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HÁLITOS DA INTIMIDADE

JHI

Trata-se de um vasto tratado hagiográfico no qual são descritas as vidas e as sentenças de mais de 600 sufistas. Para sua redação, Jâmî baseou-se em duas obras homônimas anteriores: as Tabaqât as-Sûfiyyah (As Classes dos Sufistas) de Sulamî (em árabe) e de Ansârî (em um antigo dialeto persa de Herât). A obra, como o próprio Jâmî declara, germinou em sua mente durante anos sem que ele conseguisse levá-la a bom termo devido a suas outras ocupações, até que, em 1477, e graças a ‘Alî Shîr Nawâ’î, ele conseguiu realizá-la.

Esta obra pertence a um gênero muito cultivado, gênero que produziu títulos tão famosos como a Tadhkirat al-Awliyâ’ de ‘Attâr ou as Tabaqât al-Kubrâ de ash-Sha’rânî, mas ela passou a ser uma das mais utilizadas como referência e é citada com muita frequência pelos próprios autores sufistas.

Ora, aqui nos ocupamos apenas do Prólogo desta obra, que constitui uma espécie de introdução geral ao sufismo, pois trata de algumas das questões mais características deste. Nele não se expõe explicitamente a doutrina metafísica, salvo incidentalmente, nem tampouco o aspecto puramente «técnico» do Caminho, questões essas que ele trata em outras de suas obras, mas sim os grandes temas que preocupavam então os próprios sufistas e que eram objeto de suas obras e de suas controvérsias. Nesse sentido, pode-se dizer que, pelo seu teor geral, este Prólogo é “clássico”, ou seja, assemelha-se muito mais, no que diz respeito à apresentação e ao tratamento dos temas, e inclusive pela seleção dos mesmos, aos tratados de sufis famosos anteriores a Jâmî, do que a outras obras dele próprio ou de autores posteriores. Exceto a primeira frase, que serve de Introdução e que é estritamente análoga ao que é comum nos Lawâ’ih, todo o restante lembra muito mais os primeiros tratados de sufismo. Aqui, a referência a Ibn ‘Arabî é menor, e suas principais fontes são o ‘Awârif al-Ma’ârif de ‘Umar as-Suhrawardî, o Kashf al-Mahjûb de al-Hujwîrî e a famosa Risâlah de Qushayrî, obras as três de ampla repercussão no mundo sufi. Ele cita igualmente outros autores, como, por exemplo, Junayd e Tirmidhî, para citar dois dos mais significativos, e, nesse sentido, pode-se dizer que as referências abrangem todo o espectro da tradição sufista.

Este Prólogo de Jâmî cumpre também, em parte, a função de léxico técnico dos termos sufistas. A preocupação em esclarecer, perante o quadro exotérico, o sentido dos termos que utilizavam, levou os sufistas a compor alguns léxicos técnicos (Istilâhât) nos quais definiam tanto seus termos exclusivos quanto aqueles que, embora fossem comuns à tradição exotérica, assumiam entre eles um significado particular. Entre esse tipo de obras, destacam-se o Istilâhât as-Sûfiyyah de ‘Abd ar-Razzâq al-Qâshânî e o Ta’rifât de ‘Alî ibn Muhammad as-Sayyid al-Jurjânî, e, mais recentemente, o Mi’râj at-Tashawwuf ilâ haqâ’iq at-Tasawwuf de Ahmad Ibn ‘Ajîba14. Mas aqui Jâmî não se limita a definições, mas, nos conceitos-chave, desenvolve toda uma explicação detalhada.

Para nós, este Prólogo constitui, portanto, em sua brevidade, uma boa síntese inicial para o estudo do sufismo em seus grandes temas, e evita consultas mais numerosas. O fato de o considerarmos útil, portanto, como uma introdução ao sufismo (embora não deva necessariamente ser visto dessa forma), nos levou a acompanhá-lo com várias notas, nas quais tentamos esclarecer a maioria dos termos que nele aparecem, a fim de facilitar a tarefa àqueles que realmente abordarem esta obra sem conhecimentos prévios sobre o tema. (Trechos da tradução anotada de Jordi Quingles)

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