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LE TCH’AN (ZEN). RACINES ET FLORAISONS. Paris: Les Deux Océans, 1985
Yuan-men pergunta: “Se tal é o princípio do vazio último, como atestá-lo?
— É necessário procurá-lo em todas as aparências e atestá-lo nas próprias palavras.
— Que significa ‘é necessário procurá-lo em todas as aparências e atestá-lo nas próprias palavras’? Que significa ‘procurá-lo nas aparências e atestá-lo nas palavras’?
— Vazio e aparências são Um e estão em acordo; palavras e atestação são não-duais.
— Se todas as coisas são o vazio, por que se diz que o Homem Santo possui uma compreensão universal e o homem ordinário uma compreensão obstruída?
— Quando os pensamentos ilusórios entram em movimento, há obstrução. Quando a realidade permanece apaziguada, há universalidade.
— Uma vez que a realidade é realmente assim, por que se fala de impregnação pela ignorância? Se já houve impregnação, como se realiza então o vazio?
— Desde o momento em que se fala daquilo que é ilusório, o não-despertar surge e entra subitamente em movimento. Em realidade, na essência do vazio, não existe uma única coisa que sofra impregnação.
— Se a realidade é vazio, não existe nenhum ser para cultivar a Via. Por quê? Porque é sua natureza inata e espontânea que permanece tal qual é.
— Nenhum ser, tendo realizado o princípio do vazio, cultiva a Via. É unicamente porque não se ‘esvazia’ o vazio que as ilusões aparecem.
— Se assim é, o libertar-se das ilusões é a Via; como podeis então dizer que os seres não estão na Via?
— Não, não é isso que quero dizer. Não se pode dizer que a ilusão seja a Via, nem que o libertar-se das ilusões seja a Via. Porque, se se toma o exemplo de uma pessoa embriagada, ela não está lúcida durante sua embriaguez, assim como não está embriagada quando se encontra lúcida. Mas não se pode dizer que a lucidez seja o desprendimento da embriaguez, nem que a embriaguez seja a lucidez.
— Na lucidez, onde está o estado de embriaguez?
— Ocorre como com uma palma voltada para cima. Quando ela é virada, não se pergunta para onde foi!”
