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ARMAS SIDERAIS

GRAAL E ALQUIMIA

PEDRAS DE VIRTUDE

  • Introdução do termo “virtude” em dois domínios convergentes da pesquisa
    • Uso da expressão “pedras de virtude” pelo autor da Segunda Continuação para designar a ornamentação do Graal
    • Aplicação do termo “virtude” às supostas propriedades mágicas de pedras preciosas segundo crenças antigas e medievais
  • Exemplo ilustrativo retirado do Perceval de Chrétien de Troyes: o Castelo da Maravilha
    • Descrição de um palácio onde nenhum cavaleiro pode permanecer são e salvo se for covarde ou portador de vícios
    • Especificação das qualidades necessárias do cavaleiro perfeito: sábio, generoso, sem cobiça, belo, nobre, ousado, leal
    • Simbolismo da porta com um batente de marfim e outro de ébano adornados com ouro e “pedras de virtude”
    • Separação do branco e do negro, luz e trevas, e da cavalaria verdadeira de toda usurpação
    • Ação mágica das gemas como olhos de uma Presença supra-humana escrutando a alma
    • Focalização de Forças sobrenaturais em harmonia com entidades siderais por um clérigo versado em astrologia

AS GEMAS E OS ASTROS

  • Questionamento sobre as pedras preciosas “de virtude” como transcrição mineral dos astros ou de suas Forças
    • Resposta da Queste através do conhecimento do rei Salomão sobre virtudes de pedras e curso do firmamento
    • Fabricação de um punho de espada com uma única pedra contendo todas as cores, cada uma com uma virtude particular
    • Sabedoria de Salomão abrangendo a força das pedras preciosas, virtudes das ervas, curso do firmamento e marcha das estrelas
    • Sinonimia entre “virtude” e “força” no contexto
  • Relação entre a ordem cósmica e as pedras preciosas no tratado De planctu naturae de Alain de Lille
    • Correspondência de doze gemas aos signos do zodíaco e sete aos planetas
    • Montagem de todas no diadema da Natureza como símbolo de harmonia cósmica
    • Relação macrocosmo-microcosmo atestada por um manuscrito da abadessa Herrade de Landsberg
    • Evocação do raio do Graal aumentando sete vezes a luminosidade e das palavras de Plotino sobre correspondência astral no ser
  • Identificação do Graal com o Xvarnah e sua transformação em pedra
    • Designação das pedras de virtude como “luz solidificada” segundo fórmula de Mircea Eliade para quartzos rituais xamânicos
  • Aplicação do termo “virtude” às plantas e qualificação da Força como “vital”
    • Menção ao corpo sutil como “corpo de vida”
    • Referência ao tratado De Virtutibus Lapidum de Arnoldus Saxo no Parzival de Wolfram von Eschenbach
    • Descrição da cama de Amfortas ornamentada com pedras que inspiram alegria, felicidade e cura
    • Prolongamento da vida de Amfortas pelos cavaleiros do Graal graças a estas pedras
    • Descrição da armadura de Feirefis com pedras de “merveilleux éclat” inspirando ardor e coragem
    • Associação da ciência das gemas com a dos astros personificada por Pitágoras

LES VERTUS GUERRIÈRES

  • Alteração das Forças ao se incorporarem a um ser humano
    • Redução de energia pura a “impressões”, “sensações”, “sentimentos”, “impulsos”, “desejos” ou “paixões”
    • Exemplo no Parzival de pedras suscitando sensações de alegria e felicidade
    • Forma mais involuída das sete Forças como traços caricaturais refletidos inversamente
    • Correspondência com os sete pecados capitais: Avareza-Saturno; Orgulho-Sol; Preguiça-Lua; Cólera-Marte; Inveja-Mercúrio; Gula-Júpiter; Luxúria-Vênus
  • Segundo sentido do termo “virtude” como virtudes cristãs combatendo os vícios (psicomaquia)
    • Representação em capitel romano da igreja Notre-Dame-du-Port de Clermont-Ferrand
    • Figuras femininas de capacete, com haubert, escudo, lança ou espada combatendo criaturas meio-humanas meio-animais
    • Evocação irresistível das valquírias segundo imagens dos Eddas
    • Transformação na escultura gótica em figuras femininas sentadas, sem armas, com emblemas simbólicos
    • Manutenção apenas da personificação da “Coragem” em cota de malha e capacete, com espada e leão no escudo

