7 Objeto

TIMALSINA, Sthaneshwar. Consciousness in Indian Philosophy: The Advaita Doctrine of “Awareness Only”. London; New York: Routledge, 2009. (Routledge Hindu Studies Series).

7 Uma crítica do “objeto”

Contextualização

1. A rejeição advaita da dualidade afirma a existência do eu imediatamente experimentado como Brahman ou consciência pura e contesta a realidade dos objetos externos e mentais mediante o exame de suas definições, sem estender essa contestação à consciência que se confirma por si mesma.

2. A admissão de um objeto exige definir tanto aquilo que constitui o objeto quanto sua relação com a cognição que o apreende, não bastando pressupor a existência de um termo independentemente do outro.

3. A contestação dos objetos confirmados por meios externos e a afirmação da consciência intrinsecamente confirmada recorrem a modalidades clássicas de argumentação, mas a fundamentação externa de um objeto depende necessariamente do estabelecimento de sua relação com o conhecimento.

4. A percepção direta e a inferência constituem os meios de conhecimento mais amplamente aceitos para estabelecer entidades, embora outras escolas também admitam analogia e testemunho védico, sendo insuficiente reduzir a confirmação dos objetos ao contato entre sentidos e coisas.

5. A percepção extraordinária dos iogues e o conhecimento divino desafiam a necessidade do contato sensorial, porque a primeira alcança entidades distantes, passadas ou futuras, enquanto o segundo não poderia ser eterno caso resultasse de um contato que produzisse uma cognição nova.

6. Mesmo excluindo o conhecimento iogue e divino da investigação, o reconhecimento (pratyabhijñā) oferece um caso ordinário de cognição que reúne memória e percepção direta, sem depender integralmente do contato sensorial presente.

7. O reconhecimento expresso em “este é aquele mesmo Devadatta” unifica a percepção atual de uma pessoa com sua apreensão passada conservada na memória, embora a cognição integrada seja considerada percepção direta.

8. A tentativa de explicar o reconhecimento pela relação entre contato e qualificação tornaria diretamente perceptíveis tanto o passado quanto propriedades apenas inferidas, eliminando a distinção entre percepção e inferência e exigindo restringir a percepção direta às propriedades imediatamente apreendidas.

9. A realidade de um objeto não pode ser simplesmente pressuposta nem estabelecida apenas por uma definição, pois o exame de Śrīharṣa e Citsukha identifica dificuldades lógicas nas formulações destinadas a fundamentar aquilo que é conhecido.

Exame das definições de um objeto

1. Uma primeira definição procura caracterizar o objeto a partir do resultado produzido pelo ato de conhecer, vinculando sua condição objetiva ao efeito da cognição.

2. O objeto seria o substrato do resultado causado pelo conhecimento, enquanto a cognição correspondente seria aquilo que produz um resultado localizado nesse objeto.

3. A definição baseada no resultado do conhecimento enfrenta dificuldades quando esse resultado é entendido como a condição de ser conhecido, pois objetos passados já não existem para sustentá-lo e não se demonstra que uma cognição se produza exclusivamente onde existe seu objeto correspondente.

4. A interpretação do resultado como atividade prática não se aplica ao eu onipresente, enquanto sua interpretação como intenção restringe seu substrato ao próprio eu, impedindo que a definição abranja coerentemente os demais objetos.

Definição modificada com base no funcionamento

1. Uma alternativa examinada por Śrīharṣa define o objeto pela capacidade de sua cognição de favorecer atividades relacionadas a ele.

2. O objeto de determinada cognição seria aquilo a que se vinculam as atividades favorecidas pela natureza dessa cognição.

3. A definição funcional conserva as dificuldades anteriores porque o significado de funcionamento não pode ser determinado de maneira inequívoca sem produzir circularidades e paradoxos.

A definição de objeto de Udayana

1. As relações entre uma entidade e aquilo que a tem por objeto podem envolver cognição, intenção ou ação, mas a definição em exame restringe-se à relação entre conhecimento e objeto conhecido.

