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esoterismo:faivre:androginia-hermafrodismo

ANDROGINIA E HERMAFRODISMO

FAIVRE, Antoine. Accès de l’ésotérisme occidental I. Paris: Gallimard, 1986.

  • A noção teosófica de centro e periferia, aplicável ao espaço e ao tempo, fundamenta a distinção entre um sentido central e um sentido periférico, estabelecendo que a relação amorosa e dinâmica do homem com Deus é condição para sua existência e que o conhecimento verdadeiro ocorre no contato dos centros, não das periferias.
    • A relação do homem com Deus é comparada à de um ponto da periferia com o centro, um vínculo que deve ser mantido para evitar a dissolução.
    • O amor divino criador opera por descensus e ascensus simultâneos, escondendo-se para elevar a criatura.
    • A imagem ou corpo (Bild) só encontra realidade ao se saber fundada pelo elemento superior que desce até ela.
    • A autonomização (Verselbstigung) da imagem leva à sua dissolução.
    • A verdadeira liberdade exige subordinação e coordenação, refutando a negação moderna do “serviço liberador”.
  • A relação dos seres entre si é necessariamente mediada pela relação primordial de cada um com Deus, o centro comum, de modo que a união fraterna ou amor ao próximo só é possível a partir do amor a Deus, sendo o crime direcionado ao centro de gravidade distinto do crime periférico.
    • O amor fraterno funda-se no amor de Deus, assim como o ódio ao próximo funda-se no ódio a Deus.
    • A união com outro homem exige a união direta e prévia com Deus.
    • O crime cometido “em direção ao centro” é considerado inexpiável, em oposição ao crime periférico, que se dissipa no movimento temporal.
  • A lei física do amor, conforme apresentada na obra de Saint-Martin, postula que a união entre as criaturas só se efetiva pela submissão a um princípio unificador superior que age do centro para a periferia, assemelhando-se à ação do sol que atrai a planta para a luz e supera sua tendência a retornar ao centro obscuro.
    • O amor faz a criatura participar da natureza divina através da submissão a um princípio unificador.
    • O centro é o “meio” (Mine) da expansão e da intenção absolutas.
    • A criatura possui uma tendência inata a retornar ao seu próprio fundo obscuro (Naturcentrum).
    • A função centrípeta, ou raiz, não deve ser destruída, mas sim superada, pois é condição e suporte da vida.
    • A vida percorre um ternário de alma, espírito e corpo, necessitando de alimento etérico e elementar.
  • O conceito de um “coração-centro” (Herz-Zentrum) é apresentado como o terceiro termo que possibilita a substantivação e a restauração comunitária dos homens, princípio pelo qual se compreende que a nutrição física e espiritual envolve uma comunhão com forças invisíveis e que os seres se alimentam uns dos outros a partir desse centro comum.
    • O “coração-centro” permite a substantivação comunitária.
    • A força invisível nos alimentos, que permanece una como o sol, possibilita a comunhão com as forças que a produziram.
    • O conhecimento de outra pessoa como pessoa exige que ela desça em direção a um bem ou causa impessoal.
    • A origem da palavra materia (de mater) remete à natureza originariamente andrógina do espírito, que tem sua “terra” dentro de si.
    • O princípio da substantiação afirma que um coração só pode nutrir outro coração, e o homem se alimenta do homem por participação no “coração-centro”.
  • A partir do pensamento de Saint-Martin, compreende-se que os amantes são servidores de um Eros superior, sendo o amor entre eles a manifestação visível de um amor divino que os transcende, e qualquer tentativa de amor autocentrado ou de igualar-se a Deus resulta no recuo e na ativação do princípio serpentino interior.
    • Os amantes são agentes visíveis de um Eros superior, e o amor que sentem é, em última análise, o amor de um ser superior por si mesmo através deles.
    • O amor que busca a autoafirmação ou a igualdade com Deus recua e ativa o “velho serpent” interior, que é distinto de Lúcifer.
    • A união dos amantes visa atrair um terceiro termo superior, à semelhança da magia dos talismãs que atrai e fixa um espírito.
    • O verdadeiro amor é de natureza religiosa, e o deus grego Eros, em seu sentido pleno, corresponde a esse terceiro princípio.
    • A oposição entre amor a Deus e amor às criaturas é um equívoco, pois a verdadeira religião ordena amar as criaturas no Criador, onde encontram sua unidade e acabamento.
  • No estado atual da humanidade, a unidade e o acabamento plenos são inconcebíveis, pois a quaternidade original foi cindida em uma dualidade marcada pela negação recíproca entre ativo e passivo, masculino e feminino, condenando a procriação a uma região inferior onde Amor e Cupido se distinguem e Hermafrodita surge como uma caricatura.
    • A cisão original converteu a quaternidade em dualidade de negação recíproca.
    • A procriação humana ocorre em uma região inferior de luta perpétua e impotência para superar a dualidade.
    • Amor (Eros) distingue-se de Cupido, e Hermafrodita é uma caricatura de ambos, bem como do andrógino primordial.
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