LE LION, LE CŒUR ET LE SOLEIL

  • Perpetuação da imagem de uma Força sobrenatural armada sob o signo do leão, emblema astrológico do coração
    • Sobre nome “Cœur de Lion” de Ricardo I Plantageneta e o cavaleiro Yvain
    • Passagem da Saga dos Hadingus sobre o combate a um leão e consumo de seu coração para obtenção de força nova
    • Simbolismo do monstro como guardião do limiar da transcendência e representação de desejos e paixões
    • O coração como lugar da transfiguração no contexto cristão segundo Marie-Madeleine Davy
  • Duplo simbolismo do leão na Queste: orgueil inspirado pelo Demônio e emblema de Cristo
    • O coração como morada do “Inimigo” (Diabo) e da Presença crística
    • Explicação de um sábio a Perceval sobre o sol (Cristo) abrasando o homem com o fogo do Espírito Santo
    • Referência astrológica com o sol no signo do leão associado ao coração
  • Confusão entre a figura feminina de uma virtude cristã e a Força irradiada pelo esplendor de uma gema
    • Exemplo da PACIÊNCIA comparada à esmeralda sempre verde no discurso de um prud'homme a Lancelot
    • Associação das virtudes a uma armadura como transcrição simbólica da corporalidade sutil

A ALMA DO CORAÇÃO

  • O coração como um dos sete centros de Força na tradição escandinava (hugr)
    • Designação do coração como sede da alma rather than componente anatómico (hjarta)
    • Hugr como coragem e alma do coração, alongside hamr e Fylgja na fisiologia sutil
  • Importância tradicional do coração como local de manifestação da Forma do corpo sutil e da Presença uraniana e divina
    • Afirmação do Veda sobre o Personagem no coração ser também o Personagem no sol
    • Colocação do sol crístico no coração na Queste
    • Ensino da alquimia sobre a Alma revestindo-se de um corpúsculo celestial infundindo-se primeiro no plano médio do coração
  • Simbolização da “alma do coração” pelo peitoral do Sumo Sacerdote hebraico com quatro fileiras de três pedras preciosas
    • Referência ao zodíaco e ao número sete
    • Identificação do Graal como copa (coração), “alma do coração” e centro sutil de difusão
    • Relação das pedras de virtude do Graal com o simbolismo uraniano das gemas do peitoral, da Jerusalém Celeste e do septenário sideral
  • Alusão ao septenário e significação do Graal como centro de Força do coração no Parzival de Wolfram
    • Apresentação do Graal como pedra preciosa de essência uraniana depositada por anjos
    • Descrição do cortejo do Graal com a portadora de rosto radiante e seis donzelas com luminares
    • Imposição do Graal como sétima luminária solar

AS QUATRO “ESCARBOUCLES”

  • Designação da pedra correspondente ao astro do sol por Alain de Lille: la escarboucle
    • Sinônimo medieval de gema vermelha (rubi ou granada) com propriedades maravilhosas
    • Etimologia latina carbunculus (brasa) evocando flamboyance
    • Propriedades de curar afecções oculares e irradiar luz como de dia
  • Descrição de um crucifixo adornado com escarboucles no Erec et Enide de Chrétien de Troyes
    • Comparação da claridade lançada à noite com o sol do amanhecer
  • Coroações de Erec e Enide com coroas “enluminadas” cada uma com quatro escarboucles
    • Sugestão de uma dignidade supra-humana, realeza “solar” ou “iluminação” do ser
    • Função das joias como auréola e “órgão-símbolo” revelador do centro coronal
  • Recorrência da imagem de quatro escarboucles em contos de Chrétien de Troyes associadas a provas rituais
    • Exemplos: fonte de Barenton com quatro rubis; Lit da Maravilha com uma escarboucle em cada coluna; coroas de Erec e Enide
    • Associação do número quatro aos quatro elementos (terra, água, fogo, ar) e centros de força correspondentes
    • Associação simbólica do coração ao sol e à escarboucle vermelha
  • Interpretação da escarboucle quadruplicada como irradiação do centro cardíaco aos três primeiros centros elementares
    • Interpretação dos transtornos atmosféricos da fonte perigosa como irrupção da Força vital nas quatro modalidades da matéria
    • Interpretação dos “goucés” (anões ou cães) suportando o Lit Périlleus como espíritos dos elementos ou guardiães do limiar
  • Passagem de Erec através de uma “barreira de ar” e confronto com um cavaleiro vermelho
    • Associação do ar ao centro cardíaco e do som do corno ao centro laríngeo
    • Recepção das coroas com escarboucles após a prova, sugerindo a inclusão do centro cardíaco na ascensão até o coronal

