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Corpo, Alma, Espírito
BRAUN, Lucien; BERNARD GORCEIX; PIERRE DEGHAYE . Paracelse. Paris: A. Michel, 1980
- As Diferentes Concepções Antropológicas na Obra de Paracelso
- A constatação de que Paracelso analisa o homem de duas maneiras principais: uma dicotômica, baseada geralmente no esquema corpo-alma, por vezes com a representação de dois corpos (eterno e perecível), ou no esquema corpo-espírito; e uma concepção tricotômica, na qual o homem se compõe de corpo, alma e espírito.
- A observação de que estas representações por vezes se misturam, falando-se de dois corpos (visível e invisível), duas almas (natural e eterna) e dois tipos de espírito (natural e eterno).
- O Esquema Corpo-Alma e o seu Contexto
- A utilização predominante da fórmula corpo-alma nos escritos teológicos de Paracelso, aparentemente como uma adoção espontânea do pensamento cristão tradicional, sem um objetivo antropológico particular.
- A associação deste esquema a factos religiosos ou éticos, onde a alma representa a orientação para Deus na fé e obediência, sendo o fundamento da existência propriamente humana, que recebe o conhecimento de Deus e não da criatura.
- A formulação de que o amor a Deus vem da alma, enquanto a cobiça pelos bens materiais decorre do corpo.
- A Questão do Dualismo no Esquema Corpo-Alma
- A análise da medida em que um pensamento dualista se esconde por detrás do esquema corpo-alma, notando-se que, para Paracelso, a vida na sua totalidade física e psíquica pertence a Deus.
- A constatação de que, apesar de Paracelso tender para uma concepção de unidade, subsistem na sua obra resíduos do pensamento tradicional dualista, com uma certa sobrevalorização da alma face ao corpo, considerada esta como a marca distintiva essencial do homem.
- A simultânea valorização do corpo como criação de Deus que não deve ser desprezada, e a tentativa de estabelecer correlações entre o terrestre e o eterno, afirmando que “o corpo e o espírito são uma coisa”.
- A Superação do Dualismo e a Unidade do Homem
- A interpretação de que as formulações de Paracelso sobre o esquema corpo-alma, apesar de antinomias não superadas, representam uma tentativa de manifestar um pensamento centrado na unidade do homem, tendência mais clara nos escritos tricotômicos onde a alma simboliza a predestinação e o cumprimento da existência humana.
- O destaque dado por vários estudiosos ao facto de Paracelso não ser dualista ou neoplatônico, tendo procurado superar oposições como perecível/eterno, Deus/natureza, espírito/carne, ao “casar” estas noções, tornando o homem uno na sua proveniência simultânea da natureza e de Deus.
- A referência à atitude positiva de Paracelso face ao matrimônio, visto como uma “graça de Deus”, contrariando a sobrevalorização dualista da virgindade.
- A Noção de Corpo e a Teoria do Limbo
- A definição do “corpo” como a face terrestre da vida humana, sujeita às leis da natureza, suporte e instrumento da alma, mas também trabalhado por forças misteriosas em relação com Deus.
- A exposição da teoria do limbo como central para compreender a participação do homem na matéria: o homem foi criado a partir do limbo visível, sendo um “extrato de todas as naturezas”, o que explica que as suas doenças possam ser curadas por aquilo de que é feito.
- A concepção do limbo como uma matéria nobre, representando uma clara rejeição do dualismo, associando especulações filosófico-científicas à ideia bíblica da Criação, e permitindo ao homem compreender o mundo que ele próprio porta dentro de si.
- Distinção entre Limbo e Limus Terrae e a Integração do Homem no Mundo
- A delimitação entre a noção de limbo (matéria original, comunicação com o mundo, representação do mundo dentro do homem) e a de limus terrae (matéria ainda informe, simples lodo ou pó).
- A identificação do limbo com uma forma de crescimento ou etapa de desenvolvimento ulterior do limus terrae.
- A extrapolação da ideia da participação do homem no mundo, segundo a qual todas as possibilidades existem no homem, cuja existência é vista como um processo dinâmico, podendo nele manifestar-se até a natureza do lobo, por exemplo.
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