2. A formulação atribuída a Udayana apresenta a relação objetiva como uma natureza particular do conhecimento, caracterizada por pertencer a determinado objeto.

3. A relação entre objeto e cognição seria a condição de estar relacionado a um objeto enquanto se possui a natureza de conhecimento.

4. A exigência de natureza cognitiva exclui os objetos da intenção, enquanto sua supressão amplia excessivamente a definição, e a expressão “relacionado a um objeto” pressupõe aquilo que ainda deveria ser estabelecido.

5. O termo natureza própria (svabhāva) pode designar uma propriedade pertencente a algo ou aquilo que constitui sua própria essência, mas essas interpretações produzem consequências distintas para a relação entre objeto e cognição.

6. A compreensão de svabhāva como propriedade própria exige decidir se ela qualifica o conhecimento em geral ou uma cognição particular, sendo a primeira alternativa incapaz de explicar o conhecimento específico de uma entidade.

7. A interpretação como propriedade de cognições particulares confirma apenas características do conhecimento, sem demonstrar objetos externos, exigindo ainda esclarecer se a condição de ter um objeto corresponde a um fator limitante ou a um universal.

8. Se a condição de ter um objeto for um fator limitante determinado por algo diferente do próprio objeto, o conhecimento desse fator será necessário à cognição, assim como reconhecer alguém como portador de um bastão exige conhecer o bastão.

9. Se o próprio objeto constituir o fator limitante, permanece necessário estabelecer sua relação com aquilo que ele determina, sem poder recorrer à relação entre objeto e cognição que ainda está sendo demonstrada.

10. A interpretação da condição objetiva como universal enfrenta a dificuldade de uma única cognição apreender dois objetos distintos, pois isso introduziria dois universais diferentes no mesmo substrato cognitivo.

11. A mistura de universais numa única cognição pode ser evitada negando o conhecimento integrado de objetos distintos ou admitindo um universal complexo que reúna suas determinações.

12. A solução Prābhākara nega uma cognição única de objetos diferentes e entende tanto conhecimentos complexos quanto erros perceptivos como uma reunião equivocada de cognições independentes e verdadeiras.

13. Outra solução considera a cognição complexa como conhecimento de uma única entidade dotada de propriedades diferentes, assim como uma figura composta de animal e ser humano é apreendida como uma entidade integrada.

14. A apreensão integrada de duas entidades independentes não se reduz ao conhecimento de uma entidade com propriedades distintas, e mesmo a cognição não conceitual admitida pelo Nyāya reúne objeto, universal e relação de inerência sem identificá-los entre si.

15. A aceitação de universais diferentes numa mesma cognição elimina a objeção de mistura, mas também permite explicar o conhecimento somente por esses universais, tornando desnecessária a presença de um objeto externo.

16. A defesa da exterioridade do objeto depende de uma relação previamente estabelecida com a cognição, mas compreender essa relação como única torna difícil distinguir as funções de objeto e conhecimento, porque ambos participariam igualmente dela.

17. A distinção entre uma relação própria do objeto e outra própria da cognição tampouco permite enquadrar adequadamente a relação objetiva nas categorias ontológicas, pois tanto entidades positivas quanto ausências podem ser conhecidas.

18. A alternativa restante consiste em compreender essa relação como a propriedade de ser conhecido, aproximando-se da posição dos pensadores Bhāṭṭa da Mīmāṃsā.

19. As dificuldades da interpretação de svabhāva como propriedade própria conduzem à alternativa de compreendê-lo como forma essencial (svarūpa), identificando natureza e essência.

20. A diferença essencial entre objeto e cognição impede explicar por que determinada cognição confirma exclusivamente seu objeto e não outro, já que a simples diversidade de natureza não estabelece uma correspondência específica.

21. A expressão “pertencente ao objeto” (tadīya) combina a referência ao objeto com um sentido relacional que envolve ambos os termos, não podendo restringir-se à cognição sem reduzir o objeto externo ao próprio conhecimento.

