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Simbolismo (Peradejordi)

Excertos de estudo de Jaime Cobreros e Juli Peradejordi

Um símbolo não é uma alegoria ou uma metáfora, quer dizer, não é uma ficção que dá a entender exclusivamente uma coisa expressando outra diferente.

Um símbolo não é um signo ou uma mera convenção; quer dizer, não expressa um significado previamente conveniado.

Um símbolo é, segundo a definição menos restrita, um estímulo capaz de trasladar a quem o recebe do plano fenomenológico e existencial ao do absoluto e inamovível.

O símbolo abre o campo da consciência fazendo perceber todos os aspectos da realidade: o sensível e o valado, o manifesto e o oculto, o consciente e o inconsciente.

O símbolo atua abrindo o consciente mais imediato e, ao mesmo tempo, fazendo emergir até a superfície da consciência elementos inconscientes por associação e encadeamento espontâneo de emoções, imagens, recordações e pulsações, concatenando assim uma reserva de significados.

Ao despertar tanto nosso consciente como nosso inconsciente, o símbolo nos revela a nós mesmos, pondo a cada um frente a seu “outro”.

O símbolo dá uma visão global da realidade já que religa os diferentes níveis da consciência individual e coletiva.

Ao informar sobre a globalidade, o símbolo é um meio privilegiado para comunicar ideias de ordem metafísica que informam sobre o Princípio.

Etimologicamente, “símbolo” (do grego, syn e tobalein) significa “ir juntos”, “arrojar-se juntos”, indicando tanto o despertar conjunto do consciente e do inconsciente pela ação simbólica, como a simbiose imprescindível para que dita ação se ativa entre o objeto que estimula (a figuração, se se trata de um símbolo plástico) e o sujeito receptor do estímulo.

A significação simbólica será sempre polivalente tanto por informar distintos planos em cada sujeito , como pela variabilidade dos mesmos sujeitos receptores da ação simbólica.

O símbolo requer tanto o objeto estimulante como do sujeito estimulado e ao ser este variável para cada símbolo, ao não haver duas pessoas iguais o conteúdo simbólico será sempre superior ao continente.

O símbolo reúne a manifestação de quem o emite e a percepção de quem o recebe, constituindo em tudo uma expressão sintética, seja esta verbal, plástica ou musical.

O meio social, técnico e intelectual está logrando as anestesia do sentido simbólico ao impôr a primazia das aparências, do imediato, da abstração, do racionalismo, da conceitualização, e do convencional. O grande desafio do espírito moderno, se quer recuperar seu equilíbrio, é reconquistar a linguagem multidimensional do símbolo.

Os símbolos não têm “chaves” interpretativas. Intentar entender mediate elas os estímulos simbólicos seria puro reducionismo ao fazer passar por um esquema preconcebido a totalidade do conteúdo simbólico. Daí que não se pode nem se deva sistematizar os símbolos.

O estudo sobre determinado símbolo porá em evidência a universalidade de distintas formas e a possível convergência dessas mesmas formas com tal ou tal significação simbólica, sem poder ir mais longe nas precisões já que em toda percepção simbólica entra sempre um elemento subjetivo que fará que cada qual perceba um símbolo a seu modo.

A porosidade para com os símbolos requer uma atitude ativa e um trabalho individual e constante com eles que jamais deve cessar. É o único modo de aumentar em amplitude e profundidade sua captação, assim como de preservar-se das contingências externas dissipadoras que oferece a sociedade de um modo cada dia mais persuasivo.

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