05
LE TCH’AN (ZEN). RACINES ET FLORAISONS. Paris: Les Deux Océans, 1985
Yuan-men: “A Via encontra-se apenas no corpo humano? Ou encontra-se também na vegetação?
— Jou-li: Não existe nenhum lugar onde a Via não esteja.
— Se a Via penetra tudo, por que matar um indivíduo é um crime, enquanto destruir a vegetação não o é?
— Falar de crime ou de ausência de crime é permanecer nas paixões e apegar-se às particularidades; isso não é a Via correta. Como as pessoas do mundo não chegam à realidade da Via, estabelecem falsamente o eu e o outro; surge então a ideia de matar, essa ideia produz um karma, e fala-se de crime. A vegetação, não possuindo paixões, está originariamente em união com a Via; sua essência é sem ego; aquele que a destrói não possui desígnios, e não se pode falar nem de crime nem de ausência de crime.
Assim, aquele que, sem ego, está em união com a Via considera seu corpo como a vegetação e apreende o fato de ser fendido por um machado da mesma maneira que o apreendem as árvores da floresta. Quando Manjushri dirigiu uma espada contra Gautama Buda, e quando Angulimala dirigiu um sabre contra Shakyamuni, ambos estavam em união com a Via e atestaram a não-produção, tendo realizado perfeitamente que as transformações fantasmagóricas são vazias. É por isso que não se pode falar nem de crime nem de ausência de crime.
— Se a vegetação está desde sempre em união com a Via, por que os sutras não relatam sua realização da budeidade, mas apenas a do ser humano?
— Não relatam apenas a do ser humano, mas também a da vegetação. Não está dito no Sutra Avatamsaka: ‘Todas as coisas estão inteiramente contidas no menor grão de poeira’, e no Sutra de Vimalakirti: ‘Todas as coisas são a Mesmidade [Talidade], todos os seres são a Mesmidade. A Mesmidade é não-dualidade e ausência de diferenciação’.”
