É o sujeito consciente que “faz de si mesmo um objeto” — atmanam jneyikaroti — sem contudo reduzir-se a ele, pois permanece “não-objeto” — ajneya — sendo capaz de extroversão — bahirmukhatva — ou seja, manifestando-se a si como fora de si ao se manifestar como objeto, mas essa extroversão existe apenas em virtude da introversão fundamental — antarmukhatva — da consciência.
Atmanam jneyikaroti: fazer de si mesmo um objeto — ato pelo qual a consciência se objetiva sem se reduzir à objetividade
Ajneya: não-objeto, incognoscível como objeto — qualidade do sujeito que permanece irredutível à objetivação
Bahirmukhatva: extroversão — orientação da consciência para fora de si mesma, para o domínio da objetividade
Antarmukhatva: introversão — orientação fundamental da consciência para dentro de si mesma, que torna possível toda extroversão
É porque a consciência nunca sai de si mesma para se perder em uma exterioridade inconsciente que pode ser consciência da exterioridade
A intencionalidade — aunmukhya — pressupõe liberdade, pois aquilo que não é um Si — que é inerte, jada — não se orienta em direção a um objeto de conhecimento
Aunmukhya: intencionalidade — orientação ou abertura da consciência em direção ao Outro
O objeto inerte é incapaz de se voltar para qualquer Outro, porque estender a mão para o Outro já seria perder-se nele
A consciência é capaz de se extroverter e confrontar o Outro precisamente porque é perfeitamente independente dele — e é independente dele porque o Outro nunca é outra coisa senão ela mesma se manifestando como o Outro
A heteronomia ou determinação pelo Outro — paratantrya — aparece como manifestação da liberdade soberana ou autonomia — svatantrya — da consciência
Paratantrya: heteronomia, dependência em relação ao Outro
Svatantrya: liberdade soberana, autonomia absoluta — atributo central da consciência absoluta na Pratyabhijna
“Para a consciência — vimarsa — que é capaz de suportar tudo — sarvaṃsaha — tem uma natureza tal que transforma em Si — atmīkaroti — aquilo que, não obstante, é Outro — para —, e que transforma em Outro — parīkaroti — o Si — atman; que faz deles uma única entidade, e anula seu par unificado.”