22. A identificação da cognição com uma relação designada pelo objeto não resolve o problema, pois, retirado o objeto determinado, todas as relações objetivas poderiam assumir a natureza de conhecimento, aproximando a posição do Vijñānavāda.

23. Uma relação autônoma, independente de referentes particulares, não pode fundamentar a objetividade porque uma relação sem entidades determinadas às quais se aplique deixa de constituir efetivamente uma relação.

24. A vinculação da relação ao objeto restabelece a dificuldade de sua identidade com ele, enquanto a referência a um objeto apenas genérico não explica a correspondência com uma entidade particular.

25. A resposta Nyāya atribui a determinação da relação a um fator capaz de produzir uma cognição específica, mas ainda precisa esclarecer a função e a natureza desse fator.

26. A determinação que vincula uma cognição ao pote pode ser entendida como característica da relação constitutiva do conhecimento ou como propriedade particular dessa cognição, sem que qualquer alternativa elimine as dificuldades.

27. A análise distingue o objeto, a cognição que lhe corresponde e a propriedade dessa cognição, exigindo determinar se essa propriedade possui efetivamente natureza relacional.

28. Se a propriedade de corresponder ao objeto pertencer à relação que constitui a natureza da cognição, o próprio objeto integra essa natureza e deixa de ser estabelecido como diferente do conhecimento.

29. A identificação da relação com a cognição reduz os objetos externos ao conhecimento, enquanto sua interpretação como propriedade distinta também conduz à identificação entre propriedade e objeto, porque a determinação não pode ser separada daquilo que ela determina.

30. Se a propriedade correspondente ao objeto não possuir relação com a cognição, esta perde sua referência determinada, mas, se exigir uma nova relação, cada vínculo adicional demandará outro e produzirá regressão infinita.

31. A tentativa de fazer a relação constitutiva do conhecimento relacionar também suas propriedades volta a reduzir os objetos externos à cognição, impedindo compreender a natureza própria como uma relação independente.

32. A confirmação de um objeto exige definir sua relação com o conhecimento, mas as dificuldades dessas definições impedem fundamentar logicamente sua condição objetiva e conduzem Śrīharṣa ao exame de outras formulações de Udayana.

Exame de outra definição de objeto proposta por Udayana

1. Outra definição apresentada por Udayana na Kiraṇāvalī procura explicar o objeto mediante a qualificação cognitiva que dispensa uma relação adicional.

2. O objeto seria aquilo que tem o conhecimento como qualificação independentemente de qualquer outra relação.

3. A condição de ser objeto consistiria em possuir a cognição como propriedade qualificadora sem necessitar de um vínculo distinto.

4. A exclusão de outras relações procura evitar que o eu, enquanto portador de conhecimento, seja confundido com seu objeto, mas exige esclarecer como propriedades e entidades qualificadas são apreendidas, como na cognição de um lótus azul.

5. A determinação daquilo que é qualificado pode recorrer a uma propriedade específica ou à condição genérica de possuir propriedades, alternativas que devem ser examinadas separadamente.

6. A referência a propriedades em geral amplia indevidamente a definição para os próprios qualificadores, enquanto a referência exclusiva a propriedades específicas dificulta explicar o conhecimento de algo dotado simultaneamente de diferentes determinações.

7. A fumaça pode apresentar determinações aparentemente incompatíveis conforme seja considerada no céu ou em sua continuidade com uma fonte de fogo, tornando problemática sua apreensão simultânea sob qualificações diferentes.

8. A seleção de apenas uma propriedade não elimina a dificuldade porque as diferentes determinações pertencem à mesma fumaça, e não se pode distinguir previamente uma propriedade que qualifica daquela que não qualifica sem já definir o portador de propriedades.

9. A expressão “propriedade daquilo” exige esclarecer se a relação genitiva indica um vínculo em geral ou uma relação específica de qualificação.

10. A relação genérica inclui também designações que não constituem propriedades qualificadoras, enquanto a relação específica gera dependência recíproca, pois o qualificador pressupõe o qualificado e o qualificado pressupõe o qualificador.

