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vedanta:deutsch:1985:7

7 Ética

DEUTSCH, Eliot. Advaita Vedānta: a philosophical reconstruction. Pbk. ed ed. Honolulu: East-West Center Press, 1985.

1. A crítica de que o Advaita Vedānta negligencia a moralidade possui fundamento quando a ética é compreendida como investigação autônoma e rigorosa dos valores, da justificação dos juízos, dos conceitos morais e das formas concretas de conduta, porque essa tradição não formula nem responde sistematicamente a muitas das questões consideradas fundamentais pela filosofia moral ocidental.

2. A ausência de uma investigação ética separada decorre, em primeiro lugar, da presença constitutiva dos valores em toda a análise ontológica e epistemológica do Advaita, pois tanto a distinção entre ordens de ser quanto a hierarquia dos estados de consciência e dos meios de conhecimento dependem de critérios valorativos que orientam a passagem ao conhecimento supremo.

3. A recusa de uma moralidade absoluta decorre também da compreensão de Brahman como unidade que transcende todas as distinções, inclusive entre virtude e vício, de modo que o ser humano, essencialmente não diferente do Absoluto, ultrapassa em sua realização última as leis, os princípios e os deveres morais, cuja significação espiritual duradoura reside na qualidade do ser realizado.

4. A transcendência última das distinções morais não elimina sua validade nos níveis condicionados da experiência, porque aquele que ainda não realizou o Si mesmo permanece sujeito às consequências de suas ações e precisa orientar seu julgamento por uma escala de valores.

5. O critério fundamental de avaliação moral distingue como bons os atos, desejos e pensamentos que conduzem à realização do Si mesmo e como maus aqueles que, voltados à satisfação egoísta, impedem essa realização, contrapondo o bem como sabedoria espiritual e conhecimento do real ao agradável como gratificação sensorial e satisfação do ego.

6. As atividades mentais, verbais e físicas do indivíduo não realizado permanecem enraizadas no desejo de prazer, mesmo quando parecem nobres ou altruístas, e somente adquirem justificação moral ao serem transformadas e dirigidas à realização do Si mesmo, que constitui o fim supremo capaz de justificar os meios no interior desse critério espiritual.

7. A orientação para a realização espiritual não dispensa o cultivo da verdade, da retidão, da compaixão, da caridade, do domínio de si e da não violência, porque essas virtudes podem preparar e sustentar o conhecimento libertador, embora não constituam por si mesmas a finalidade última.

8. A pessoa realizada ultrapassa a aplicação dos juízos morais fenomênicos, mas essa condição não implica a possibilidade efetiva de qualquer conduta, porque ações fundadas no egoísmo, na autoafirmação e na identificação com o corpo ou a mente pressupõem uma ignorância incompatível com a realização do Si mesmo.

9. A ausência de egoísmo constitui a qualidade fundamental da ação e se manifesta positivamente como amor, entendido como encontro com o outro na profundidade do ser e reconhecimento de sua não diferença essencial, de modo que o conhecimento dessa unidade se expressa em todas as ações.

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