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CENTROS DE FORÇA E A FORMA

GRAAL E ALQUIMIA

AS SETE FORÇAS PRIMORDIAIS

  • Aparição de imagens evocativas de sete Forças primordiais constitutivas do universo e do homem em diversas tradições
    • Alusão a estas Forças ou à sua ativação através de diversos ritos e constelação de mitos
    • Exemplos: acendimento do candelabro de sete braços entre os Hebreus; as “sete lâmpadas ardentes” como “sete Espíritos de Deus” no Apocalipse de João; o Cordeiro com sete chifres e sete olhos simbolizando “os sete Espíritos de Deus”
  • Poder criador e organizador das sete Forças, com capacidade de dissociação e cataclismo
    • Abertura dos sete selos do Livro e sonoridade das sete trombetas no Apocalipse acompanhadas de transtornos planetários e cósmicos
  • Representação das sete Forças através da escada de sete degraus na iniciação mitraica
    • Associação de cada degrau a um metal e a um planeta conhecido dos antigos
    • Relação com os dias da semana sob invocação desses astros
  • Presidência de uma Heptade divina na criação no Mazdeísmo iraniano
    • Aparição do deus do raio Batradz como criança de aço incandescente entre os Ossetas do Cáucaso
    • Mergulho em sete caldeirões para refrigeração e têmpera
  • Auto-proclamação de Odin como sedutor de sete irmãs no mundo escandinavo
    • Alusão ao domínio de uma modalidade séptupla da matéria
  • Manifestação da imagem de uma força séptupla intermédia através do arco-íris
    • Evocação de sete raios superpostos e sete anéis ou rodas concêntricas
    • Função como ponte e via triunfal para heróis destinados à esfera divina
  • Compreensão da linguagem de sete passarinhos por Sigurd após matar o dragão Fafnir, símbolo do “eu”
    • Prodigalização de sábios conselhos por estas aves como manifestação de uma Presença ouraniana séptupla
  • Multiplicação simbólica do sete na pessoa do herói Cuchulain na tradição celta irlandesa
    • Singularidades fisiológicas: sete dedos em cada mão; sete pupilas em cada olho com sete pedras preciosas em cada uma
    • Indicação da capacidade de ver as cintilações da força séptupla figurada por minerais em sete planos diferentes
  • Carácter alusivo das imagens ocidentais sobre os centros de Força em comparação com a tradição oriental
    • Necessidade de captar imagens alusivas a uma força séptupla illuminante mas perigosa
  • Exemplos de manifestação perigosa da força séptupla no mundo arturiano
    • Apreensão do cavaleiro Moyset por sete mãos de fogo ao sentar-se no “trono perigoso”
    • Descrição da fonte de Barenton com perol de esmeralda e quatro rubis no Yvain de Chrétien de Troyes
    • Desencadeamento de uma tempestade inaudita com catorze relâmpagos ao verter água no perol
  • Eco alquímico das fontes perigosas imageando o jorro brutal da Força vital universal
    • Advertência de Bernardo de Treviso sobre o poder temível de uma tal fonte
  • Alusão ao septenário na Queste através do raio de sol sobrenatural precedendo a aparição do Graal
    • Iluminação dos cavaleiros arturianos “como se fossem illuminados pela graça do Espírito Santo”
  • Simbolismo da Távola Redonda como representação do mundo governado por uma brilhância ouraniana séptupla
    • Estabelecimento segundo os conselhos de Merlin para significar a redondeza do mundo e o curso dos planetas
    • Associação do nome Arthur às constelações da Ursa Maior e Ursa Menor com sete estrelas cada

OS QUATRO ELEMENTOS E OS CENTROS DE FORÇA

  • Localização precisa dos sete centros de Força no esquema corporal pela tradição oriental
    • Designação de chakram como rodas de luz ou lótus no tantrismo indiano
    • Abertura através de uma ascese apropriada permitindo a passagem da condição humana ao estado divino
  • Correspondência dos quatro elementos com os quatro primeiros centros
    • Centro da base da coluna vertebral associado à terra (elemento mais denso e pesado)
    • Centro do plexo sacro associado à água (elemento mais fluido e difícil de reter)
    • Centro da região umbilical associado ao fogo (elemento mais inapreensível que a água)
    • Centro do coração associado ao ar (elemento impalpável por excelência)
  • Existência de três centros adicionais correspondendo a estados supra-sensíveis
    • Centro laríngeo como sede do elemento “éter” (quintessência e origem dos outros quatro)
    • Centro frontal (plexo cavernoso) como “terceiro olho” dos Iluminados e divindades orientais
    • Manifestação da matéria como Prakriti (substância primordial) e seus derivados buddhi (intelecto) e manas (sentido interior)
    • Centro coronal no topo do crâne como manifestação da transcendência do ser e transmutação em Presença divina
  • Alusão a este centro de Força através das auréolas dos santos e da manifestação do Espírito Santo em Pentecostes
    • Evocação por acessórios emblemáticos como a coroa “radial” dos príncipes da Grécia antiga
    • Manifestação da potência sobrenatural ouraniana e solar através de elmos com penachos, asas ou chifres
    • Classificação isotópica do elmo no Regime Diurno e simbolismo do céu luminoso segundo G. Durand