A PEDRA DO SOL

  • Documento escultórico do século XII no portal ocidental da catedral de Chartres: representação astrológica do signo de Gêmeos
    • Dois jovens em postura idêntica atrás de um grande escudo ornado de pedras preciosas no contorno
    • Umbo central facetado como gema com motivo heráldico de “raio de escarboucle”
    • Nomeação heráldica da parte central do brasão como “o coração”
  • Explicação do raio de escarboucle como armação dos Dioscuros (Castor e Pólux)
    • Referência à chama brilhante sobre suas cabeças durante a expedição argonáutica
    • Explicação naturalista como “fogo de Santelmo” e rapprochement com a descida do fogo divino em Pentecostes
    • Paralelo com a representação de Pentecostes no tímpano de Vézelay com raios emanados de Cristo
    • Identificação da escarboucle como pedra do sol, símbolo do Divino, e o raio como sol estilizado de oito raios
  • Relação entre o sol governando o coração na relação homem-cosmos e a fixação do coração no sol crístico na Queste
    • Evocação do flamboyance do Xvarnah e dos raios de Zeus
    • Personificação da dupla natureza humana (mortal e imortal) pelos Gêmeos
    • Extrapolação para outras imagens: Faraó e seu ka; guerreiro viking e sua Fylgja
    • Interpretação do cavaleiro como único mas duplicado pela radiância do “coração” do brasão ou de seu próprio coração
    • Referência da escarboucle à “alma do coração” (hugr ou Coragem como virtus) e ao Duplo como emanação
    • Associação ao símbolo solar do leão como Força situada no coração
    • Associação da imagem dos Dioscuros ao centro cardíaco e ao fogo de Santelmo (centro coronal)

O CETRO DE VIDA

  • Importância da esmeralda como gema complementar à pedra do sol
    • Simbolismo da paciência como virtude e constituição do perron da fonte de Barenton como esmeralda fenomenal
    • Restrição a algumas imagens de textos arturianos
  • Aparição de um cavaleiro verde féerico em romance do século XIV provavelmente baseado em modelo perdido
    • Relação da cor verde com a vida e fecundidade da vegetação segundo Jean Marx
    • Incarnação da Força vital e aparição entre trovões e tempestade perante a “Capela Verde”
  • Imagem do cetro recebido por Erec com pomo de esmeralda do tamanho de um punho
    • Representação de todas as espécies conhecidas de homens, aves, peixes e feras selvagens
    • Sugestão de domínio e embaraço total da manifestação vital
    • Identificação da haste do cetro com o Eixo do mundo
    • Reunião das mesmas gemas de Barenton (quatro escarbúnculas e esmeralda) na coroação de Erec
  • Imagem do aparato singular no castelo do Graal na Primeira Continuação
    • Fluxo de sangue da lança para um “orcel” (vaso) e através de um “tüel” (tubo) de ouro e conduto de esmeralda
    • Simbolismo da esmeralda como canal de difusão da Força vital
    • Associação do ka, Xvarnah ou hamingja com germinação e fecundidade do solo
    • Reverdecimento da “terra gaste” após as perguntas de Gauvain
    • Evocação dos nadis (canais) da tradição tântrica para irrigação do corpo sutil
  • Interpretação do castelo do Graal como projeção simbólica da “fisiologia mística”
    • Fórmula de Gilbert Durand sobre a casa como um vivente
    • Referência de Pierre Gallais a Hildegarda de Bingen sobre esquema corporal inscrito em geometria sagrada
    • Interpretação da sala quadrada do cortejo do Graal como peito e lareira central como coração
    • Caráter antropomórfico de toda construção tradicional segundo Mircea Eliade
  • Conclusão sobre a demeura do Graal, o próprio Graal e seus acessórios como imagens transcrevendo a corporalidade sutil
    • Existência de alusões semelhantes aos centros de Força e seu despertar no mundo mítico escandinavo
    • Transição para a análise da Segunda Continuação com referências ao norte
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