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MAGNETISMO

LEPINTE, C. Goethe et l’occultisme. Paris: Belles Lettres, 1957.

  • O magnetismo animal constitui-se como uma problemática deliberada no campo de preocupações de Goethe a partir de 1798, superando a mera percepção elementar para condicionar o processo da imaginação poética.
    • Conversações com Schiller e a análise da obra de Eschenmayer sustentam uma curiosidade que se transforma em engajamento profundo em 1808.
  • A gênese desse interesse vincula-se a experiências da infância relacionadas à atração do ímã e da eletricidade, cujas virtudes misteriosas subjugaram a atenção contemplativa do jovem.
    • O impacto dessas forças secretas de atração provocou uma admiração duradoura descrita em Dichtung und Wahrheit.
  • Leituras ocultistas realizadas entre 1768 e 1769 introduzem as distinções entre o magnetismo sideral e o orgânico, ecoando a concepção de Paracelso sobre a Mumia como receptáculo de influências astrais.
    • Paracelso postula a existência de uma força magnética inata ao ser humano, assegurando a ligação simpática entre corpos sublunares.
  • A analogia fundamental entre o magnetismo mineral e o humano é sublinhada por Paracelso, embora a retenção goethiana tenha se concentrado na ideia de polaridade, distinguindo-se do ritmo respiratório de Homeros.
    • Van Helmont aborda o magnetismo sob uma perspectiva terapêutica, enquanto a polaridade goethiana se manifesta como um movimento de concentração e expansão.
  • A doutrina magnética impõe-se à atenção pública com a publicação do Mémoire de Mesmer em 1779, estabelecendo-se como um conjunto de fatos a serem estudados.
    • O inventário de livros de figuras como o pastor Brion de Sesenheim já registrava o interesse por curas magnéticas na década de 1780.
  • A propagação das Sociedades Harmônicas em Lyon e Estrasburgo, favorecida pela influência de Cagliostro, reflete a voga do maravilhoso no final do século dezoito.
    • O magnetismo desperta paixões entusiásticas e ceticismo, marcando a transição para o novo século.
  • As atitudes opostas de Lavater e Goethe evidenciam a recepção divergente da descoberta de Mesmer, entre a exaltação religiosa e a prudência positiva.
    • Lavater saúda a força magnética como um raio benfaisante da divindade e um análogo do dom profético bíblico ou da imposição das mãos apostólica.
  • A reserva goethiana manifesta-se na desconfiança em relação aos praticantes de curas maravilhosas, observados na Suíça, sem que o fenômeno em si fosse descartado como fraude.
    • A constatação de que a matéria não é vazia, embora os homens envolvidos sejam suspeitos, orienta a postura crítica do autor.
  • A denúncia do magnetismo de moda e do charlatanismo encontra expressão irônica nos Zahme Xenien, onde se adverte sobre a presença de velhacos ao lado dos prodígios da natureza e da arte.
    • A crítica poética enfatiza a ambiguidade de certas curas maravilhosas contemporâneas.
  • Os Unterhaltungen deutscher Ausgewanderten exploram literariamente a simpatia magnética entre objetos materiais, como o caso dos secretários de madeira gêmeos.
    • O relato do abade introduz a manifestação de fenômenos inexplicáveis no seio de uma reunião social.
  • O estalo de um móvel ocorre simultaneamente ao incêndio que consome seu par em uma localidade distante, sugerindo uma correspondência mística entre objetos de mesma origem.
    • A investigação objetiva confirma a sincronia dos eventos, alimentando o debate sobre simpatias inegáveis.
  • A conversa geral sobre simpatias misteriosas entre madeiras geradas do mesmo tronco ou obras do mesmo artista reflete um fundo de verdade mesclado ao humor.
    • A curiosidade divertida ainda não se converte em convicção sincera neste estágio evolutivo.
