budismo:blofeld:deidade-interior
DEIDADE INTERIOR
Mantras, palavras sagradas de poder
- A contemplação da deidade interior, como personificação da divindade inata, constitui o fundamento real da ioga mântrica orientada para a obtenção rápida da Iluminação, cujo ensino ainda exige iniciação e instrução reservada.
- A iniciação transmite a virtude iogue do lama e de toda a linhagem de predecessores, incluindo Padma Sambhava e o próprio Shakyamuni Buda, para as escolas Nyingmapa e Kargyupa
- Lamas refugiados estabelecidos na Europa e na América tornaram a iniciação mais acessível
- A iniciação cumpre também a função de prevenir consequências maléficas decorrentes do uso impróprio dos rituais iogues, pois os mantras podem ser empregados tanto para construir quanto para destruir.
- As seitas esotéricas budistas — a indo-tibetana Vajrayana, a japonesa Shingon e a chinesa Mi Tsung — confinaram historicamente a instrução mântrica a iniciados
- O mantra OM MANI PADME HUM, amplamente utilizado, é formalmente comunicado apenas após dois passos: o wang (aumento de poder) e o loong (transmissão oral ao ouvido do discípulo)
- A ocupação chinesa do Tibete e o exílio de lamas aceleraram a abertura do ensino, por preocupação com a continuidade da transmissão do conhecimento sagrado
- O abuso deliberado dos mantras por adeptos ocidentais é considerado pouco provável, pois quem os reverencia conhece os perigos do uso indevido, e a ioga mântrica integra uma tradição que reconhece consequências inescapáveis para toda atividade do corpo, da fala e da mente.
- A biografia de Milarepa narra a punição imposta pelo mestre Marpa ao poeta que, quando jovem, usou o conhecimento mântrico para destruir os perseguidores de sua família
- Marpa exigiu anos de amarga servidão — construção e demolição de casas em cumes distantes, carregando pedras e argila — como forma de reduzir a carga cármica do abuso
- O conhecimento do uso pernicioso dos mantras não foi transmitido ao autor, e o que mais se deve temer é o mau uso não intencional — razão central para se buscar a instrução cuidadosa que se segue à iniciação.
- O que distingue o misticismo iogue de outras tradições religiosas é o reconhecimento de que a Iluminação, a Libertação e a Salvação emanam do próprio íntimo do praticante, e não de uma fonte exterior.
- Místicos cristãos e muçulmanos concebem a experiência mística como obtenção de união com Deus — termo que implica separação a ser superada
- Budistas e taoistas concebem a experiência como realização do Nirvana ou do Tao — termo que implica uma união que nunca cessou de existir
- A experiência efetiva, chamada de obtenção ou realização, é considerada idêntica em ambos os casos, por ser produto da intuição direta da Verdade Suprema
- O budismo e o taoismo apresentam a vantagem de não gerar conflito entre os caminhos místico e não místico, pois o budismo, ao não reconhecer um criador onipotente, ensina que toda realização deve ocorrer no interior do próprio ser.
- A Escola Mahayana, da qual a Vajrayana faz parte, proclama que o universo inteiro resulta do jogo da Mente, única realidade, e que a aparente individualidade das mentes finitas decorre de uma ilusão primordial
- Certas seitas hindus compartilham essa concepção do universo e empregam formas distintas de ioga mântrica
- Místicos consumados, independentemente das diferenças de terminologia, reconhecem a identidade da experiência de união mística, elevando-se acima de dogmas e controvérsias — ao passo que os não iniciados nessa experiência podem questionar a necessidade de qualquer prática espiritual além de um código moral razoável.
- A experiência mística pode emergir espontaneamente em raros afortunados, conferindo beatitude que torna irrelevantes as questões sobre sua necessidade; outros são movidos por uma sede intuitiva dessa experiência; mas para a maioria das pessoas, a vida revela-se insatisfatória e suas satisfações, fugazes.
- Gerações de antepassados buscaram refúgio na piedade e na crença de compensação celeste pelos sofrimentos terrenos — crenças que perderam sua força consoladora no tempo presente
- A primeira insinuação da existência de uma verdade viva por trás de todas as religiões surgiu pelo contato com a atmosfera de alegria e bondade própria de pessoas que passaram suas vidas contemplando o interior em vez de se dissipar nos fenômenos exteriores
- Entre os tibetanos, imersos numa tradição antiga e esclarecida, encontra-se número suficiente de lamas marcados por alegria, compaixão e serenidade interior, capazes de convencer aqueles ao redor de que partilham de um segredo imensamente valioso.
