KhwN ou Ph.N ou P.N.
René-André Lombard. L'Enfant de la nuit d'orage.
Um vocábulo sagrado pré-indo-europeu KhwN ou Ph.N ou P.N.
Vocábulo do GRANDE GOLPE DESFERIDO, que FENDE EM DOIS.
O golpe de Relâmpago em sua simbólica paradoxal: Morte e fecundidade.
A decapitação da Cabeça-Lua, senhora da tempestade.
Um dos termos mais carregados de sexualidade mística.
Kh.Ns, Khons ou Khonsu, o poderoso deus de Karnak, figura paralela à de Ptah o genitor, apresenta-se também ele, dotado da lua cheia e da calota de invisibilidade, como o Passador do oceano das almas; mas, como Ptah, ele é o Deus-menino. Tal é ele representado em Karnak, estátua admirável, sob os traços de Tutancâmon, a criança com a trança, imagem da perpetuidade da transmissão da vida.
Kw.N traduz portanto o choque sexual de onde nasce a vida, o “golpe de relâmpago” (amor à primeira vista). Sob a forma do sexo feminino, Cuneus, cuna (latim), gonos (grego) sexo, ângulo, berço. Ele guarda sua forma Gwen, Gwyn em Celta e assume as formas Gam, Gen em grego e em latim Iphi - geneia (Ifigênia). Gamein (donde poli-game etc) e generare (donde en-gendrar, geração, etc). Ele se enfraquece em Ioni, sexo feminino, em sânscrito.
Como o mês Pa-Khons no Egito, um mês lunar Gaméliôn levava seu nome na Grécia, mês do casamento onde se celebravam as núpcias de Zeus o Trovejante com Hera.
O sufixo quin atual, derivado do germânico, traduz a filiação e a infância. Assim Harlequin pode ser sentido como “filho de Holle”, etimologia em visão aproximada. Se acomodarmos nossa vista a uma época mais distante, discerniremos Swar-KwN, que o aparenta a Héra-Klès (Héracles), Golpeador celeste, potência da Tempestade e da procriação.
Mas Pakhons, o mês de Khons, é também Perkuns, o Senhor da Tempestade lituano, que com um relâmpago decapitou a Cabeça-Lua. Percebe-se a unidade de todos esses termos? Perkuns, é também Pele-Kws:
Pelekus, a MACHADA SACRIFICIAL,
Kw.N, o MACHADO.
Vejam o que observamos sobre a “sabedoria do sílex”. O golpe de Relâmpago fecundante encontra seu símbolo no golpe de machado em “pedra de Relâmpago”. O Machado traduz perfeitamente o paradoxo Morte e Fecundidade. Desde que o metal seja inventado, o Machado-Duplo, símbolo ao mesmo tempo masculino e feminino, tornar-se-á a expressão mais perfeita do rito sacrificial de fecundidade e de sua ambivalência.
Kw.N, P.N. ou PH.N. , golpe de trovão da decapitação lunar é também o da decapitação ritual do sacrifício em vista da fecundidade: Phoneûô, eu abato, eu mato. Persi-Pni, Perséfone, a virgem, desce nove meses sob a terra com as constelações subzodiacais, em companhia dos mortos para reaparecer portadora do fruto cortado de grãos brilhantes, a Romã, Sidè a Plêiade, astro de renascimento.
Phôn o vocábulo dos heróis Matadores: Bellero-Phôn (Belerofonte), Ty-Phôn (Tifão), etc.
Phôn, vocábulo do Trovão e dos coros rituais: Phonos, a voz, o som, o sopro, Pneo.
Essa Cabeça-Lua senhora do Relâmpago, é também PAN, a Cabeça de Fera: Ora a Fera, em grego, se diz ther (fera em latim). Vê-se aparecer PANTHER, Pantera, Penteu, a besta ritual de Dionísio cuja Cabeça se golpeará? e todo o mito sacrificial de Penteu?
Assim PAN, golpe de Relâmpago aterrorizante, é também PAN, a Cabeça-Lua mortal e fecundante, que se vê surgir a noite e correr atrás da copa das árvores negras. Pavor “pânico”.
Os séculos passam. A agricultura é inventada. Os grupos humanos se sedentarizam e logo entram em conflito e se entre-exterminam para conservar os frutos de seu labor. Pan é masculino, como o patriarcado que se organiza: Penis, sexo masculino, penetrare, etc.
Ele não cessa, porém, de evocar a Cabeça-Lua: PENN, a cabeça (céltico).
Os sacrifícios mudam de modo. O assassinato ritual torna-se coletivo e se investe na guerra, enquanto os comportamentos religiosos se suavizam: a cabeça do humano disfarçado de fera que se cortava, em espelho das aventuras lunares no céu do ano, doravante cede lugar à oferenda-tipo dos agricultores. É a bolacha redonda, objeto da fervor geral:
PAN, o PÃO.
Por muito tempo esse Pão, loiro e redondo, catalisador da comunhão do grupo que reencontra nele suas forças físicas e morais como outrora na devoração da hóstia, a vítima, divinizada pelo ato ritual, permanecerá presente em toda celebração sagrada.
Ainda se encontravam recentemente na Grécia, formas em madeira esculpida, destinadas a imprimir sobre o pão redondo os signos tutelares. A Cabeça-Lua Pão e seus derivados, a Bolacha e o Croissant, eram ainda ontem “alimentos de reflexão”, símbolo da misteriosa passagem das forças da vida através dos corpos e das almas. E como tais, cercados de uma coloração particular, aquela que resulta de uma sacralização milenar.
Em algumas décadas, a galopada industrial e sua lavagem mental fizeram deles baguetes de amido passado ao forno, que as crianças jogam no lixo.
Nota: A evolução semântica que leva de Ph.N, sacrifício lunar, a PAN o pão, encontra-se idêntica na evolução do tema paralelo P.R.T ou P.R.Kw, vocábulo do Cortador de Cabeça-Lua, que resulta em Brot, Bread (germânico), o Pão.