  • O ano de 1798 marca o aprofundamento do interesse com a publicação de Von der Weltseele de Schelling e conversas com Schiller sobre forças magnéticas.
    • J. Schiff observa que a alma do mundo é celebrada como o princípio vital que une seres orgânicos e inorgânicos.
  • A leitura de Eschenmayer permite o ingresso no atelier do filósofo da natureza, confirmando a qualidade de observador intuitivo ou Naturschauer.
    • A salvação intelectual é buscada na intuição ou Anschauung, que ocupa o espaço mediano entre a descida dos princípios aos fatos e a subida dos fatos aos princípios.
  • O projeto de um poema sobre as forças magnéticas e a leitura do suplemento de Schelling ao trabalho de Eschenmayer demonstram a sedução exercida pela doutrina.
    • Cartas a Knebel e Schelling reiteram o despertar do interesse por fenômenos de importância capital.
  • A percepção do fenômeno magnético ocorre inicialmente através de brumas que obscurecem contornos precisos, assemelhando-se ao caminhar em estradas conhecidas ao crepúsculo.
    • A revelação plena é postergada em favor de um reconhecimento indistinto dos objetos circundantes.
  • Uma segunda voga do magnetismo surge em 1808 com as experiências de Ritter em Munique sobre o jovem Campetti, conduzindo a um engajamento real.
    • O siderismo e a sensibilidade a objetos distantes revelados por Campetti despertam a atenção de círculos literários e filosóficos.
  • O movimento siderista encontra acolhida no romantismo como prova da afinidade entre o homem e a natureza, integrando fenômenos de radiestesia.
    • A imprensa e a correspondência entre Schelling, Windischmann e Hegel mantêm o tema em evidência.
  • A leitura do primeiro volume de Ritter sobre o siderismo em 1808 precede a transposição das faculdades de Campetti para a personagem Ottilie nas Wahlverwandtschaften.
    • Diálogos com Meyer e Dorothea v. Schlegel contextualizam a recepção das novas experiências sobre detectores de água e metais.
  • Consultas a obras de Strombeck e ao Archiv für den thierischen Magnetismus de Eschenmayer entre 1814 e 1817 aprofundam a base teórica sobre o magnetismo animal.
    • O Archiv fornecia um panorama crítico de manifestações e explicações, atraindo o interesse persistente do autor.
  • O esquema da evolução científica de 1821 registra a crença na parentela entre fenômenos magnéticos e elétricos, integrando-os como manifestações autênticas da natureza.
    • Essa convicção é reforçada pela lembrança de experiências precoces com o ímã.
  • A descoberta de Oersted sobre a influência do galvanismo na agulha magnética atua como confirmação fulminante das intuições anteriores.
    • Conversas com Eckermann em 1827 reiteram a posse humana de forças elétricas e magnéticas que exercem atração e repulsão.
  • A possibilidade de ação da vontade à distância e a existência da telepatia são admitidas com base em experiências pessoais e nas doutrinas de Jung-Stilling, Villers e Ennemoser.
    • O poder de suspender conversações em sociedade apenas pela força do espírito é citado como exemplo dessa influência invisível.
  • O conhecimento sobre a vidente de Prevorst, através de Justinus Kerner ou de contatos indiretos, reforça a aceitação de forças estranhas inerentes à natureza humana.
    • Em diálogo com o chanceler von Müller em 1830, afirma-se a necessidade ontológica de tais poderes de segunda vista e predição.
  • O crepúsculo da vida revela um observador transformado em crente convencido quanto ao mistério das forças magnéticas.
    • A transição do ceticismo curioso para a fé encerra o ciclo de evolução pessoal diante do fenômeno.
  • O interesse pelo magnetismo animal coincide com um período de extrema fecundidade literária que produz as Wahlverwandtschaften, o West-östliche Divan e os Wanderjahre.
    • As doutrinas conhecidas por contato direto influenciam decisivamente a arquitetura dessas obras maiores.
