ESPÍRITO
LE TCH’AN (ZEN). RACINES ET FLORAISONS. Paris: Les Deux Océans, 1985
Q. — Quando o espírito permanece no estado de pureza, isso não cria um apego à pureza?
R. — Se, ao alcançar o estado de pureza, se abstém de pensar: “Agora meu espírito permanece na pureza”, então nenhum apego pode surgir.
Q. — Quando o espírito permanece no vazio, não se produz um apego ao vazio?
R. — Se se pensa que o espírito permanece em um estado de vazio, então tal apego se produzirá.
Q. — Quando o espírito atinge o estado em que não se apega a nada e nele permanece, não se imagina que já não está apegado a nada?
R. — Enquanto o espírito estiver fixado no vazio, nada haverá que possa ligá-lo a qualquer coisa. Se se deseja compreender claramente o não-apego enquanto se está sentado em meditação, não se deve permitir nenhum juízo, isto é, evitar toda avaliação em termos de bem e de mal, e assim por diante. Qualquer que seja a coisa que se apresente, seja-se apenas consciente do não-apego a nada. Não se deve deixar penetrar no espírito nem ódio nem aversão por coisa alguma [é isso o não-apego]; então nem passado, nem presente, nem futuro subsistirão; serão desprovidos de existência.
