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HERMÈS. RECHERCHES SUR L’EXPÉRIENCE SPIRITUELLE.

Nova série de cadernos, originalmente editados por Jacques Masui, sob direção de Lilian Silburn.

  • Hermès se especializará progressivamente, respondendo ao que falta de modo mais urgente na época atual — a saber, uma abordagem integral da experiência mística libertadora, inclusive em seus níveis mais elevados, sem cuja finalidade como horizonte o estudioso se extravia desde o início.
    • A coleção Hermès já respondera, em suas primeiras séries, a necessidades próprias de outro momento histórico
    • Perder de vista a finalidade da experiência mística significa arriscar o desvio desde os primeiros passos da investigação
  • A palavra “mística” é empregada em seu sentido nobre e originário, tal como aparece na linguagem dos Padres gregos, onde designa o conhecimento dos “mistérios” acessível pela via contemplativa propriamente dita.
    • O uso do termo pelos Padres gregos remete à contemplação como modo específico de conhecimento, distinto do discursivo
    • O sentido primário do vocábulo afasta-se dos empregos posteriores que o tornaram ambíguo ou suspeito
  • Conduzida com rigor, a experiência mística — por mais intensa que seja a energia despertada e por mais profundas que sejam as perturbações implicadas na morte do “eu” — exclui os excessos de um misticismo que ulteriormente se tornou altamente questionável.
    • A morte do “eu” é reconhecida como elemento constitutivo e inevitável do processo místico genuíno
    • A intensidade da transformação não conduz necessariamente ao excesso quando a experiência é corretamente orientada
  • O termo “mística” tem a vantagem de abarcar os diversos aspectos da experiência, seja com ênfase no amor divino, seja na tomada de consciência, sugerindo a vida nova, específica e indefinível que se abre com a descoberta daquilo que autores espirituais franceses do século XVII denominavam “interioridade”.
    • A dicotomia entre amor divino e tomada de consciência não é excludente — o conceito abrange ambos
    • O conceito de “interioridade”, recuperado de autores espirituais franceses do século XVII, nomeia o acesso a essa vida nova
  • A grande enquete da revista se abre a todas as tradições — conforme a orientação permanente de Hermès — pois em todas elas encontram-se homens e mulheres que quiseram tocar o fundo do Real, que realizaram plenamente sua natureza de Despertos e que não cessaram até se abismarem em Deus ou no Absoluto, com respeito às linguagens e concepções próprias de cada tradição, que convergem no nível da experiência mística para além de suas formas religiosas externas.
    • A abertura a todas as tradições constitui a linha editorial permanente de Hermès
    • A realização da natureza de Despertos é enunciada como meta comum aos buscadores em todas as tradições
    • As formas religiosas externas divergem; a experiência mística interna, segundo a perspectiva adotada, converge
  • A Índia — tanto no Hinduísmo quanto no Budismo — forjou um vocabulário rigoroso capaz de exprimir a sutileza de suas análises dos estados específicos de absorção e dos percursos psíquicos conscientes ou subconscientes, oferecendo ao pesquisador instrumento de trabalho e fonte inesgotável de materiais, com destaque para textos inéditos das escolas do Xivaísmo monista da Caxemira, para as obras dos sufis — que possuem uma verdadeira ciência da progressão mística —, bem como para o vasto fundo cristão, para a mística judaica e para os clássicos do taoísmo.
    • O vocabulário sânscrito e páli desenvolvido pela tradição indiana é valorizado por sua precisão analítica a respeito dos estados de absorção — dhyana, samadhi, samapatti, entre outros
    • Serão publicados textos inéditos das diferentes escolas do Xivaísmo monista da Caxemira, cuja riqueza começa a ser reconhecida
    • Os sufis são reconhecidos como detentores de uma ciência própria da progressão mística
    • O fundo cristão é caracterizado como de acesso linguístico e filosófico comparativamente mais simples
    • A mística judaica e os clássicos do taoísmo também integram o campo de investigação
  • Longe de um comparatismo estreito e apaixonado, longe de analogias no nível das generalidades, a proposta consiste em aproximar textos densos de sentido em torno de um tema que estudos específicos se encarregarão de elucidar.
