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Deméter

KERÉNYI, Karl. Eleusis: archetypal image of mother and daughter. Princeton, N.J: Princeton University Press, 1991.

  • Os mitos de Deméter revelam uma deusa incansável em busca da filha, cuja figura sofre metamorfoses que a aproximam de divindades errantes como Io, Europa e Antíope.
    • O mito cretense, prehomérico, narra a união de Deméter com o caçador Yasio ou Yasión num sulco de campo arado três vezes.
    • Ovidio identifica Yasio como caçador; outras fontes o associam a Zagreo, grande caçador de Creta e Senhor do mundo inferior.
    • Zeus golpeou Yasio com um raio, detalhe ligado ao caráter subterrâneo do amante.
    • Do consentimento de Deméter nasceu Pluto, riqueza, fruto esperado da deusa do grão.
  • Em Eleusis, o nascimento de Pluto após o rapto de Perséfone não era segredo dos mistérios, e imagens das deusas eleusinas destinadas ao público mostram o filho com a cornucópia.
    • Duas magníficas vasilhas áticas tardias representam Pluto como criança diante de Deméter entronizada e como figura entregue por uma deusa que emerge da terra.
    • Nomes e imagens da riqueza, entre eles o nome Plutão, cercam os mistérios de Eleusis.
    • Num canto báquico ateniense e na lei sagrada de Cos, Deméter mãe de Pluto é chamada “a Olímpica”, distinguindo-se de “a Eleusina”, mãe de Perséfone.
  • Na Arcádia, Deméter sofre um destino mais duro que em Creta, sendo raptada por Posídon, cujo nome significa “esposo de Da”.
    • A deusa se transforma em égua e se esconde numa estrebaria; Posídon, em forma de garanhão, engendra nela uma filha misteriosa de nome impronunciável e o célebre corcel mítico.
    • Após o rapto, Deméter assume o rosto colérico e o nome maligno de Erinys; após a reconciliação e o banho no rio Ládão, torna-se Deméter Lousia, a doce.
    • Em Telpusa, as estátuas de Deméter Erinys e Deméter Lousia coexistiam no mesmo templo.
    • Nos mistérios de Licosura, como nos de Eleusis, a filha inominável, invocada apenas como Despoina, a Senhora, era a figura mais importante.
  • Uma Grande Deusa pode reunir numa única figura os destinos que se repetem em todas as mães e filhas, combinando os atributos femininos da terra com a inconstância da lua errante.
    • A deusa dos mistérios de Licosura usava manto cósmico ornado com habitantes da terra e do mar e segurava no colo a cesta mística com os instrumentos dos ritos secretos.
    • Em Telpusa, Deméter sozinha possuía dois semblantes num mesmo templo, um deles colérico e portador do cesto dos mistérios.
  • A dualidade entre Deméter e Perséfone admite duas explicações: ou uma única deusa possui dois rostos, ou duas deusas de origens distintas tornaram-se unidade inseparável.
    • Uma inscrição encontrada em Delos, no recinto sagrado dos deuses egípcios, onde Deméter era honrada junto a Ísis, afirma que a deusa eleusina é simultaneamente donzela e mulher.
    • A inscrição de Delos não esgota o segredo dos mistérios, mas aponta para um fato humano que permite ao espírito manter unidas e identificadas mãe e filha.
    • O mitologema de Deméter e Perséfone expressa esse fato em termos eternos e suprapessoais de modo raramente igualado.
  • Na dualidade mantida em Eleusis, Deméter representava o aspecto terreno e Perséfone o aspecto espiritual e transcendente, sendo Deméter a figura de acesso mais fácil para quem desejava aproximar-se da filha.
    • O Hino homérico a Deméter descreve pormenores do lamento da deusa que eram imitados pelos iniciados, os mistos.
    • A versão eleusina do mitologema pressupunha dos iniciados uma espécie de autoidentificação com Deméter, a deusa da tristeza.
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