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CANSELIET
CANSELIET, Eugène (1899-1982)
HANEGRAAFF, Wouter J. (ORG.). Dictionary of gnosis & Western esotericism. Leiden ; Boston: Brill, 2006.
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A juventude de Eugène Canseliet foi marcada por uma origem familiar modesta, interesse precoce pelas artes e deslocamentos durante a Primeira Guerra Mundial.
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Canseliet provinha de uma família de origem belga estabelecida nos subúrbios de Paris.
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Desde jovem, dedicou-se ao desenho e chegou a prestar exames para escolas de belas-artes.
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Durante a guerra, sua família mudou-se para Marselha, onde ele frequentou a escola de arte local e manteve a paixão pela pintura.
Em Marselha, Canseliet conheceu Fulcanelli e Jean Julien Champagne, figuras centrais para sua iniciação e estudo da alquimia.-
Fulcanelli, então um homem idoso, passou a receber visitas frequentes de Canseliet, que o ouvia e o auxiliava em tarefas.
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Por intermédio de Fulcanelli, Canseliet conheceu Jean Julien Champagne, pintor talentoso versado em alquimia prática e próximo a esoteristas parisienses.
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Champagne, frequentemente apontado como o verdadeiro Fulcanelli, exerceu forte influência sobre Canseliet.
De volta a Paris, Canseliet conciliou atividades profissionais diversas com o aprofundamento de seus estudos alquímicos e o convívio com seus mestres.-
Trabalhou como escriturário e guarda-livros enquanto prosseguia com suas pesquisas.
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Visitava Fulcanelli, que retornara a Paris após 1918, e Champagne, que dividiu um espaço com ele entre 1925 e 1932.
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Dedicava parte de seus rendimentos à aquisição de livros antigos de alquimia e copiava manualmente os que não podia comprar, em bibliotecas ou coleções particulares.
No início da década de 1920, a convite de Fulcanelli, Canseliet participou de uma operação alquímica numa fábrica de gás e, posteriormente, recebeu a incumbência de preparar manuscritos para publicação.-
Em uma fábrica de gás em Sarcelles, Fulcanelli instruiu Canseliet a realizar uma transmutação com materiais fornecidos pelo mestre.
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A operação teria produzido uma pequena quantidade de ouro, mais tarde fundida em um anel.
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Após o experimento, Fulcanelli entregou a Canseliet três manuscritos para que os preparasse para publicação.
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O primeiro livro, Le Mystère des cathédrales, foi publicado em 1926, com prefácio de Canseliet (assinado “F.C.H.”) e ilustrações de Champagne.
A publicação do segundo livro de Fulcanelli ocorreu quatro anos depois, enquanto o terceiro manuscrito foi recolhido pelo autor e permaneceu inédito.-
Les demeures philosophales surgiu em 1930, dando sequência à obra iniciada.
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O terceiro manuscrito, Finis Gloriae Mundi, foi retomado por Fulcanelli e não chegou a ser publicado.
Durante a década de 1930, Canseliet estabeleceu contatos e amizades duradouras no meio esotérico e publicou seu primeiro livro em 1945, mudando-se para Savignies no ano seguinte.-
Sua rede de relações incluiu figuras como André Savoret, Paul Le Cour (fundador da revista Atlantis), Philéas Lebesgue e Claude d'Ygé.
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A viúva de Jean Schemit publicou o primeiro livro de autoria própria de Canseliet em 1945, obtendo sucesso apesar das condições adversas do pós-guerra.
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A partir de 1946, Canseliet fixou residência em Savignies, próximo a Beauvais.
Em 1953, Canseliet realizou uma viagem inesperada à Espanha para reencontrar Fulcanelli, encontro do qual resultaram novas orientações para sua pesquisa alquímica.-
Em Sevilha, foi recebido por Fulcanelli, que aparentava ter cerca de 114 anos.
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O propósito do encontro foi o recebimento de conselhos e informações práticas para orientar suas pesquisas.