- Taoistas conhecidos pessoalmente revelavam a mesma tranquilidade abençoada; relatos sobre místicos hindus, sufis e cristãos descrevem idêntica realização
- Os taoistas quase desapareceram da Terra, e os místicos aperfeiçoados são mais raros do que antes — razão pela qual se recomenda buscar mestres na região fronteiriça do Himalaia, onde ainda florescem as tradições contemplativas
- O budismo oferece duas vantagens especiais frente a outras tradições: refreia a insistência em crenças que podem obstruir o progresso espiritual e fornece ampla variedade de métodos contemplativos para cultivar a intuição da realidade.
- A preferência pela forma Mahayana funda-se em sua larga variedade de meios para diferentes temperamentos e na clareza com que propõe a doutrina da Mente como Suprema Realidade
- Dentro do conjunto Mahayana, as iogas contemplativas da seita Vajrayana foram consideradas especialmente inspiradoras para quem busca conhecimento mântrico profundo
- A doutrina Vajrayana oferece dois pontos de vista sobre a verdade: o reconhecimento da identidade entre samsara e Nirvana — comum a todas as seitas Mahayanas — e o conceito esotérico de “Eu sou o Buda!”.
- Samsara é o fluxo universal em que as criaturas vagam enquanto persiste a ilusão do ego sobre a existência independente
- Nirvana é o ser-não-ser final, além da concepção humana, atingível apenas com o descarte da última parcela de ilusão do ego
- Samsara e Nirvana não são dois — não há transferência de um ao outro, mas apenas a queda de uma ilusão e o reconhecimento das coisas como realmente são
- Uma analogia empregada: uma criança criada num quarto escuro imagina seu ambiente vazio de cor e forma; quando a luz aparece, tudo se diversifica — mas o quarto é o mesmo, nada mudou exceto a concepção
- A percepção de que “Eu sou o Buda!” — entendendo Buda como o Supremo — encarna a essência da percepção mística e gera três obrigações: tratar todos os seres como personificações da sagrada essência, reconhecer todos os sons como componentes de sons sagrados, e perceber que tudo no universo não é senão Nirvana.
- Dessa percepção emergem paciência, clemência e compaixão, à medida que os grilhões da consciência do ego se quebram
- O grande perigo do conceito “Eu sou o Buda!” mal compreendido é que leva a comportamento irresponsável e orgulho que aumenta o ego em vez de diminuí-lo
- Nenhum praticante deve refletir “Eu sou o Buda” sem recordar que, no nível da verdade absoluta, não existe a entidade chamada “Eu”
- A simples aceitação doutrinal de que a divindade reside no íntimo difere radicalmente da experiência intuitiva dessa verdade, e a Vajrayana provê variados meios para atingir a meta tão rapidamente quanto cada capacidade individual permita.
- A analogia empregada: partir de Paris a Lhasa exige dar um primeiro passo na direção certa — a viagem começa, mas ainda se está tão longe de Lhasa quanto quem saiu para comprar pão
- Tanto a tarefa quanto a meta são psicológicas — a longa estrada começa e termina dentro do espaço de um esqueleto humano
- Os mantras integram os meios habilidosos empregados desde o início da viagem espiritual até o ponto em que todos os meios são abandonados, e a ioga mântrica exige, antes de tudo, a adoção de um Yidam pelo qual a deidade interior se encarna.
- Para budistas de outras seitas — seguidores do Zen ou Theravadins — o uso de deidades pode parecer perversão de suas crenças, pois a tradição budista ensina a descartar toda divindade
- Segundo a doutrina budista, como todo o universo resulta do exercício da mente, não pode haver criador onipotente senão ela; os deuses são apenas uma das ordens de seres que nascem e morrem segundo escalas de tempo próprias
- O Buda falou com frequência sobre deuses num contexto que abarca tantos deuses quanto os grãos de areia no Ganges, ensinando que é inútil invocá-los para o progresso espiritual
- Uma situação pessoal ilustra a distinção: uma moça presbiteriana infeliz no amor foi acompanhada até a Walsingham Abbey para acender velas à Virgem — o importante era sua fé, não a compatibilidade doutrinal
- Os Budas e Bodhisattvas do panteão Mahayana não devem ser confundidos com deuses, pois são personificações de forças que emanam da energia sabedoria-compaixão gerada pela Mente.