11. A inclusão das propriedades naquilo que é qualificado torna também os próprios qualificadores portadores de propriedades, enquanto sua exclusão compromete a correspondência com a definição adotada.

12. No Nyāya, o conhecimento é propriedade do eu, mas a formulação “o conhecimento possui inerência em mim” parece tornar a própria inerência algo qualificado pelo conhecimento sem uma relação adicional, embora ela não seja o objeto pretendido.

13. A inerência funciona de maneiras distintas quando o eu é qualificado pelo conhecimento e quando a própria relação é qualificada, fazendo com que sua inclusão na definição produza uma extensão excessiva do conceito de objeto.

14. A ausência de conhecimento também pode ser qualificada pelo conhecimento sem depender de outra relação, levando à consequência problemática de tornar essa ausência objeto do próprio conhecimento cuja falta ela expressa.

15. A identidade entre a relação qualificadora e seus termos não elimina a extensão excessiva da definição, porque essa identidade também pode ser atribuída à inerência na expressão que a apresenta como pertencente ao eu.

Modificação da definição

1. A definição pode receber uma cláusula adicional destinada a excluir relações que não deveriam ser consideradas objetos cognitivos.

2. O objeto seria aquilo que, sendo distinto do contato e da inerência, é qualificado pelo conhecimento independentemente de qualquer outra relação.

3. A exclusão do contato e da inerência impede que essas relações sejam tomadas como objetos apenas por participarem de determinadas estruturas de qualificação.

4. A definição modificada continua excessivamente ampla porque a ausência de conhecimento permanece qualificada pelo conhecimento sem que o vínculo corresponda a contato ou inerência.

5. A restrição da qualificação a entidades coexistentes impediria explicar objetos passados e futuros, enquanto a substituição do qualificador por uma simples designação conservaria a dificuldade de incluir a ausência de conhecimento na definição.

6. A exclusão das ausências tornaria a definição insuficiente para os casos em que elas são conhecidas, sem impedir que condições instrumentais da cognição, como os contatos entre objeto, mente e eu, também fossem indevidamente classificadas como objetos.

Exame da definição de objeto de Śālikanātha

1. A definição de Śālikanātha procura caracterizar o objeto pelo aparecimento de um conteúdo determinado numa consciência particular.

2. O objeto cognoscível seria precisamente aquilo que aparece numa determinada consciência, sem exigir outra característica para estabelecer sua condição objetiva.

3. A explicação de Ānandapūrṇa acrescenta que aquilo que não aparece numa cognição específica não constitui seu objeto, procurando delimitar simultaneamente o que pertence e o que não pertence a essa cognição.

4. O emprego do locativo na expressão referente à consciência admite interpretações como substrato, objeto, relação genérica ou construção de dependência, cada qual produzindo consequências diferentes.

5. A interpretação da consciência como substrato não se aplica ao pote conhecido e, se ela for considerada substrato por produzir sua manifestação, inclui excessivamente propriedades que também pertencem ao conhecimento.

6. A interpretação do locativo como referência ao objeto pressupõe aquilo que ainda precisa ser definido e pode inverter indevidamente a relação, fazendo do conhecimento um objeto do pote.

7. A interpretação relacional genérica inclui instrumentos ligados à produção da coisa, mesmo quando não aparecem em sua cognição, enquanto sua exclusão mediante a exigência de manifestação pressupõe novamente a condição objetiva ainda não estabelecida.

8. A interpretação do locativo como dependência procura definir o objeto por sua manifestação quando uma consciência determinada se manifesta.

9. O objeto seria aquilo que aparece na manifestação de uma consciência específica.

10. O pote seria considerado objeto de sua cognição porque aparece quando ocorre a consciência correspondente ao pote.

11. A definição permanece circular porque aparecer significa ser objeto de cognição, fazendo a condição objetiva pressuposta reaparecer no próprio critério destinado a defini-la.

