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CONTEXTO
ZAEHNER, R. C.. The Dawn and Twilight of Zoroastrianism. New York: G. P. PUTNAM'S SONS, 1961.
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O dualismo moral entre Asha e Druj, Verdade e Mentira, pode ser entendido como universalização de uma situação política e social concreta em que uma população pastoril pacífica era ameaçada por tribos nômades predatórias.
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Os nômades são chamados por Zoroastro de dregvants ou drvants, “seguidores da Mentira”.
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Os seus próprios partidários são os ashavans, “seguidores da Verdade ou da Retidão”.
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A Mentira, nos Gathas, no Avesta tardio e nos livros páhlavi, representa o próprio princípio do mal, do qual Angra Mainyu ou Ahriman é a principal personificação.
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A Mentira não é apenas negação da verdade abstrata, mas, essencialmente nos Gathas, agressão predatória contra a boa governança e a ordem agrícola e pastoril pacífica.
A violência nômade, personificada no conceito de Aëshma, “violência” ou “fúria”, é dirigida contra homens e gado, sendo o gado cobiçado tanto como butim quanto como vítima sacrificial.-
Aëshma deriva de raiz aêsh-, que significa “avançar impetuosamente” ou “movimento violento”.
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A condição de desamparo do boi num mundo de violência é o tema central de um Gatha inteiro.
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A alma do boi apela em angústia a Ahura Mazdah, o “Senhor Sábio”, único Deus verdadeiro para Zoroastro, e aos “Imortais Benfazejos” (amesha spentas), que o cercam e são seus atributos mais característicos.
O diálogo entre a alma do boi e Ahura Mazdah revela que, na dispensação original, a espécie bovina foi destinada tanto a nutrir o homem com seu leite quanto a servir como vítima sacrificial, conforme decreto divino em acordo com Asha.-
A alma do boi pergunta para quem foi criada e quem a protegerá da violência.
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Ahura Mazdah responde que criou para o boi a fórmula sagrada da oblação de gordura e que seu leite foi destinado a saciar os homens.
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Diante da insatisfação da alma do boi, Ahura Mazdah indica Zoroastro, da linhagem de Spitama, como o único homem que deu ouvidos às suas ordenanças.
O conceito de Asha é de origem indo-iraniana demonstrável, comum ao Rig-Veda e ao Avesta, enquanto Vohu Manah, a “Boa Mente”, é conceito puramente iraniano, provavelmente criação do próprio Zoroastro.-
A alma do boi pergunta se existe algum homem que cuide do gado de acordo com a Boa Mente, e Ahura Mazdah responde que esse homem é Zoroastro.
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Isso indica que o Profeta não se via como abolidor da lei e dos profetas anteriores, mas como acrescentador de nova dimensão à antiga religião representada por Ahura Mazdah e Asha.
Zoroastro enfrentou forte oposição das autoridades civis e eclesiásticas ao proclamar sua missão, sentindo-se fraco e perseguido por sua própria comunidade.-
A alma do boi, ao saber que os poderes superiores a confiaram a Zoroastro, reage com consternação e ironia velada, questionando a utilidade de um protetor sem poder.
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Zoroastro queixa-se de ser perseguido por possuir apenas poucos homens e gado, enquanto seu inimigo é mais forte.
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Ao obter o patrocínio do rei Vishtaspa, seu tom muda e ele se apresenta como juiz entre os dois partidos, proclamando que Ahura Mazdah o reconhece nessa função por viver em conformidade com a Verdade.
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