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MOMENTO PRESENTE

JLMA

Fala-se do «momento» para designar aquilo em que o servo se encontra atualmente: constrição (qabd) ou expansão (bast), tristeza (huzn) ou alegria (surur).

Segundo Abu 'Ali al-Daqqaq, “o momento é aquilo em que você se encontra atualmente: se você está neste mundo, seu momento é este mundo (al-dunya); se você está no Além, seu momento é o Além (al-uqba)”. Ele quer dizer com isso que o momento é o que predomina no homem.

Alguns entendem por isso o tempo (al-zaman) situado entre o passado e o futuro. Diz-se que “o sufi é filho de seu momento”, ou seja, ele se ocupa do que lhe cabe no imediato; ele não se preocupa com o futuro ou com o passado, mas o que lhe importa é sua situação atual.

Cada “momento” possui sua conveniência (adab) e esta deve ser respeitada. Quem quer que viole essa conveniência, o tempo o rejeita. Por isso, pode-se dizer que o momento é como uma espada: quem o trata com delicadeza permanece ileso, mas quem o trata com dureza é quebrado. Tratá-lo com delicadeza é respeitar sua conveniência.

Assim, o momento em que se faz sentir o rigor do decreto divino (waqt al-qahriyya) tem como conveniência a satisfação e a submissão diante da inevitabilidade do destino. O momento em que se desfruta da bênção tem como conveniência a gratidão. O momento em que se demonstra obediência (ta a) tem como conveniência a consciência de que o ato de obedecer é uma graça divina (shuhud al-minna min Allah). O momento em que se demonstra desobediência (ma'siyya) tem como conveniência o arrependimento (tawba) e a conversão (inaba).

Em Iqaz (pp. 357-360), ao comentar esta sentença de Ibn 'Ata Allah: «As prescrições que devem ser cumpridas em momentos determinados (huquq fi'l-awqat) podem ser recuperadas; mas os direitos do momento (huqüq al-awqât) não podem ser recuperados», Ibn 'Ajiba cita o seguinte ensinamento de Abu'l-'Abbas al-Mursi, no qual ele evidentemente se inspirou aqui: «Existem para o servo quatro momentos, nem um a mais: a benção e a provação, a obediência e a desobediência; e Deus possui, em cada um desses momentos, um direito sobre Seu servo; na bênção, esse direito é a gratidão; na provação, a perseverança; na obediência, a consciência da graça; e na desobediência, a contrição (laja) e o arrependimento, bem como o pedido sincero de absolvição (iqala).»

Qushayrl (Risala, p. 43) também faz do waqt, o instante qualitativo, o primeiro termo da progressão: waqt, hal (50) e nafas (123, ver), dizendo que os «momentos» são para os «companheiros dos corações» (ashab al-qulub), os estados (ahwal) para os «senhores dos espíritos» (arbab al-arwah) e os «sopros» (anfas) para as «pessoas dos segredos íntimos» (ahl al-sara'ir). O waqt é relacionado ao coração porque é a «vigilância do coração» (muraqaba) que nos faz tomar consciência de que Deus está «todos os dias (= a cada instante) presente» (Alcorão, LV, 29), informado de tudo e que podemos, a qualquer momento, entrar em contato com Ele por meio de uma atitude adequada (adab).

Sobre o conceito de waqt, cf. Massignon: «O tempo no pensamento islâmico» em Eranos Jahrbuch, 1959 (onde também são analisados hal, 50 e wajd, 91).

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