  • O magnetismo é interpretado como uma ressurgência do influxo ocultista, manifestando-se sob roupagens científicas ou pseudocientíficas no contexto kantiano e romântico.
    • A busca por leis fisiológicas e psíquicas não elimina o caráter misterioso do domínio investigado.
  • Eschenmayer inaugura um método de investigação racional que, no entanto, lida com fatos já conhecidos por Paracelso, Van Helmont e Swedenborg.
    • A unidade do mundo e a afinidade entre homem e natureza permanecem como pressupostos subjacentes.
  • A hostilidade das academias confirma a recepção do magnetismo como herdeiro da tradição ocultista, apesar das hipóteses de Mesmer buscarem princípios da atração universal.
    • Ennemoser dedica partes de sua história do magnetismo aos precursores Paracelso e Van Helmont.
  • O sucesso do magnetismo vincula-se ao desdobramento das consequências do criticismo kantiano, que limitava o conhecimento ao mundo fenomenal.
    • A ciência racional é incapaz de entregar o segredo último do mundo ou a razão do destino humano.
  • O eu numenal permanece inacessível especulativamente para Kant, deixando o mundo como um mistério insondável.
    • Blondel e Lachièze-Rey discutem a incapacidade do Je pense em apreender-se absolutamente.
  • O magnetismo animal revela sujeitos cujas intuições ultrapassam os limites do saber empírico e as condições de experiência impostas pela razão.
    • A percepção livre do esquema sensorial permite o acesso a realidades ocultas dos seres.
  • A adivinhação magnética faz explodir as categorias kantianas ao permitir a percepção de realidades independentes do tempo e do espaço.
    • Eschenmayer define a força de percepção como o poder de completar as intuições de espaço e tempo.
  • O vidente atua como mediador entre o mundo numenal e aqueles reduzidos às aparências fenomênicas.
    • O magnetismo oferece uma superação do impasse metafísico kantiano através de novas vias sobre o incognoscível.
  • Os românticos sentem-se integrados na harmonia universal graças às revelações magnéticas, conforme as definições de Ennemoser sobre a harmonia entre os homens.
    • O termo magnetismo vital é preferido para indicar que tudo na natureza é vivo e, consequentemente, magnético.
  • Mesmer define o magnetismo animal como a propriedade de um corpo de receber influências celestes e agir sobre o seu entorno.
    • A semelhança com a ação do ímã justifica a nomenclatura para esse jogo de influências recíprocas.
  • O conceito de magnetismo abrange fenômenos de atração e repulsão em todos os reinos, ignorando fronteiras rígidas entre o mineral e o animado.
    • A forma humana é considerada a manifestação superior e mais relevante desse princípio universal.
  • O artigo preliminar de Eschenmayer no Archiv constitui o documento fundamental para a compreensão das explicações magnéticas consultadas por Goethe.
    • Constata-se a insuficiência dos sentidos e de instrumentos como telescópios para penetrar as realidades ocultas da natureza.
  • A razão intuitiva ou Vernunft ultrapassa as fronteiras sensoriais, alcançando regiões onde a experiência empírica não é mais possível.
    • O mistério das coisas é inacessível à análise puramente racional.
  • A natureza estabelece proporções entre matéria, forma e essência ou ideia, onde o aumento da essência implica maior perfeição e liberdade.
    • O domínio físico é condicionado por leis cegas, enquanto o espiritual abriga a ação autônoma.
  • O princípio da forma ou vital mantém o equilíbrio entre as tendências opostas de contração e expansão, assegurando a subsistência do organismo.
    • Van Helmont identifica uma força curativa ou Heilkraft inerente à vida que regula excessos e faltas.
  • O estado magnético decorre de uma ruptura do tônus vital e de uma falha do Lebensprinzip, sob influência de Platão, Kant e Espinosa.
    • Existe uma relação estreita entre as metamorfoses da puberdade, transtornos sexuais e a disposição ao magnetismo animal.