12. A distinção entre objeto genérico conhecido e objeto particular ainda por definir não resolve a dificuldade, pois o conhecimento do genérico depende de particulares, e uma pressuposição comum não substitui a fundamentação lógica da definição.

Outra definição de objeto

1. Uma definição alternativa compreende a cognição como ato transitivo, aproximando o objeto conhecido do complemento exigido por ações como ir a algum lugar.

2. A condição de objeto seria a de ocupar a função de complemento objetivo (karma) em relação ao ato de conhecer.

3. A transitividade do verbo conhecer permitiria identificar como objeto de conhecimento a entidade que desempenha a função gramatical correspondente ao acusativo.

4. A definição gramatical exige estabelecer a relação entre cognição e complemento, sem poder recorrer à própria relação objetiva em exame, ao contato entre substâncias, à inerência, à identidade ou a uma potência que também relacione substâncias.

5. A relação entre determinação e determinado amplia excessivamente a definição, a condição de ser objeto pressupõe o que deveria ser explicado e a relação causal não abrange o conhecimento divino eterno e não produzido.

6. A definição do objeto como lugar do resultado de uma ação não corresponde necessariamente à função acusativa, pois os efeitos de ações podem ocorrer em entidades expressas por outras construções gramaticais, impedindo identificar diretamente função sintática e objetividade.

Exame da definição de Dharmakīrti

1. A definição de Dharmakīrti, frequentemente discutida nos textos filosóficos hindus, caracteriza o objeto por sua capacidade causal de fornecer uma forma à cognição.

2. O objeto seria a causa capaz de introduzir sua forma no conhecimento.

3. A origem da forma cognitiva não está previamente determinada, sendo impossível excluir o papel do contato sensorial e atribuir essa função exclusivamente a um objeto externo.

4. A definição pressupõe uma distinção entre cognição e forma que precisa ser justificada, pois a forma pode não ser algo diferente do próprio conhecimento.

5. Se a forma for a essência da cognição, todos os fatores que a produzem deveriam ser seus objetos, mas, se for uma propriedade adicional, sua remoção ou caracterização como positiva ou negativa gera dificuldades para a validade da definição e sua função causal.

6. A restrição da causa ao fator que acompanha invariavelmente a presença e a ausência da forma procura vincular o objeto externo à cognição mediante uma regra de concomitância positiva e negativa (anvaya-vyatireka).

7. O contato entre sentido e objeto também pode satisfazer essa concomitância, exigindo acrescentar que somente a causa explicitamente manifesta corresponde ao objeto externo pretendido.

8. A exigência de manifestação explícita admite tanto o sentido genérico de algo evidente quanto o de algo diretamente percebido, sem que qualquer interpretação esteja livre de dificuldades.

9. A manifestação genérica inclui órgãos sensoriais entre os objetos da cognição, enquanto a manifestação diretamente percebida inclui outros fatores, como a luz, além de pressupor a própria condição perceptiva que a definição deveria estabelecer.

Conclusão

1. A crítica advaita das definições de objeto e diferença, desenvolvida sobretudo por Śrīharṣa e Citsukha, rejeita também a identidade entre cognição e objeto e fundamenta a não dualidade mediante uma análise epistemológica da consciência imediata de si, sem depender diretamente da autoridade upaniṣádica.

2. A análise racional da experiência não dual estende sua compreensão ao domínio da experiência comum e, enquanto método de realização, associa a rejeição dos objetos e da diferença à consciência de si e à singularidade do eu, nas quais não se apreendem mundo fenomênico nem pluralidade de sujeitos.

3. A consciência jamais se divide realmente em sujeito e objeto, e a servidão nasce das impressões mentais que constituem essa diferenciação, enquanto a libertação corresponde à consciência não dual inerente ao eu, que não é produzida por escrituras ou instruções externas.

4. As analogias da pintura e do oceano mostram que formas, nomes e diferenças dependem de impressões mentais e construções linguísticas, pois a figura pintada não existe independentemente de tela e cores, assim como as ondas não constituem uma realidade separada do oceano.