- Manjushri personifica a sabedoria; Avalokiteshvara, a compaixão; Vajrapani, a perfeita atividade
- No nível popular, são frequentemente confundidos com deidades; mas os adeptos da ioga os reconhecem como emanações da Mente que tudo abrange e, em certo sentido, criações da própria mente
- Os métodos da ioga mântrica, ainda que ao leigo se pareçam com ritos teísticos, são na verdade métodos psicológicos superiores para alcançar a realização intuitiva direta da deidade na própria mente — razão pela qual se referem a esses objetos de contemplação como “Deidades de meditação”.
- Há centenas ou milhares dessas deidades, dispostas numa hierarquia que corresponde à diferenciação crescente da energia sabedoria-compaixão em progressivas distâncias da Fonte
- É vital que os adeptos aprendam que esses riachos jorram de dentro de si mesmos, embora a princípio se deva encará-los como fluindo do exterior — depois como interiores, e afinal como interior e exterior reconhecidos como idênticos
- A Mente e a mente individual não são duas
- O lama designa ao aspirante um Yidam que personifica uma forma diferente da energia sabedoria-compaixão, e os aspirantes mais avançados são ensinados a alternar a visualização do Yidam como externo e como interno.
- O Yidam é, num sentido restrito, um ser separado — não realmente separado da mente do adepto, mas separado no sentido de que pertence ao reino das aparências onde entidades individuais têm existência transitória
- A doutrina de interpenetração do Avatamsaka (Hua Yen) Sutra explica como cada objeto no universo é penetrado por — e penetra — qualquer outro objeto
- Dizer que Yidam e adepto são separados é errado num sentido; dizer que são idênticos é errado em outro — daí a necessidade de alternar os dois processos
- Para aspirantes de capacidade iogue modesta, o Yidam designado é em geral encarnação de um riacho subsidiário da energia sabedoria-compaixão, como Tara ou dakini — mais próximos do nível da verdade relativa
- A contemplação iogue com invocação do Yidam poderia, em tese, ser empregada por adeptos de qualquer religião, usando iconografia própria de cada tradição em lugar da iconografia tibetana derivada da tradição indiana e Bon.
- Para que tal inovação fosse aceita por autoridades clericais, os Yidams teriam de ser apresentados como auxílio psicológico para a intuição
- Os cristãos nunca puderam reconciliar-se com a adoração ritual de “deidades pagãs”, mas as deidades de meditação podem assumir qualquer forma associada ao temor sagrado na mente do adepto
- Seria absurdo supor que os grandes místicos do passado — que falaram sob inspiração do Espírito Santo, do Cristo interior ou da união com Deus Pai — estivessem falando de algo fundamentalmente diferente do caminho e da finalidade do misticismo budista
- O papel principal dos mantras reside na invocação às deidades de meditação, e cada uma dessas deidades possui um bija-mantra de uma sílaba, um mantra-coração de várias sílabas e, às vezes, um mantra mais longo, todos encarnando a energia que a deidade personifica.
- Os bija-mantras funcionam como sementes das cenas de transformação na mente do adepto, formam a substância das visualizações iogues e estão associados aos centros psíquicos do corpo — os chakras — podendo estimulá-los com a energia de que são dotados.
- O Lama Govinda informa que os sons têm qualidade diretiva — para cima ou para baixo, horizontais ou verticais
- A eficiência dos bija-mantras deve muito ao shabda — força misteriosa do som sagrado
- Na contemplação iogue, a função principal dos bija-mantras é dirigir a energia personificada pelo Yidam para a imagem criada mentalmente pelo adepto, enquanto o mantra-coração é visualizado como círculo de sílabas brilhantemente coloridas girando em torno do bija-mantra no centro do Yidam.
