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LE TCH’AN (ZEN). RACINES ET FLORAISONS. Paris: Les Deux Océans, 1985
Yuan-men levantou-se e perguntou: “Ouvi dizer que os adeptos das outras religiões obtêm também os cinco poderes sobrenaturais, assim como os bodhisattvas. Em que diferem então?
Jou-li respondeu: “Diferem nisto: os adeptos das outras religiões consideram que alguém obtém alguma coisa, o que não fazem os bodhisattvas, que compreenderam não existir ego.
— Desde o começo dos tempos, os noviços na prática entraram imperfeitamente no Princípio e possuem apenas um começo de despertar para a realidade, tendo um conhecimento superficial do princípio sutil. Qual é sua superioridade em relação aos adeptos das outras religiões que obtiveram os cinco poderes sobrenaturais?
— Eles estão antes de tudo concernidos pela ‘entrada no Princípio’ e pelo despertar, ainda que mínimo; que utilidade teriam para eles os cinco poderes sobrenaturais?
— Aquele que obtém os cinco poderes sobrenaturais é venerado e estimado pelo mundo. Prediz o futuro e conhece o passado, protegendo-se assim contra as transgressões. Como não seria então superior?
— Não, não o é. Por quê? Porque todas as pessoas do mundo possuem o espírito apegado às características; criam vínculos cármicos por sua avidez; utilizam o falso para tornar confuso o verdadeiro. Ainda que possuíssem os poderes sobrenaturais de Cheng-yi e a eloquência de Chan-sing, se não conhecem a natureza real, não poderão evitar cair numa fenda da terra.”
