budismo:waldberg:satori
SATORI
MWFZ
- O Satori constitui a essência do Zen e representa o despertar ou a conversão definitiva que os mestres buscam provocar nos discípulos.
- Caracterização do fenômeno como um giro espiritual brusco e definitivo.
- Indiferença em relação à natureza dos métodos aplicados — sejam eles graduais ou abruptos — para atingir o objetivo.
- A definição do Satori é considerada uma tarefa impossível devido à natureza puramente vivencial do despertar espiritual.
- Alusão a fórmulas tradicionais como a abertura da flor do espírito, a retirada da barreira e a transmissão do selo espiritual.
- Metáforas da transformação da serpente em dragão e do cão em leão de juba dourada.
- Descrição do fenômeno como um cataclismo que antecede o novo nascimento e aviva a visão prânica.
- A natureza indizível do Satori é atestada pelos testemunhos de grandes mestres compilados nas obras de Suzuki.
- Referência aos relatos de Kao—feng, Hakuin e Fo—Kuang.
- Uso de textos biográficos para meditação e compreensão da experiência incomunicável.
- A experiência de Kao—feng iniciou—se com a meditação sobre o koan do retorno de todas as coisas ao Um.
- Tensão espiritual constante perante o enigma sobre o destino final do Um.
- Estado de paralisia e solidão absoluta descrito como estar preso com visgo.
- Perda da consciência do mundo exterior em uma atitude semelhante à de um idiota.
- O despertar de Kao—feng ocorreu ao ler versos de Fa—ien sobre a longevidade e o movimento do velho bondoso.
- Citação — Cem anos — trinta e seis mil manhãs —. O velho bondoso move—se sempre!
- Resolução súbita da dúvida sobre o significado do corpo desprovido de vida.
- A iluminação provocou a dissolução do muro entre o sujeito e o mundo permitindo a compreensão clara de todos os koans.
- Citação — Ocorreu como se o espaço infinito tivesse estourado em pedaços, como se a vasta terra tivesse desaparecido. Esqueci—me e esqueci o mundo; foi como um espelho no qual se refletisse outro.
- Penetração definitiva no Dharma—dhatu.
- Hakuin atingiu a experiência iluminadora ao dedicar—se assiduamente ao koan de Tchao—tcheu sobre a natureza de Buda no cão.
- Período de vigília e jejum contínuos focados na compreensão absoluta do koan.
- O estado meditativo de Hakuin assemelhava—se ao isolamento absoluto e ao congelamento em um campo de gelo infinito.
- Impressão de voar pelos ares e distanciamento das palavras proferidas pelo mestre.
- Rompimento do estado de transe provocado pelo toque de um sino ao entardecer.
- A quebra do estado meditativo resultou na certeza absoluta e na identificação com o mestre Iien—t’eu.
- Citação — Ocorreu como se rompesse um vaso de cristal ou se demolisse uma casa de jade.
- Desaparecimento de incertezas em favor da liberdade e simplicidade perfeitas.
- Fo—kuang despertou o homem original após anos de concentração no som de um tabuleiro.
- Descrição do universo como a manifestação do próprio som U.
- Citação — Oh, quão grande é o Dharma—kaya! Quão grande e imenso por todo o sempre!
- Compreensão da unidade entre a própria individualidade e o corpo da lei através de uma alegria perene.
- O processo rumo ao Satori envolve etapas sucessivas de meditação e morte de si mesmo para atingir a alegria da libertação.
- Sequência composta por concentração profunda, atordoamento aparente e iluminação final.
- A irracionalidade define o Satori como um fenômeno súbito que purifica a percepção humana além do intelecto.
- Impossibilidade de explicação por meio do raciocínio lógico ou do mérito pessoal.
- Purificação da visão comparada à clareza de uma paisagem após a chuva.
- Reconhecimento da verdadeira natureza alheia através da transparência do rosto.
- A visão intuitiva revela a natureza de Buda e a unidade fundamental entre todos os seres e objetos.
- Percepção da fragilidade e força em todos os entes da natureza.
- Citação — Antes que Abraão existisse, eu Sou.
- O saber obtido no Satori possui autoridade categórica e irrefutável semelhante ao gosto do chá.
- Conhecimento direto da realidade sem necessidade de explicações conceituais.
- Oferecimento da experiência como único meio de transmissão da verdade.
- A afirmação positiva do Satori transcende as limitações negativas da linguagem e as divisões do dualismo.
- Compreensão do Vazio, do Sem Forma e da No Voluntad como realidades vivas.
- Identificação das coisas como não nascidas e desprovidas de separatividade no Dharma—dhatu.
- O sentido do além consiste no retorno à harmonia universal onde o indivíduo se torna Buda.
- A iluminação do espírito reflete—se na iluminação total de todos os confins da realidade.
- Experiência individual que se torna simultaneamente universal.
- O tom impessoal da iluminação transfigura o corpo em uma estrutura sensível às forças universais.
- Citação de Blake — A energia é o deleite eterno.
- Corpo transfigurado, permeável e sensível, despojado de interesses puramente pessoais.
- O sentimento de exaltação une a alegria individual à compaixão búdica na Torre Vairochana.
- Desaparecimento do dualismo pela interpenetração absoluta com o real.
- Citação — A Torre é a morada dos filhos da iluminação (…) que vão daqui para ali no Dharma—dhatu, sem amarras, sem depender de nada, sem habitação, livres de carga, como o vento que sopra, e sem deixar rastro de sua peregrinação.
- Retorno ao mundo do sofrimento motivado pelo Bodhichitta para a salvação dos desafortunados.
- A instantaneidade do despertar independe do tempo de prática espiritual acumulado ou da lógica humana.
- Satori como fenômeno irracional e inconcebível que ocorre como uma maravilha incomparável.
- Possibilidade de iluminação tanto para praticantes antigos quanto para os recém—chegados à disciplina.
- As técnicas bruscas operam mecanicamente para colapsar o pensamento discriminatório e forçar a percepção imediata da realidade.
- Uso do grito ou do abano para interromper o fluxo do parikalpa e ativar a visão prânica.
- Funcionamento mecânico que destrói a balsa do Dharma para garantir o desembarque na outra margem.
- Colapso da lógica racional para permitir a visão das coisas yathabhutam.
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