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budismo:houei-neng:nao-dualidade

NÃO DUALIDADE

LE TCH’AN (ZEN). RACINES ET FLORAISONS. Paris: Les Deux Océans, 1985

I. Extrato do capítulo 8

O Mestre viu, reunidas em grande número ao redor da tribuna, pessoas pertencentes a diversas escolas que formulavam questões litigiosas com más intenções. Seu rosto exprimindo piedade, falou assim:

“Aqueles que estudam a Via devem desembaraçar-se completamente de todos os pensamentos, bons ou maus. Nenhum nome pode nomear aquilo que é a natureza própria. A natureza não-dual é a natureza real. Sobre ela estão estabelecidas todas as Portas do Dharma. Ela deve ser realizada desde o instante em que a palavra do mestre é ouvida.”

Ao ouvirem isso, todos se prostraram e lhe pediram que fosse seu mestre para a grande questão.

II. Extrato do capítulo 9

[Um enviado do imperador interrogava Houei-neng e expunha suas próprias concepções da sapiência e das paixões comparando-as respectivamente à luz e à obscuridade. Eis a resposta do Patriarca:]

A luz e a ausência de luz, o homem ordinário as vê como sendo duas, mas, para aqueles que ultrapassaram as redes da ilusão, ambas possuem a mesma natureza. Essa natureza não-dual é a natureza real. A Natureza real não diminui entre as pessoas que permanecem na ignorância e, naqueles que se distinguem pela santidade, ela não aumenta. Ela não é perturbada naqueles que permanecem entre as paixões e, naqueles que praticam a absorção, ela não é apaziguada. Ela não é nem permanente nem não-permanente. Não vai nem vem. Não está nem no interior, nem no exterior, nem tampouco no meio. Não nasce nem morre. Natureza real e sinais distintivos são a Ainseidade. Ela permanece constante sem mudança. Chama-se isso Realidade última.

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