  • A atração amorosa é interpretada como uma polaridade onde o desejo busca recriar a harmonia através de influências simpáticas.
    • A nova polaridade espiritual no amor e a orgânica nas forças reprodutivas encontram-se em uma estética sublime.
  • O éter orgânico funciona como o meio de propagação das radiações magnéticas e sua forma sensível.
    • É através desse meio que as comunicações invisíveis se processam entre os seres.
  • O sentido universal ou Gemeinsinn capta as intensidades que vibram no éter orgânico, distinguindo-se da sensação superficial.
    • No magnetismo, o sujeito percebe intensidades sem a intermediação do aparelho sensorial, o que explica a ausência de imagens e memórias convencionais.
  • Eschenmayer, seguindo Platão, identifica três sedes funcionais: reprodução no ventre, irritabilidade no peito (Thumos) e sensibilidade na cabeça.
    • O esquema gráfico ilustra a relação entre o elemento espiritual, orgânico e físico no estado normal.
  • A ruptura do equilíbrio de indiferença no estado magnético projeta as forças espirituais ao máximo positivo enquanto as orgânicas decaem ao polo oposto.
    • Essa polarização resulta na exaltação simultânea do espírito e do corpo-médium, ligando o psíquico ao patológico.
  • A necessidade de um conhecimento puramente especulativo da natureza é reforçada pelo choque do magnetismo, que revela o mundo suprassensível.
    • O fenômeno aponta para uma vida sideral superior àquela manifestada pelos sentidos.
  • Distinguem-se quatro estágios magnéticos: visão cenestésica, clarividência (Hellsehen), simpatia e adivinhação desprendida da sensibilidade.
    • Nees von Esenbeck contribui para a sistematização desses níveis de percepção no Archiv.
  • Ennemoser reduz os estados a dois: o sono magnético (Schlafwachen), marcado por crises e sofrimento, e a clarividência, caracterizada pela paz e exaltação espiritual.
    • O magnetismo é visto como um caminho possível para a beatitude.
  • Goethe assimila influências doutrinárias compatíveis com sua natureza em uma época de preocupação com o mistério da vida.
    • A elaboração de obras de suprema sabedoria coincide com o resgate da experiência mágica de Frankfurt.
  • A intuição fenomenológica, evocada por Ötinger como o mago do sul, visa apreender os fenômenos primordiais.
    • O observador intuitivo situa-se à margem do cientista e do filósofo puro.
  • O magnetismo é classificado como um Urphänomen que coloca a intuição diante de um dado imediatamente anterior à ideia pura.
    • Morris define o fenômeno primordial como a aparência purificada de todo acidente particular.
  • A polaridade magnética é concebida como o processo orgânico do universo, regendo o movimento reversível do ciclo vital.
    • A alternância entre sístole e diástole expressa a vida da natureza na união e separação constante.
  • A terminologia de Homeros sobre a inspiração e expiração do universo reaparece na concepção goethiana da dinâmica cósmica.
    • Diversas polaridades, incluindo elétricas, químicas e musicais, respondem ao modelo magnético superior.
  • A vida psíquica manifesta polaridade na tensão entre amor e ódio, onde o repouso só ocorre no contato entre os polos.
    • O segredo do magnetismo é comparado ao mistério das paixões humanas.
  • O magnetismo animal promove a unidade de espírito e a transmissão de pensamento na simpatia amorosa.
    • A adivinhação imediata entre amantes é citada como exemplo de fenômenos psíquicos que superam a produção do magnetismo orgânico.
  • Uma experiência pessoal em Weimar ilustra o poder de atração voluntária sobre a pessoa amada.
    • O encontro efetivo na rua, movido por um desejo fervente, é interpretado como um efeito magnético.
  • A função respiratória é valorizada simbolicamente como uma graça dupla no Divan, refletindo a polaridade da vida orgânica.
