Abhinavagupta analisa essa alegria unanimista como condição prévia a toda experiência estética: “A consciência pura, essência de toda coisa, contrai-se em função da diferença dos corpos. Mas, nas grandes reuniões, ela se expande graças à reflexão mútua das consciências individuais reunidas. A massa dos raios de nossa própria consciência efervescente vem refletir-se nas dos outros, como em outros tantos espelhos. Ela se inflama então e acede sem esforço à universalidade. É por isso que, nas grandes assembleias, diante de um espetáculo de cantos e danças, o contentamento aparece quando todos, e não apenas um, comunham com ele. A consciência que, em cada indivíduo, está potencialmente repleta de felicidade, acede à unidade na presença do objeto — danças, etc. — e saboreia a plenitude da felicidade. Todo motivo para contrair-se, do tipo inveja, ciúme, etc., falta aqui. Expandida, livre de todo obstáculo, a consciência adere à felicidade. Mas quando alguém dos assistentes não comunga com o espetáculo e se isola dos outros, a consciência é perturbada, como quando se toca uma superfície rugosa. Assim, em cerimônias como a do círculo tântrico, não se deve deixar entrar nenhuma pessoa que, não comungando com a cerimônia, viesse a isolar-se dos outros. Isso produz com efeito uma contração da consciência.”