    • O comparatismo rejeitado é o superficial, fundado em semelhanças genéricas
    • O método proposto privilegia a justaposição de textos carregados de sentido, acompanhada de estudos elucidativos
  • Na maioria dos textos sagrados e nas obras dos grandes místicos, tudo é encarado do ponto de vista do homem liberto do pensamento dualizante, o que torna as concepções ali expressas extremamente difíceis de apreender para o espírito ainda não liberto, que deve, a cada passo, esforçar-se contra seu próprio erro “congênito” para tentar compreender.
    • O pensamento dualizante é identificado como o obstáculo estrutural à compreensão dos textos místicos
    • O erro “congênito” designa a tendência espontânea do espírito ordinário a operar por divisões e oposições
  • O olhar do “homem perfeito” desce em direção aos planos inferiores, enquanto o esforço do estudioso é o de vislumbrar cimos velados.
    • A assimetria entre a perspectiva do realizado e a do buscador é constitutiva da dificuldade de leitura dos textos místicos
    • A imagem dos cimos velados evoca a inacessibilidade imediata das alturas contemplativas para o espírito não liberto
  • A esse olhar livre corresponde a estrutura argumentativa das obras místicas, cujo encadeamento parte da Realidade suprema para descer grau a grau até o mundo visível, acompanhando o movimento da manifestação divina — pois é da Realidade última que tudo parte, a ela que tudo retorna e ela que nada jamais abandona.
    • A estrutura descendente dos textos — da Realidade suprema ao mundo visível — reflete o próprio movimento da manifestação divina
    • A formulação “a ela que nada jamais abandona” condensa a concepção de imanência absoluta do Absoluto
  • Em sentido inverso a esse desdobramento, as vias místicas constituem o retorno à fonte única, e por isso, antes de abordá-las no volume em questão, era necessário esboçar essa “descida” — o que, dada a amplitude do tema e a brevidade permitida pelo volume, levou à opção de deixar os textos falarem por si mesmos, de modo que o capítulo de introdução se apresenta como antologia centrada na realidade divina tal como os grandes místicos a descobrem.
    • A escolha antológica — deixar os textos falarem por si — substitui a exposição sumária, considerada insuficiente diante da complexidade do tema
    • O capítulo introdutório é organizado em torno da realidade divina conforme revelada pelos grandes místicos, e as vias se explicam a partir dela
  • O primeiro volume é de dificuldade excepcional, pois seu campo abrange simultaneamente toda a realidade e o conjunto das vias, de sorte que — uma vez evocada a aventura mística em sua totalidade — os volumes ulteriores terão apenas de analisar aspectos precisos e limitados.
    • A dificuldade excepcional decorre da amplitude dupla do escopo — a realidade em sua integralidade e as vias em sua totalidade
    • A função do primeiro volume é panorâmica; os volumes seguintes serão analíticos e temáticos
  • Entre os temas previstos para volumes futuros figuram: a descoberta do domínio da “interioridade” que define a mística e sua comparação com experiências isoladas de poetas e escritores; a análise dos estados de vigília e de absorção — oração, contemplação, dhyana, samadhi, samapatti e outros; a descrição dos diferentes tipos de santos, místicos e mestres — yogin, jnanin e outros; quietude e não-agir, bem como bom e mau quietismo; o indiferenciado e a mística noturna, com estudo da “noite” que a distingue dos estados de indiferenciação primitiva e de depressão; o sopro — pneuma, prana e correlatos; reminiscência e reconhecimento, com Platão, o sufismo, a escola shivaíta Pratyabhijna e os poetas ingleses.
    • A “interioridade” será cotejada com experiências de poetas e escritores situados fora das tradições contemplativas
    • Os estados de absorção serão analisados com recurso à terminologia técnica de várias tradições — dhyana, samadhi, samapatti
    • A tipologia dos realizados abrangerá o yogin e o jnanin, entre outras categorias
    • A distinção entre a mística noturna e os estados de indiferenciação primitiva ou de depressão será objeto de estudo específico
    • Platão, o sufismo e a escola shivaíta Pratyabhijna serão aproximados em torno dos temas da reminiscência e do reconhecimento
    • Os poetas ingleses serão igualmente convocados no estudo da reminiscência e do reconhecimento
  • Uma reedição do número antigo de Hermès sobre O Vazio está prestes a sair, e um pouco mais tarde O Mestre espiritual será reeditado com modificações e acréscimos.
    • O número sobre O Vazio será reimpresso em breve
    • O Mestre espiritual terá reedição revista e ampliada
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