    • O agradecimento à divindade pela pressão e pela liberação sintetiza a aceitação do ritmo vital.
  • Personagens goethéanos refletem a influência do magnetismo e do movimento siderista, atuando como verdadeiros médiuns.
    • A disposição magnética é observada com maior frequência em mulheres, como notado por Ennemoser.
  • Figuras femininas como Ottilie, Makarie, Mignon e Sperata exemplificam diferentes graus de sensibilidade magnética.
    • O Dr. Nick relata casos notáveis de magnetismo animal que fundamentam essas criações literárias.
  • Embora as Lehrjahre tenham sido concluídas antes da influência direta da doutrina, o caráter de Mignon já abriga o estranho e o irracional.
    • Dorothea Flashar analisa a evolução da figura de Mignon no contexto educativo de Wilhelm Meister.
  • O magnetismo de Mignon vincula-se indissociavelmente à crise da adolescência e ao despertar erótico.
    • Jarno descreve a criatura como um ser hermafrodita e tolo, evidenciando o incompreendido.
  • A transformação orgânica e as emoções de jumento predispõem o ser às manifestações magnéticas, conforme as teses de Eschenmayer.
    • A tensão interna e a dor física acompanham o florescimento da jovem.
  • A tara da hereditariedade e o sangue incestuoso exaltam e fragilizam o coração de Mignon.
    • A personagem reúne a nostalgia do harpista e a religiosidade de Sperata em um desequilíbrio orgânico.
  • Premonições magnéticas permitem que Mignon pressinta a paternidade de Wilhelm e a identidade de Felix.
    • A declaração de que o espírito lhe revelou tais fatos é acompanhada pelo gesto de golpear o peito, sede da adivinhação.
  • Em uma sociedade utilitarista, o ser marcado pelo destino permanece marginalizado e incompreendido pelos homens da Torre.
    • Lothario e Wilhelm cometem o erro de confiar a vidente a Teresa, figura de moralidade prática e seca.
  • A hipersensibilidade e os espasmos, comuns aos médiuns, conduzem Mignon a uma morte prematura.
    • Ennemoser associa o sono magnético a estados violentos de crise e convulsões.
  • O destino do ser que vive falsamente é a destruição precoce, conforme a fatalidade expressa por Augustin.
    • A serenidade só é alcançada na morte transfigurada pela arte na sala do passado.
  • Natalie é a única personagem a compreender o mistério doloroso da criança selvagem.
    • A homenagem póstuma oculta a negligência anterior da maioria dos observadores.
  • Ottilie é apresentada deliberadamente como uma mulher dotada de dons magnéticos e radiestésicos caracterizados.
    • O jogo de afinidades no romance reflete simpatias magnéticas, apesar do uso de metáforas químicas.
  • A escolha de comparações materiais visa afastar conclusões puramente matérialistas, resgatando o pandinamismo ocultista.
    • Alquimistas e magnetizadores já associavam casamentos químicos a afinidades humanas.
  • A experiência do pêndulo e o siderismo de Ottilie integram-se organicamente na estrutura narrativa.
    • Charlotte, em contrapartida, é desprovida de tais dons e teme o mistério revelado pelo magnetismo.
  • O sofrimento físico de Ottilie em certas áreas revela a presença de jazidas de carvão ou minérios.
    • A vidente de Prevorst, segundo Kerner, apresentava sensibilidade semelhante até a objetos metálicos nas paredes.
  • A polaridade manifesta-se nas dores de cabeça complementares entre Ottilie e Eduard.
    • A segunda vista permite que a personagem acompanhe Eduard na guerra através de visões interiores.
  • A pureza total e a renúncia ao amor impossível levam à busca pelo desprendimento dos laços corporais.
    • Ottilie e Sperata deixam de se alimentar, permitindo que o espírito se liberte progressivamente.
  • A morte ocorre em uma atmosfera de santidade, com corpos que resistem à decomposição e operam curas.
