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mitologia:campbell:heros-gilgamesh

Gilgamesh

CAMPBELL, Joseph. Le Héros aux mille et un visages. Paris: Éditions Oxus, 2010

  • A mais importante lenda mesopotâmica pré-bíblica da busca pelo elixir é a de Gilgamesh, rei lendário da cidade sumériana de Erech (Uruk), que empreendeu a jornada em busca da planta da imortalidade chamada A Nunca Envelhecer.
    • Gilgamesh passou ileso diante dos leões que defendem os contrafortes e dos homens-escorpião que vigiam as montanhas que sustentam o céu
    • Chegou a um jardim de delícias cercado de montanhas e repleto de flores, frutos e pedras preciosas
    • Prosseguindo, atingiu o mar que circunda o mundo
  • Siduri-Sabitu, manifestação da deusa Ishtar, habitava uma gruta junto às águas e, após fechar as portas à aproximação de Gilgamesh, acabou por recebê-lo e aconselhá-lo a abandonar a busca e contentar-se com as alegrias mortais da vida.
    • A deusa advertiu que a vida que ele buscava jamais seria encontrada, pois quando os deuses criaram o homem lhe atribuíram a morte e guardaram a vida em suas mãos
    • Aconselhou-o a nutrir-se, regozijar-se dia e noite, manter vestes elegantes, cabeça lavada e corpo banhado, prestar atenção à criança que lhe segura a mão e abraçar sua mulher
    • Este trecho, ausente na edição assíria padrão da lenda, aparece em texto fragmentário babilônico muito mais antigo
  • O conselho hedonista de Siduri-Sabitu não representa a filosofia moral dos antigos babilônios, mas constitui uma prova iniciática, comparável à tradição indiana em que o mestre tenta primeiro dissuadir o discípulo antes de admiti-lo à iniciação seguinte.
    • A travessia das águas é uma prova iniciática, não uma proposição filosófica
    • Somente o discípulo que se mostra perseverante é admitido à etapa seguinte da iniciação
  • Como Gilgamesh persistiu, Siduri-Sabitu autorizou-o a prosseguir e o encaminhou ao barqueiro Ursanapi, que o conduziu pelas águas da morte em viagem de mês e meio, com a advertência de não tocar as águas durante o trajeto.
    • Gilgamesh encontrou Ursanapi cortando madeira na floresta sob guarda de servitores chamados os que se regozijam de viver, ou os de pedra, que o herói despedaçou
    • A terra distante para a qual se dirigiam era o lar de Utnapishtim, herói do dilúvio primordial, que ali vivia com sua esposa em paz eterna
  • Utnapishtim avistou de longe a pequena barca solitária sobre as águas infinitas e interrogou-se internamente sobre quem a dirigia em lugar dos servitores habituais.
    • Ao desembarcar, Gilgamesh teve de ouvir o longo relato do dilúvio feito pelo patriarca
    • Utnapishtim convidou o visitante a dormir, e este dormiu por seis dias; a esposa de Utnapishtim preparou sete bolos colocados junto à cabeça de Gilgamesh enquanto ele dormia
  • Utnapishtim revelou a Gilgamesh o segredo da planta da imortalidade, que crescia no fundo do mar cósmico e cuja espinha, semelhante à da rosa, feriria a mão de quem a colhesse.
    • A planta permitiria ao herói retornar à sua terra natal
    • Utnapishtim ordenou ao barqueiro Ursanapi que levasse Gilgamesh a uma fonte para banhar-se e lhe desse vestes novas antes de partir
  • Gilgamesh atou pedras pesadas aos pés, mergulhou ao fundo do mar sem fundo e colheu a planta apesar dos ferimentos nas mãos, cortando depois as amarras para emergir à superfície, onde proclamou triunfalmente seu intento de levá-la a Erech e de comer dela para retornar à juventude.
    • O fato de o herói poder agora mergulhar nas águas que antes lhe era proibido tocar mede o poder adquirido junto aos Antigos, o Senhor e a Senhora da Ilha Eterna
    • Utnapishtim-Noé é a imagem do pai arquétipo; sua ilha, o Umbigo do Mundo, é uma prefiguração das futuras Ilhas dos Bem-Aventurados do mundo greco-romano
    • O nome da planta era Na sua velhice o Homem rejuvenesce
  • Ao regressarem e aportarem, Gilgamesh banhava-se numa fonte de águas frescas quando uma serpente farejou o perfume maravilhoso da planta, apoderou-se dela e a devorou, adquirindo imediatamente o poder de trocar de pele e recuperar a juventude, enquanto Gilgamesh acordou, sentou-se e chorou.
    • As lágrimas correram sobre a face do herói ao constatar a perda irreparável
    • A serpente, ao comer a planta, obteve o que Gilgamesh buscara em toda a jornada
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