O Tantraloka é dividido em 37 capítulos — ahnika em sânscrito, literalmente “trabalho de um dia” — de extensão variável, dispostos em ordem não ilógica e descritos brevemente nas estrofes 285 a 329 do primeiro capítulo, as quais Lilian
Silburn optou por não incluir na tradução, preferindo listá-los na introdução.
Capítulo 1 — As diferentes formas de conhecimento (vijnanabheda): introdução à obra inteira
Capítulo 2 — O “não meio” (anupaya), também chamado gatopaya: onde todos os meios desaparecem
Capítulo 3 — O meio supremo (paropaya) ou meio de Sambhu (shambhavopaya); também chamado icchopaya — o meio do impulso pré-discursivo (iccha) ao conhecimento; é aqui que se descreve o varnaparamarsha, a emanação fonemática do cosmos
Capítulo 4 — O meio do poder (shaktopaya) ou via do conhecimento (jnanopaya)
Capítulo 5 — A via da alma limitada (anavopaya) ou do homem ordinário (naropaya), também chamada kriyopaya: o meio da ação ritual
Esses cinco capítulos — totalizando 1.114 estrofes, pouco menos de um quinto do Tantraloka — são os traduzidos na edição em questão; expõem a doutrina espiritual que perpassa a obra e mostram os diferentes caminhos para a liberação; todos os capítulos subsequentes descrevem os ritos e observâncias necessários para atingir o objetivo indicado nesses primeiros ahnikas
Capítulo 6 — O meio do tempo (kalopaya): como transcender o fluxo do tempo — o samsara — e assim atingir a liberação
Capítulo 7 — O surgimento das rodas de poder (cakrodaya): seu papel e usos
Capítulo 8 — O curso do espaço (deshadhvan): cosmologia e descrição do universo
Capítulos 9 e 10 — O curso e as divisões dos níveis ônticos (tattvadhvan, tattvabhedanam)
Capítulo 11 — O curso das kalas (kaladhvan): as kalas são divisões do cosmos
Capítulo 12 — Adhvaprayoga: como utilizar as kalas para atingir a liberação
Capítulo 13 — A descida do poder (shaktipata): natureza, ação e formas da graça divina (anugraha)
Capítulos 14 a 26 — Dedicados às diferentes formas de iniciação (diksha): 23 capítulos totalizando 1.400 shlokas, o que revela a importância do tema para
Abhinavagupta
Capítulo 14 — Introdução à iniciação (dikshopakrama)
Capítulo 15 — A iniciação “regular” (samayadiksha): primeiro nível de iniciação, pelo qual se ingressa na comunidade xivaísta como membro “regular” — samayin —, sem direito de oficiar
Capítulo 16 — A iniciação do “filho espiritual” (putrakadiksha), conferida ao samayin e que o habilita a oficiar; também chamada visheshadiksha — iniciação especial — ou nirvanadiksha — iniciação libertadora
Capítulo 17 — Rituais a serem realizados pelo putraka para se unir misticamente a Bhairava
Capítulo 18 — A iniciação abreviada (samkshiptadiksha): ritual simplificado que pode contudo conferir o estado de Xiva — shivatva
Capítulo 19 — A iniciação que liberta imediatamente (sadyonirvanadiksha), também chamada shankaradiksha
Capítulo 20 — A iniciação que alivia ou equaliza o peso do karman (tulasuddhidiksha)
Capítulo 21 — A iniciação de alguém ausente (parokshadiksha)
Capítulo 22 — A remoção de marcas (lingoddhara): eliminação dos rastros deixados pelos atos ou práticas rituais anteriores do iniciado
Capítulo 23 — A consagração (abhisheka): é a acaryadiksha, a iniciação do mestre espiritual
Capítulo 24 — A última oferenda (antyeshti): o ritual fúnebre
Capítulo 25 — Shraddha: ritos fúnebres
Capítulo 26 — Outros atos a serem realizados (sheshavritti)
Capítulo 27 — O ícone xivaísta e seu culto (lingapuja ou lingarca)
Capítulo 28 — Ritos ocasionais (naimittika)
Capítulo 29 — O kulayaga ou mahayaga: o “grande rito” do Kula, envolvendo união sexual com uma parceira iniciada — estudado por Lilian
Silburn em Kundalini. The Energy of the Depths (Albany, SUNY Press, 1988)
Capítulo 30 — Os principais mantras do Trika e do Kula
Capítulo 31 — O mandala: como traçar e utilizar o mandala dos tridentes e lótus (trishulabjamandalá), segundo diferentes Escrituras
Capítulo 32 — As mudras: diferentes formas da khecarimudra
Capítulo 33 — A conjunção ou unificação (ekikara) das rodas de poder e das energias com vistas à liberação
Capítulo 34 — A penetração do adepto em sua própria natureza (svasvarupapravesa)
Capítulo 35 — A reunião das Escrituras xivaístas (shastramelana)
Capítulo 36 — A transmissão das Escrituras xivaístas (shastravadhara), de Bhairava até os tantras do Trika
Capítulo 37 — Os tratados que devem ser lidos; nas últimas estrofes (33 a 85),
Abhinavagupta relata como sua família chegou à Caxemira e como compôs o Tantraloka