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A partir de então, Canseliet passou a seguir a chamada “via seca” da alquimia, reinterpretando sob essa ótica autores clássicos.
Na segunda metade da década de 1950, Canseliet intensificou sua colaboração com periódicos e editoras especializadas em esoterismo.-
Iniciou colaboração com a revista La Tour Saint-Jacques, de Robert Amadou.
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Por intermédio de Claude d'Ygé, foi apresentado a Jean Lavritch, editor que reeditou as obras de Fulcanelli em 1957 e 1960 com acréscimos de Canseliet.
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Após divergências com Lavritch, passou a publicar com Jean-Jacques Pauvert, cujas edições das obras de Fulcanelli e de seus próprios artigos obtiveram grande sucesso a partir de 1964.
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O sucesso editorial tornou a alquimia respeitável no meio literário francês e transformou Canseliet em uma figura frequentemente procurada pela imprensa.
A década de 1970 foi um período de intensa produção intelectual para Canseliet, interrompida por um grave problema de saúde.-
Escreveu numerosos artigos para revistas como Atlantis e La Tourbe des Philosophes.
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Produziu prefácios, novas edições de obras de Fulcanelli e de seus próprios livros, além de publicar fac-símiles de tratados alquímicos e um livro de entrevistas.
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Em 1974, sofreu um ataque cardíaco, cuja longa convalescença reduziu suas visitas a Paris.
Em seus últimos anos, Canseliet dedicou-se a entrevistas, à correspondência, à manutenção das obras de Fulcanelli em catálogo e à escrita de suas memórias, que ficaram inacabadas.-
Manteve ativa a divulgação de seu trabalho e o de seu mestre até o fim da vida.
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Seu falecimento, decorrente de uma gripe no inverno, não deixou um herdeiro designado para sua obra.
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Sua produção é considerada inseparável da de Fulcanelli, que em muitos aspectos ela esclarece ou completa, influenciando fortemente o renascimento da alquimia laboratorial, sobretudo na França.
No mundo anglófono, Canseliet é conhecido como o discípulo de Fulcanelli, e suas posições sobre a alquimia enfatizam a harmonia com a natureza e uma crítica à modernidade.-
Sua figura foi divulgada por Kenneth R. Johnson e Frater Albertus, este último em uma entrevista de 1976.
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Na entrevista, Canseliet destacou a necessidade de harmonia com o material, consigo mesmo e com o cosmo, mencionando as dificuldades para a realização da Grande Obra devido à poluição atmosférica e às mudanças climáticas, além da “poluição do cérebro humano”.
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Manifestou censura à Igreja Católica pós-conciliar, em particular por sua permissão à cremação.
Ao contrário de muitos intérpretes contemporâneos, Canseliet afirmou o caráter físico e laboratorial da alquimia e criticou abordagens puramente simbólicas ou psicológicas.-
Insistiu que a alquimia é, antes de tudo, uma atividade física que requer trabalho de laboratório.
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Manifestou pouca tolerância para com as interpretações simbólicas de Gaston Bachelard, as formulações teóricas de René Guénon e a alquimia psicologizada de Carl Gustav Jung.
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Por outro lado, empregou a “língua dos pássaros” para interpretar obras literárias de autores como Rabelais e Swift, a exemplo de Gulliver.
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Deu continuidade à prática de Fulcanelli de interpretar simbolismos alquímicos na arquitetura francesa medieval e renascentista.
Apesar da riqueza de informações em sua obra, Canseliet defendia que os mistérios essenciais da alquimia devem ser desvendados pelo próprio aspirante, distinguindo-se de abordagens mais abertas do século XX.-
A natureza real dos materiais e os procedimentos práticos devem ser deduzidos pelo aprendiz, com auxílio da oração na falta de um mestre.
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Sua postura contrasta com a tendência à abertura e ao estabelecimento de metas acessíveis presente em escolas alquímicas como as de Frater Albertus ou Jean Dubuis.
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