- Os mantras-coração não são grupos arbitrários de sílabas, mas estão intimamente ligados à energia invocada e às suas contrapartidas na consciência profunda do adepto
- Em estágio ulterior, os véus da ilusão são rasgados e surgem percepções cada vez mais exaltadas
- O lama avalia com cuidado as necessidades especiais de cada discípulo ao escolher o Yidam no momento da iniciação, pois os Yidams variam entre formas de beleza sobre-humana e formas de aspecto feroz que fazem gelar o coração.
- Tara frequentemente toma a forma de uma virgem encantadora; Padma Sambhava e Manjushri Bodhisattva aparecem às vezes com a beleza da juventude; o Precioso Guru pode ser representado como um garoto bochechudo de faces rosadas
- Os Yidams de aspecto feroz — com muitas cabeças e membros e terríveis atributos — representam os poderes indômitos necessários para esmagar as paixões arraigadas com que o ego se defende contra sua dissolução
- O ensinamento explica que, ao morrer e entrar no bardo — estado intermediário entre a morte e o renascimento — o iogue familiarizado com essas formas as reconhecerá como aliadas, enquanto os ignorantes fugirão delas e se enredarão em renascimentos indesejáveis
- A linda Tara tem sua forma triste e demoníaca; o horrível Yamantaka de cabeça de touro pode ser personificado como o amável jovem Manjushri — pois assim se transcende o dualismo
- A evocação do Yidam exige, além de imaginação exercitada e memória dos detalhes significativos, a liberação de energia misteriosa pela recitação e visualização dos mantras adequados — sem a qual a projeção de representações não tem valor.
- Adeptos consumados são capazes de evocar deidades e mantras instantaneamente, mesmo fora da ioga contemplativa formal
- Nos períodos em que a mente se comporta mais como um cervo da floresta do que como um cavalo bem treinado, os métodos Vajrayana evitam o fracasso — uma súbita transformação pode ocorrer como quando se aperta um botão e a luz inunda um quarto escuro
- Os métodos Ch'an (Zen) e Vajrayana, na aparência tão diferentes, compartilham a finalidade comum da Iluminação nesta vida — e, uma vez deixado para trás o domínio do pensamento conceitual, seus caminhos convergem.
- O Yidam é a corporificação da Mente Original, forma usada para cobrir o inconcebível até o ponto em que as formas são transcendidas
- A sabedoria do Ch'an reside na retirada do campo de opostos em guerra; a sabedoria da Vajrayana reside em empregar as armas dos antagonistas para pôr em fuga seus exércitos
- A essência do método iogue preliminar para a realização mística pela evocação da deidade interior desdobra-se em etapas: o Yidam é concebido primeiro como divindade externa; em seguida, como interior; depois, como idêntico ao adepto; por fim, como idêntico à Fonte Suprema.
- O instinto ilusório que faz os homens buscarem um deus exterior não deve ser violado, mas satisfeito, até que o aspirante seja levado a abandoná-lo
- O processo assemelha-se ao faz-de-conta infantil — o que leva a questionar por que homens de intelecto superior se dedicam a ele em vez de começar pelo nível mais alto de compreensão de que são capazes
- O ponto decisivo é que a simples compreensão intelectual não tem valor — a experiência precisa desenvolver-se num nível mais profundo do que o do intelecto, pois assim como o grande contém o pequeno, também o pequeno contém o grande: toda a extensão de todos os universos possíveis está inserida dentro de cada crânio humano.
- O recurso do faz-de-conta é menos raro como técnica espiritual do que geralmente se supõe — as religiões teísticas também atribuem alguma forma imaginada a um Deus concebido como sem forma, e o método Vajrayana simplesmente sistematiza essa abordagem usada instintivamente por outros.
- A Fonte Suprema, incomensurável e isenta de atributos, fica naturalmente além da concepção — por isso devem ser empregados meios para entendê-la, começando por uma de suas emanações intermediárias
- O segredo do Yidam reside em ser uma forma temporariamente dada à ausência de forma — com atributos sobre os quais a mente pode apoiar-se, mas não tão sólida que sua natureza vazia se perca de vista
- A Vajrayana ultrapassa as religiões teísticas ao aspirar a um grau de perfeição em que não só a forma da deidade, mas a própria deidade seja reconhecida como conceito inteiramente provisório
- A prática diária da ioga mântrica inclui a recitação do mantra do Yidam antes de levantar, oferendas matinais no santuário, prostrações, a aceitação dos Quatro Refúgios e a resolução de abandonar as próprias imperfeições.
