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Upasana

LE SAUX, Henri. Initiation à la spiritualité des Upanishads: vers l’autre rive. Sisteron: Éditions Présence, 1979.

Um dos termos mais frequentemente empregados para denotar o reconhecimento de Brahman, o Absoluto, nesses diversos elementos que se manifestam no nível de nossa percepção sensorial, mental ou mística é a raiz upa-âs, por exemplo, em upâsate, upâsîta, upâsana. Este último termo varia amplamente entre um sentido muito suave de “considerar” e um sentido muito forte de “adorar”, sem que, na prática, se possa jamais ignorar todo o leque de seus significados. Posteriormente, upâsana é frequentemente empregado no sentido de “culto” ou “meditação”. Assim como a raiz da qual deriva a palavra upanishad, significa “sentar-se perto de” ou “aos pés de”. Mas aqui não se trata mais de receber um ensinamento, e sim de se entregar, de se oferecer — uma atitude de reverência, de oferenda, de fé, shraddhâ. A tradução desse termo por “venerar”, “adorar” é muitas vezes justificada, embora o sentido posterior e, sobretudo, moderno e ocidental dessas palavras seja, neste contexto, um pouco rígido em muitos casos. Por outro lado, é muito tentador, como Emile Sénart, atribuir-lhe o sentido muito restrito de “considerar”, “ver como”; por exemplo, “ver o âkâsha como Brahman”, etc… Essa tradução certamente não é errada; no entanto, ela deixa de lado o aspecto essencialmente religioso do termo — mais do que religioso, talvez se devesse dizer seu aspecto místico, se não iniciático. Não se trata aqui de uma simples consideração no sentido de opinião, nem mesmo de convicção intelectual; trata-se de uma visão de fé, no sentido muito forte definido acima, uma visão que, mesmo quando invadiu o campo da consciência fenomenal, está sempre enraizada em uma intuição mística — aquela que a própria pessoa experimentou, aquela com a qual se comunica em sua fé no Guru ou nas Escrituras. Ela envolve essencialmente uma atitude de respeito religioso, de entrega, de oblação. Muitas vezes, ela pode ser expressa por: “depojar-se da fé”, “colocar a fé em”. Reconhecer a presença de Brahman em cada ser ou em um ser específico nunca é mera especulação; é algo que envolve o ser inteiro, que exige toda a atitude de um evamvid em relação ao cosmos inteiro. Somente a fé pode me fazer perceber Brahman e, assim, permitir-me participar dessa Presença, ser, por meio do meu conhecimento, como que na posse do poder, da soberania e da liberdade de Brahman, que se revela em cada ser particular.

Mas essa fé na Presença e no Poder de Brahman em cada ser não é suficiente; os Upanishads são severos com quem se contenta com uma upâsanâ específica de Brahman. A partir de descobertas sucessivas e particulares do Brahman aqui e ali — em Agni, em Vâyu, no Sol, no espaço, no meu pensamento, na minha respiração, etc. — é preciso elevar-se à intuição da Totalidade, do Purusha ou Brahman, ao mesmo tempo imanente e transcendente a tudo.

Tudo isso se resume nas palavras tão poderosas da Brihad Upanishad.

“É preciso reconhecer o âtman, pois nele está a unidade de tudo. É o âtman que, em todas as coisas, devemos seguir, pois por meio dele conhecemos tudo” (1.4.7, trad. E. Sénart).
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