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SCHWALLER DE LUBICZ

René Adolphe Schwaller de Lubicz (1887-1961)

Juntamente com sua esposa Isha empreendeu um aprofundado estudo da antiga tradição egípcia de onde veio a publicar livros que se consagraram, como seu estudo sobre o Templo egípcio em suas correspondências analógicas com o Homem.

Isha Schwaller de Lubicz, em Aor — sa vie — son œuvre (La Colombe, 1963), é pouco prolixa sobre os inícios da vida daquele que viria a ser o seu companheiro, e depois seu marido em 1927. Por outro lado, os arquivos de N. Beauduin contêm muitas informações sobre René Schwaller. Alsaciano de origem, filho de farmacêutico, gozava de uma forte inteligência voltada tanto para a ciência quanto para o esoterismo. Ingressou na S.T. (Sociedade Teosófica) em 1913 e inclusive geria a livraria de lá. Um testemunho oral afirma que ele trabalhava para Louis Allainguillaume, que estava à frente de um importante negócio de importação-exportação em Caen. Ele ajudou este último com os seus conselhos judiciosos a expandir os seus negócios; isto explicaria por que René Schwaller beneficiou de ajuda financeira do seu amigo durante toda a sua vida. Em torno de René Schwaller gravitava todo um grupo vindo de Caen que ele reunia na Sociedade Teosófica a partir de 1917. Pode-se supor que muito rapidamente ele fez parte dos círculos mais fechados da referida Sociedade. O Theosophe anuncia no n° 94 (16 de outubro de 1913) 'que se assegurou a colaboração de René Schwaller que, numa série de artigos, tratará em nossas colunas da Ciência do ponto de vista teosófico. Ele se coloca à disposição de todos os leitores que tiverem objeções a formular', assinado A Direção. De facto, no n° 96 do Theosophe (16 de novembro de 1913) ele questiona-se sobre La Valeur de la Science: da luz, da eletricidade e do magnetismo. A sua reflexão irá incidir sobre os fenómenos científicos, apoiando-se não apenas na sua análise e síntese, mas também em certos textos, testemunhas de uma velha tradição rejeitada por Lavoisier. O pensamento alquímico não está longe. Ele o aborda nos números 97, 98. A sua reflexão filosófico-científica baseia-se em outras fontes que não as prodigalizadas pela S.T. Não se deve esquecer que existia no final do século uma associação de alquimistas de tendência espagírica com uma revista L'Hyperchimie, dirigida por Jolivet-Castelot. Foram contados dezesseis artigos no Le Theosophe assinados por René Schwaller. Seria muito interessante empreender a análise desses artigos. Tal não é o objetivo aqui. Se R.S. teve alguns dissabores com o pensamento teosófico, ele fará emenda honrosa no número 100 ao escrever: 'Todas estas questões científicas têm naturalmente a sua resposta num livro único que se chama A Doutrina Secreta. Só que é preciso saber ler este monumento edificado para um pequeno número (…) Somos estudantes em teosofia (…)' Em 1915, R. Schwaller (conhece-se apenas a edição de 1918), publica uma brochura sobre os Nombres. Milosz entusiasma-se com este assunto. Pode-se supor que foi neste momento que se estabeleceram contatos entre os dois homens. Uma incontestável amizade os uniu. Mobilizado durante a Grande Guerra, inicialmente como macaqueiro, R.S., segundo Isha S., foi enviado como químico à fábrica de gás de Sarcelles para realizar análises para o exército. Foi neste local que ele encontrou eminentes cientistas em 1917. As cartas de R.S. em nossa posse permitem afirmar que é nesta data que ele irá considerar a criação de grupos que teriam por objetivo uma reestruturação da sociedade exausta por quatro anos de guerra. Criadas as fraternidades, R.S. teve de prestar a Milosz por volta de 1918 um eminente serviço de ordem política. É por esta razão que o futuro diplomata recebeu no clã dos Lubicz o seu amigo e lhe permitiu usar este nome adicionado ao seu. As concepções sociais e iniciáticas do grupo, incompreendidas pela imprensa, as críticas zombeteiras decidiram R.S. a interromper bruscamente em 1921 a ação empreendida. Por volta de 1923, a sua abordagem torna-se mais confidencial. Ele funda uma espécie de monastério onde muitos artesãos podiam expressar-se. A experiência durou alguns anos. Milosz conserva sempre o seu afeto por R.S., já que a 18 de agosto de 1924, por carta, ele lhe anuncia a sua decisão de se afastar da ribalta política: 'Isto é mais digno do Príncipe e do Mestre que sou. A salvação dos destinos como o meu reside na humildade.' Ele pede ao seu interlocutor para lhe recordar 'os nossos'. Ele assina 'Teu devotado Príncipe de Lusace'. R.S. afirma que viu Milosz pela última vez em 1929. Nesta época, o poeta optou definitivamente por um catolicismo intransigente e abandonou a via iniciática. Por outro lado, o destino de R.S. deveria levá-lo a deixar a França uma primeira vez para classificar arquivos em Maiorca e uma segunda vez para o Egito a fim de retomar contacto com as fontes diretas do Hermetismo, levantando as medições dos templos de Luxor e analisando os hieróglifos. Os caminhos destes dois homens tinham então divergido radicalmente.


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