“A LUA DO HERÓI”

  • Alusão aos centros de Força como “órgãos-símbolos” da corporalidade sutil em mitos pagãos e literatura arturiana
    • Jorro da “lua do herói” da testa de Cuchulain durante a investida da força flamboyante
    • Descrição desta emanação lumínica como “espessa como uma pedra de amolar”
    • Rapprochement de J. Markale com o terceiro olho
  • Poder da Força vital ou ka de investir um objeto no antigo Egito
    • Apresentação do objeto valorizado como símbolo como suporte ativo transmissor de uma Força
    • Suscitação da Forme e da Força no observador pela forma do objeto
  • Poder sobrenatural de objetos ou instrumentos sagrados “habitados” nos mitos
    • Exemplos: a Lia Fáil ou Pedra de Soberania da Irlanda com “coração e alma”; a espada de Ogma dotada de palavra; Excalibur como “ser animado”
    • Suporte da Hamingja escandinava em objetos como uma lança ou um manto
  • Significado preciso da imagem da pedra de amolar na tradição escandinava
    • Ato ritual de Odin lançando uma pedra de amolar ao ar antes de suas metamorfoses
    • Fragmento de pedra de amolar alojado no crânio de Thor após combate com o gigante Hrungnir
    • Cabeça-espada do deus Heimdal (“Luz do Mundo”) como “órgão-símbolo” typificante
  • Descoberta arqueológica do cetro de Sutton-Hoo como pedra de amolar com quatro cabeças esculpidas
    • Indicação de um rapporto entre esta parte do corpo multiplicada e a especificidade da pedra
    • Concretização de um “órgão-símbolo” animando o corpo sutil e ativando mudanças de Forma
  • Elemento complementar da decapitação fictícia de Cuchulain no Festin de Bricriu
    • Afiação do machado do gigante com “ruído de trovão”
    • Associação histórica do machado ao raio e ao fogo ouraniano
  • Interpretação da superimposição da imagem da pedra de amolar à lua frontal do herói
    • Significação da mudança da “lua” em instrumento evocador de lâminas afiadas e brilhantes
    • Assimilação do mental a um objeto duro e indissociável da arma rather than astro feminino fluctuante
    • Compreensão do fragmento de pedra no crânio de Thor como sinal definitivo de sua valentia
  • Inclusão da pedra de amolar entre os Objetos Maravilhosos do “Tesouro da Bretanha”
    • Identificação com a Lia Fáil e transformação no Graal-pedra no Parzival de Wolfram von Eschenbach
    • Manutenção da significância essencial concomitante ao caldeirão de ressurreição
  • Faculdade de mudar de aspecto e forma dos Objetos Maravilhosos e seus habitantes
    • Menção de um “vestuário” e um “manto” parallel ao significado de hamr escandinavo
    • Transição natural para a capacidade de metamorfose atribuída ao Graal nos textos

“INÚMERAS APARÊNCIAS”

  • Imaginação do Graal como “tigela ou prato fundo” de ouro e pedrarias reluzentes
    • Vaguidão das palavras descritivas permitindo livre curso à imaginação do leitor
  • Mudança do Graal em “várias aparências” conforme as circunstâncias
    • Exemplos: tigela onde Jesus comeu o Cordeiro; Cálice da primeira missa; Cibório com a Hóstia santa
    • Diferenciação das representações do Graal nas miniaturas dos manuscritos arturianos
  • Importância secundária da forma do objeto em relação à manifestação de uma Presença
    • Abolição do continente pelo conteúdo revelando a essência do Graal
    • Descrições da luz emanada: “grande esplendor” em Chrétien; “chama vermelha” em Wauchier; raio de sol sobrenatural na Queste
  • Significado medieval do termo semblante como “aparência” e “aparição”
    • Expressão perfeita da manifestação do receptáculo augusto como aparição sobrenatural
    • Modificação da aparência do Graal para se diversificar conforme as circunstâncias
  • Manifestação do Graal em cinco aparências no romance Perlesvaus durante o mistério da missa
    • Reserva do segredo destas “coisas secretas dos sacramentos”
    • Proibição de revelar o conteúdo do Graal após aparição noturna na floresta
  • Identificação do poder do Graal com “a graça do Espírito Santo” na Queste (Demanda)
    • Manutenção dos caracteres primitivos emprestados à mitologia indo-europeia mais antiga
  • Reconhecimento de um carisma luminoso análogo ao Xvarnah do Mazdeísmo iraniano
    • Observação da ausência de forma específica descrita tanto para o Xvarnah quanto para o Santo Graal
    • Assunção de formas de manifestação semelhantes: vaso, copa, tigela, pedra, lança, chama
  • Descrição da primeira aparência do Graal no castelo do Rei Pescador por Chrétien de Troyes
    • Emanação de uma claridade tão grande que faz perder o esplendor das velas
    • Comparação com o levantar do sol fazendo perder o brilho das estrelas e da lua
    • Confecção em ouro puríssimo com pedras preciosas das mais ricas e raras
    • Associação da luz do Graal à imagem do sol e coalescência com o esplendor das gemas
  • Menção de pedras “de virtude” adornando o Graal na Segunda Continuação
    • Interrogação sobre o mistério escondido sob esta fórmula medieval
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