ORDEM KOBRAVI
The Path of God's Bondsmen from Origin to Return. Tr. Hamid Algar. Caravan Books. Delmar, New York, 1982
O sufismo é apresentado como a dimensão interior do Islã, cujas origens são contemporâneas à própria religião islâmica, embora o termo “sufi” não existisse no Alcorão ou na época do Profeta Maomé.
- O surgimento do termo ocorreu durante os séculos II e III da era islâmica (VIII e IX da era cristã), em um processo paralelo e complementar ao estabelecimento da jurisprudência e das escolas de direito.
- No século VII da era islâmica (XIII da era cristã), houve um florescimento do sufismo, visto como uma compensação para os desastres políticos das invasões bárbaras (cruzadas no oeste e mongóis no leste).
A ordem Kobravi e seu fundador, Najm al-Din Kobra A ordem Kobravi foi fundada por Najm al-Din Kobra, nascido em 540/1145-1146 em Karazm, ao sul do Mar de Aral, onde passou a maior parte da vida e morreu durante a conquista mongol em 618/1221.
- Kobra reuniu rapidamente um grande número de seguidores em Karazm, incluindo muitos que se tornaram proeminentes como gnósticos e escritores sobre sufismo, sendo frequentemente designado na literatura tradicional como vali-tarāṣ, o “fabricante de santos”.
Os principais discípulos e a ênfase doutrinária de Najm al-Din Kobra Entre os principais discípulos de Kobra estavam Majd al-Din Bağdādī, Sa‘d al-Din Ḥamūya, Bābā Kamāl Jandī, Seyf al-Din Bākarzī, Rażī al-Din ‘Alī Lālā e o autor do livro, Najm al-Din Dāya Rāzī, que herdou e desenvolveu a análise da experiência visionária.
- A principal ênfase no ensino e na escrita de Kobra estava na análise da experiência visionária que se desdobra para o viajante no caminho sufi e na morfologia do ser interior do homem.
- Kobra examinou os significados diferenciados dos sonhos e visões, os graus da epifania luminosa manifestada ao místico, as várias classes de conceitos e imagens (kavāter) e a natureza do coração, do espírito e do “mistério” (centros sutis de cognição, latā’ef).
- Dāya, em particular, ampliou a terminologia e a classificação de seu mestre em um aspecto específico, contribuindo para a transmissão dessas ênfases analíticas.
A morte de Kobra e a continuidade da ordem após a invasão mongol Najm al-Din Kobra recusou um convite dos mongóis para deixar Karazm antes do massacre, morrendo em combate corpo a corpo à frente de um bando de seus seguidores, sendo enterrado no local de sua kānaqāh (hospício) fora da cidade.
- Vários discípulos perpetuaram sua linhagem, com Seyf al-Din Bakarzi estabelecendo uma kānaqāh bem dotada em Bokhara, onde o governante Berke Kān, da Horda de Ouro, proclamou sua aceitação do Islã.
- Outro discípulo, Sa‘d al-Din Ḥamūya, refugiou-se inicialmente na Síria, mas depois retornou ao leste, estabelecendo sua kānaqāh em Bahrābād no Khorasan, onde seu filho presidiu a conversão ao Islã do governante Ilkhanid Āzān Kān em 694/1295.
- O túmulo de Kobra, localizado no que se tornou conhecido como Kōhne-Ürgenj, tornou-se um centro de visitação piedosa e diz-se que reteve essa função mesmo sob o domínio soviético.
Desdobramentos posteriores da linhagem Kobravi: Ferdowsiya, Zahabiya e Nurbaksiya A linhagem Kobravi gerou diversos ramos, incluindo a Ferdowsiya na Índia (através de Badr al-Din Samarqandi), a Zahabiya no Irã (ainda existente de forma atenuada) e a Nurbaksiya, que abandonou o sunismo pelo xiismo.
- Badr al-Din Samarqandi, discípulo de Seyf al-Din Bakarzi, viajou para o sul e estabeleceu um ramo da Kobraviya na Índia conhecido como Ferdowsiya, cuja figura mais importante foi Ahmad Yahya Maneri (m. 772/1371), autor de uma célebre coleção de cartas sobre tópicos sufis.
- A linhagem mais duradoura e prolífica derivou de Kobra por meio de Rażī al-Din ‘Alī Lālā e ‘Alā al-Dowla Semnānī, resultando na Zahabiya, ainda encontrada no Irã, embora de forma muito atenuada.
- ‘Ali Hamadani, discípulo de seguidores de Semnani, introduziu a ordem Kobravi em Badakshan e Caxemira, e após sua morte, uma cisão gerou a Nurbaksiya e a Zahabiya, ambas abandonando o sunismo pelo xiismo em algum momento de sua história.
A natureza sunita da Kobraviya e sua importância duradoura Apesar da escolha posterior do xiismo por alguns ramos e de expressões de devoção aos Doze Imames nos escritos do próprio Kobra, a ordem Kobravi não pode ser considerada proto-xiita, pois floresceu por muitos séculos em ambientes estritamente sunitas.
- Sentimentos piedosos em relação à família do Profeta e aos Doze Imames são frequentemente encontrados em outras ordens sufis, inclusive naquelas de filiação militantemente sunita, como a Naqšbandīya.
- Evidências mostram que a Kobraviya floresceu em ambientes sunitas, com áreas de concentração como a pequena cidade de Sāktarī perto de Bokhara, cujos shaikhs produziram um importante corpus literário tardio Kobravi que persistiu até pelo menos o início do século XVII.
- No Afeganistão do final do século XIX, a figura de Mīān Faqīrollāh, um renomado santo Kobravi, e a transmissão da ordem para a Índia (frequentemente entrelaçada com outras ordens) e para a China (entre os muçulmanos de Kansu) atestam a ubiquidade de seus ramos.
- A importância da Kobraviya na história do sufismo deriva menos da sua longevidade do que da influência exercida por suas teorias analíticas e sua literatura, sendo o Mersād al-‘ebād, de Najm al-Din Dāya Rāzī, o escrito mais influente e amplamente lido de todos os escritos Kobravi.
