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CAMINHO DA COMPREENSÃO

OUTRA MARGEM

e, com essa realização,
superou todo o mal-estar.

  • Para compreender algo não basta observá-lo de fora — é preciso penetrá-lo profundamente e tornar-se um com ele, pois compreender, do latim com e prehendere, significa “agarrar junto” ou “tornar-se um com”.
    • Para entender uma pessoa, é preciso sentir seus sentimentos, sofrer seu sofrimento e alegrar-se com sua alegria.
    • O sutra usa a palavra “realização” para designar a “compreensão plena ou perfeita”.
  • Se se olha para a folha de papel apenas como observador externo, não é possível compreendê-la completamente — é preciso penetrá-la, ser a nuvem, ser a luz do sol e ser o lenhador, entrando nela e sendo tudo que nela está.
  • Há uma antiga história indiana sobre um grão de sal que queria saber o quão salgado era o oceano e então pulou dentro dele, tornando-se um com a água — e assim o grão de sal alcançou a compreensão perfeita.
  • Para trabalhar pela paz e compreender outro país não se pode simplesmente ficar de fora observando — é preciso tornar-se um com os cidadãos desse país para compreender seus sentimentos, percepções e formações mentais, pois qualquer trabalho significativo pela paz deve seguir essa prática: entrar e tornar-se um com, para realmente compreender.
  • No Sutra sobre os Quatro Fundamentos da Atenção Plena, o Buda recomendou contemplar de forma penetrante: contemplar o corpo no corpo, os sentimentos nos sentimentos, as formações mentais nas formações mentais, os fenômenos nos fenômenos.
    • Essa repetição indica que é preciso entrar e tornar-se um com aquilo que se quer observar e compreender.
    • Os cientistas nucleares começam a afirmar o mesmo: ao entrar no mundo das partículas elementares, é preciso tornar-se participante para compreender algo — não é mais possível permanecer apenas observador externo; hoje muitos cientistas preferem a palavra “participante” à palavra “observador”.
  • Para compreender outras pessoas é preciso colocar-se em sua pele — sem compreensão, o amor verdadeiro é impossível.
  • Com a compreensão e a realização vem o alívio, pois o sofrimento pode ser transformado pela percepção da natureza da vacuidade.
    • Estudar o Sutra do Coração intelectualmente, como filosofia, não terá nenhum efeito sobre o sofrimento que se carrega; mas se cada palavra e frase do Sutra do Coração forem lidas à luz do próprio sofrimento e das aspirações mais profundas, tornar-se-ão significativas.
    • Aplicar a compreensão da vacuidade à vida cotidiana e aos desafios e dificuldades que se encontram permite superar o sofrimento e experimentar alívio e felicidade — essa compreensão tem o poder de libertar.
  • Avalokitesvara foi um ser humano como nós e sofreu como nós sofremos, razão pela qual empreendeu a prática de olhar profundamente e, ao fazê-lo, descobriu a natureza da vacuidade — e uma vez alcançada essa percepção profunda, o sofrimento cessou de se manifestar.
    • Com tal realização profunda, assim como Avalokitesvara, não apenas é possível transformar o próprio sofrimento e tocar a paz, a liberdade e a felicidade, mas também ajudar outros a fazer o mesmo.
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