    • François-Ponçet nota a ambientação católica no desfecho das Wahlverwandtschaften.
  • O corpo de Ottilie, conservado em uma arca de vidro, torna-se objeto de veneração e milagres para a multidão.
    • Nanni é a primeira a ser curada pela influência da vidente falecida.
  • A postura de Goethe diante dos prodígios é marcada pela sinceridade objetiva e ausência de ceticismo fácil.
    • O observador atento não pode explicar as curas nem declará-las mentirosas.
  • Makarie configura-se como a figura de médium mais elevada, representando uma forma sublime de espiritualidade.
    • Nos Wanderjahre, o mistério e o irracional deixam de ser vencidos para se tornarem centrais.
  • Até Jarno abandona sua reserva fria para se interessar pelo magnetismo animal e por seres dotados de dons especiais.
    • A personagem de Makarie atua como o sol espiritual em torno do qual gravitam os demais.
  • A sensibilidade suprema da vidente decorre da dominação de seu estado físico e da renúncia às alegrias existenciais.
    • A bondade radiante e a intuição magnética permitem que ela perceba a natureza interna sob as máscaras individuais.
  • A presença de Makarie transfigura os seres ao seu redor, participando de sua soberana serenidade.
    • O sonho de Wilhelm Meister sobre a apoteose da vidente é interpretado pelo médico como um presságio.
  • O médico-astrônomo atua como o intérprete necessário e o garante racional contra suspeitas de fraude.
    • A razão lúcida constata fenômenos que não pode explicar nem negar.
  • A clarividência de Makarie estende-se ao sistema planetário e aos espaços cósmicos.
    • Ela participa da luz e conhece a radiação celeste, superando a penumbra da caverna platônica.
  • O desprendimento do terrestre é contrabalançado pelo amor aos outros, que atua como um cordão umbilical resistente.
    • Sua conduta moral no mundo terrestre é exemplar, sem estar fora da ética comum.
  • A influência de Swedenborg revela-se na valorização da atividade no mundo como via para a beatitude.
    • A espiritualidade puramente contemplativa é condenada em favor da prática do bem e da utilidade social.
  • Makarie atua como conselheira e diretora de consciência para almas aflitas, mantendo-se informada sobre a vida social.
    • Carl Kiesewetter destaca que a vida que leva ao céu não é isolada do mundo.
  • A esperança de que sua enteléquia bemfazeja retorne ao sistema solar reflete a crença na persistência de sua influência.
    • Sugere-se um paralelo com figuras místicas que prometem auxílio contínuo após a partida.
  • A alma da vidente movimenta-se em direção ao mundo das ideias inteligíveis e ao suprassensível.
    • A concentração de todas as forças espirituais permite que o humano se coloque diante do infinito sem ser aniquilado.
  • Makarie simboliza a inserção espiritual do microcosmo no macrocosmo, ilustrando a lei moral e o céu estrelado.
    • Sua espontaneidade e dons de clarividência transcendem o rigor do personagem puramente kantiano.
  • A distinção entre um sol interior e um sol celeste remete às teorias de Eschenmayer sobre os símbolos do saber e da fé.
    • O sol central ilumina a imensidão do mundo estelar na escuridão, representando o âmbito da crença.
  • O movimento em espiral descrito por Max Wundt associa-se a conceitos swedenborgianos sobre a perfeição geométrica.
    • A vidente atinge o estágio supremo de progressão magnética, desprendendo-se de toda gravidade corpórea.
  • Os dias luminosos da alma alternam-se com retornos à realidade cotidiana e sensível.
    • Ennemoser descreve esse estado como uma ascensão para além das foscas névoas da terra, onde as necessidades humanas emudecem.
  • Makarie sintetiza traços dos mistérios de Swedenborg e do magnetismo animal, superando figuras como Mignon ou Ottilie.
    • Ela permanece como o médium perfeito entre o mundo do trabalho cotidiano e o domínio das verdades santas.
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