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5 Fantasia

FLIEGER, Verlyn. Splintered Light: Logos and Language in Tolkien's World. Grand Rapids: Eerdmans, 1983. (Edição revista e ampliada: Kent: Kent State University Press, 2002).

5. Fantasia e fenômenos

1. A criação humana continua a operar segundo a lei na qual a própria humanidade foi criada.

2. A fantasia e os fenômenos relacionam-se às aparências e à percepção, mas, enquanto os fenômenos do Mundo Primário são revelados pela luz e fixados conceitualmente pelas palavras, as aparências do Mundo Secundário são construídas pela linguagem mediante a atividade imaginativa.

3. A origem grega dos termos fenômeno e fantasia distingue o aparecer do tornar visível, mas sua derivação de um verbo anterior ligado ao mostrar sugere uma unidade conceitual mais antiga, cuja diferenciação exemplifica a fragmentação semântica descrita por Barfield.

4. A raiz indo-europeia associada ao brilho aproxima originalmente fenômeno e fantasia da luz, permitindo supor uma etapa da linguagem em que as aparências percebidas e aquelas tornadas visíveis pela imaginação eram menos nitidamente separadas.

5. A identidade sonora entre raízes indo-europeias relacionadas ao brilhar e ao falar permite conjecturar, sem demonstrá-la, uma antiga ligação semântica entre luz e palavra, ambas capazes de revelar aparências e de constituir instrumentos e expressões da percepção humana.

6. A luz e a palavra podem funcionar como instrumentos da subcriação, mas a imagem do ser humano como prisma que fragmenta a luz branca amplia essa concepção e aproxima a diferenciação das cores da divisão da percepção originária em conceitos e palavras, fazendo da fantasia um meio de manifestar parcelas da verdade primordial.

7. A origem divina da humanidade, da luz e da verdade confere à subcriação uma finalidade religiosa, pois a refração humana da luz e da palavra produz mundos imaginários que refletem a criação e participam do propósito de Deus.

8. A capacidade criadora pode ser redimida e colaborar no desdobramento e no enriquecimento da criação, permitindo conceber uma realização final das narrativas que preserve e transforme suas formas atuais, em afinidade com a investigação de Barfield sobre a função da fragmentação dos significados.

9. A Palavra constitui o instrumento da criação, enquanto as palavras humanas tanto registram e aprofundam a separação entre humanidade, Deus e universo quanto oferecem meios de superá-la, cabendo ao poeta recriar significados e percepções para restabelecer conscientemente essa relação.

10. Não existem evidências específicas de que Tolkien tenha conhecido outras obras de Barfield além de Dicção poética, mas a continuidade das ideias desenvolvidas posteriormente e a formação intelectual de Tolkien tornam esse contato suficiente para explicar sua afinidade com a teoria.

11. Também não há comprovação de um debate direto entre Tolkien e Barfield sobre essas concepções, embora seus interesses comuns e suas atitudes semelhantes diante da linguagem indiquem uma proximidade intelectual e uma convergência em grande medida independente sobre o desenvolvimento humano e linguístico.

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