em mistério, gerando inúmeras questões sobre neutralização de atos, possibilidade de prevenção por penitências, e o nível de análise adequado.