- Os Quatro Refúgios são: refúgio no Guru, no Buda, no Dharma (Doutrina) e no Sangha (Comunidade Sagrada)
- O mantra OM SVABHAVASUDDHAH SARVA DHARMAH SVABHAVA SUDDHO HAM AH HUM é recitado com o significado: “Despidos de auto-identidade são todos os componentes da existência, despido de toda identidade sou eu”
- As oferendas são convertidas mentalmente em magnificência, pronunciando-se o mantra OM AH HUM ao tocar cada uma delas — penetrando-as com corpo, fala e mente como entrega pessoal total
- A contemplação iogue do Yidam reúne mantras, mudras e visualização — congregando as três faculdades de corpo, fala e mente — e culmina na fusão entre adepto e Yidam até a entrada em samadhi, estado beatífico de consciência sem objetivo.
- O processo visual parte de um vácuo sem formas, do qual emerge uma sílaba mântrica luminosa que se transforma num lótus com o bija-mantra do Yidam no centro
- O Yidam vivido é invocado para penetrar na semelhança criada mentalmente; o bija-mantra surge rodeado pelo mantra-coração como faixa de sílabas fulgurantes
- Uma corrente de luz entra no adepto pelo alto da cabeça; a forma do Yidam diminui e vai repousar em seu coração, até que adepto e Yidam se tornem coextensivos e inseparáveis
- Ao se retirar do samadhi, o adepto oferece aspirações que incluem o desejo de que os Budas e Seres Iluminados permaneçam no universo girando a Roda da Lei, e oferece seus próprios méritos para benefício de todos os seres sensitivos
- Após a ioga matinal, o Yidam permanece com o adepto durante o dia, que converte mentalmente em oferendas ao Yidam tudo o que lhe agrada — o sabor da boa comida, a doçura da brisa na pele.
- À noite, a ioga é repetida; ao dormir, o adepto usa o mantra para solicitar à deidade que guarde seu sono e pode criar uma tenda-vajra, pavilhão protetor formado por cetros-vajra entrelaçados ou pelas sílabas do mantra do Yidam
- Um fruto imediato e especialmente apreciado da prática é que, em momentos de crise, o mantra surge espontaneamente — permitindo ao adepto aguardar a morte com os pensamentos fixados no Yidam e o mantra nos lábios
- Para o aspirante que deseja transformar as energias geradas pelas paixões em armas para destruí-las, o Yidam provavelmente será uma das divindades ferozes — sendo especialmente perigoso adotá-la sem a orientação próxima do lama.
- Há um bija-mantra que transforma instantaneamente o iogue na aparência de uma das divindades ferozes, fazendo com que seu ser pareça pulsar com poder estupendo e vastidão que as palavras mal alcançam.
- Ao pronunciar esse mantra, miríades de seres réplicas de sua forma terrível extravasam de seu corpo e cobrem o céu, rechaçando obstáculos ao progresso iogue
- Deste modo, são purgadas de seu ser ilusório todas as entidades componentes, dentro e fora delas
- Há mantras para invocar do Vácuo sílabas que cintilam como raios de luz e sóis nascentes, lançando faixas de luz colorida que se dividem até 60 milhões de raios; de certas sílabas surgem conjunções de divindades que enchem o céu antes de serem reabsorvidas.
- Tentar visualizar essas imagens sem imbuí-las com energia mântrica produziria apenas pálidas contrapartidas do que os iogues são capazes de conjurar após anos de treinamento em total solidão
- Toda essa riqueza psicodélica de cores e movimentos não tem importância a não ser que leve à total compreensão do Vazio — o iogue deve vivenciar a relatividade do vasto e do minúsculo, a interpenetração e o essencial vazio-não-vazio do samsara
- Reconhecendo os próprios limites no conhecimento dos mais elevados estágios do caminho iogue, o que se descreve aqui são apenas os meios para alcançar o Mistério Sublime — e não o próprio Mistério — comparáveis a um livro sobre equipamentos de escalada que jamais substituirá a conquista dos picos de neve do Kanchenjunga, a mais bela e sagrada de todas as montanhas.
budismo/blofeld/deidade-interior.txt · Last modified: by 127.0.0.1
