SEGUNDA PENETRAÇÃO
HCLPM
Sobre a maneira como o ser engloba as coisas
A realidade do ser não engloba as coisas existentes da mesma maneira que o conceito do universal engloba as realidades parciais, pois o ser, em sua essência, não é gênero, nem espécie, nem acidente — uma vez que não é um universal natural.
- O englobamento do ser é um caso distinto de englobamento, que somente os gnósticos — “os que estão enraizados no Conhecimento” (3:5) — são capazes de compreender.
- Em certa escola de gnósticos, o ser é designado ora como o “Sopro do Misericordioso” (al-Nafas al-Rahmani), ora como “a Misericórdia que abraça todas as coisas” (7:155), ora como “o Deus pelo qual [ou do qual] é criada toda coisa.”
- Fala-se igualmente da expansão da luz do ser sobre os “templos” (hayakil) dos seres não necessários por si mesmos e sobre os receptáculos que são as quididades, bem como de sua descida nas moradas que são as ipseidades.
O ser — sendo por essência uma realidade individual e individualizada, determinada por si mesma — é também o que individualiza todas as quididades universais que existem por ele, e sua relação com essas quididades só se tornará plenamente compreensível em desenvolvimentos ulteriores.
- Na realidade exterior concreta, são as quididades que funcionam como predicados do ser.
- No pensamento e segundo a análise operada pelo intelecto, é o conceito do ser que lhes advém como se fosse um acidente.
A realidade do ser — embora individualizada por si mesma — comporta realidades diferenciadas em função da diferenciação das quididades contingentes, cada uma unida a um dos graus e a um dos planos do ser, com exceção da Existência divina primordial.
- A Existência divina primordial não comporta quididade, pois é o ato de ser em estado puro, do qual não se pode conceber nada mais completo, mais intenso nem mais perfeito.
- Nem generalidade nem particularidade se misturam ao seu ser; nenhuma definição o define; nenhum nome nem descrição o precisam; nenhum conhecimento o contém.
- O Corão é citado: “As faces se inclinam diante do Vivente, o Eterno” (20:110).
