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MEIO

NAGARJUNA. Stances du milieu par excellence (Madhyamaka-kārikās). Tr. Guy Bugault. Paris: Gallimard, 2002

Traduzir e explicar Nāgārjuna é levar o leitor a um jardim de aclimatação, levá-lo a descobrir formas de pensar capazes de transportá-lo para outro mundo.

Embora sua historicidade seja certa, sabemos muito pouco sobre a vida desse monge budista indiano, além de narrativas mais ou menos lendárias. Ele é situado no século VI, ou seja, sete ou oito séculos após o Buda (560-480 a.C., segundo a datação antiga). Ele é o fundador da Escola chamada do Meio e o autor das Estrofes do Meio por excelência (Madhyamaka-kārikās). As afinidades entre sua escola e a literatura da Prajnāpāramitā, ou da sabedoria suprema, são evidentes, embora os detalhes de sua relação precisem ser esclarecidos, conforme o desejo de P. Demiéville. Até mesmo a filiação de Nāgārjuna à corrente do Grande Veículo ou Mahāyāna (em oposição ao Pequeno Veículo ou Hīnayāna, a partir de nossa era) foi questionada por A. K. Warder. No entanto, a menção que Nāgārjuna faz da “carreira dos bodhisattvas”, bem como a argumentação de D. S. Ruegg, nos levam a manter a visão tradicional sobre o assunto.

Quanto às suas obras, é preciso distinguir entre aquelas cuja autenticidade ninguém contesta, aquelas que lhe são atribuídas, mas que poderiam ser de autoria de um discípulo e pertencem, em todo caso, à mesma corrente de pensamento, e aquelas, finalmente, que têm todas as chances de serem apócrifas. Ignoremos estas últimas. Na segunda categoria, citemos o importantíssimo Tratado da Grande Virtude da Sabedoria (Mahāprajnāpāramitāsāstra). D. S. Ruegg reconhecia nele, sem hesitação, o estilo de Nāgārjuna. No entanto, o tradutor da obra, Mons. E. Lamotte, que nos a transmite a partir da versão chinesa (pois o original em sânscrito está perdido), acredita antes que seu autor seja do século IV, embora esteja na linha de Nāgārjuna. Tão rico quanto homogêneo ao pensamento do mestre, é precioso para esclarecer certos textos elípticos deste último. Além disso, Quatro hinos (Catuhstava) são geralmente atribuídos a Nāgārjuna. Seu interesse reside em destacar um fervor lírico e devocional, que poderia passar completamente despercebido ao leitor apressado dos textos que examinaremos em breve. Por fim, entre as obras cuja autenticidade é plenamente reconhecida, citemos a Guirlanda de joias (Ratnāvalt), a Epístola amigável (Suhrlleka) ao rei Gautamiputra e, sobretudo, dois textos em que brilha seu virtuosismo lógico-dialético: Para afastar as discussões vãs (Jigrahavyavariant) e as Estrofes do meio por excelência (Madhyamaka-kārikā). As Estrofes são, de longe, sua obra mais fundamental.

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