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FILOSOFIA DO TEMPO
FRIESEN, J. Glenn. Neo-Calvinism and Christian theosophy: Franz von Baader, Abraham Kuyper, Herman Dooyeweerd. Calgary: Aevum Books, 2015.
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Baader distingue a eternidade de Deus de três regiões ou níveis criados do tempo: o supratemporal, o temporal e o infratemporal, ideia obtida de Saint-Martin.
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As regiões aparecem nas obras WERKE 2, 69; FERMENTA 6, 17; WERKE 2, 421.
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A eternidade divina não é tempo infinitamente prolongado, mas um processo eterno em que repouso e movimento, novidade e identidade coexistem simultaneamente, havendo dinamismo interno em Deus na geração das pessoas da Trindade.
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A visão equivocada de eternidade resulta de uma abstração que toma o repouso como estático e inerte.
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Deus é ao mesmo tempo Vida eterna, Ser eterno e Devir eterno.
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Referências: WERKE 2, 21; 14, 31; WELTALTER, 139.
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O supratemporal é uma região criada do tempo, distinta da eternidade incriada de Deus, destinada a seres inteligentes como anjos e humanos, sendo o centro religioso do coração humano situado nessa região chamada “tempo verdadeiro”.
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O céu em que Deus habita não foi criado; existe, porém, um céu criado para seres inteligentes.
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A primeira criação de Deus nessa região supratemporal foi a dos anjos, espíritos finitos.
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Alguns anjos escolheram centrar-se em Deus; outros, como Lúcifer, afastaram-se de Deus e passaram para a região infratemporal.
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O supratemporal inclui passado, presente e futuro simultaneamente; é o Agora permanente e não temporal, a região da Existenz consumada.
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Referências: WERKE 2, 71, 72.
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O conceito baaderiano de supratemporal tornou-se central na obra de Dooyeweerd, tendo o termo derivado do neerlandês boventijdelijk, cunhado por Gunning ao traduzir o überzeitlich de Baader, e sendo seguido por Kuyper e Dooyeweerd, que denominam essa região “céu criado” ou “eternidade criada”.
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O tempo cósmico ou terreno foi criado para os anjos que ainda não haviam escolhido por ou contra Deus, sendo uma semirealidade de natureza ambígua e indecisa que mantém aberta a possibilidade de escolha e preserva o acesso à região supratemporal.
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O tempo foi criado antes dos humanos, embora estes tenham caído no tempo posteriormente.
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Os seres têm o poder de construir seu próprio céu ou inferno e de abrir a região supratemporal ou manter a infratemporal fechada.
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Referências: WERKE 14, 43.
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O tempo cósmico é uma “suspensão da eternidade” que implica sacrifício, começa com a cessação do presente verdadeiro e exige renovação contínua momento a momento.
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As Escrituras falam de um Cordeiro que se oferece desde o início do tempo, referência a WERKE 4, 53.
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O tempo cósmico cessa com a cessação dessa própria cessação: WERKE 14, 34-37.
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A renovação contínua do tempo aparece em WERKE 3, 222fn.
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Baader denomina o tempo cósmico de “tempo aparente” (Scheinzeit), uma realidade que possui apenas passado e futuro, sem presente, e que fragmenta a unidade do ser em não-unidade e em elementos separados.
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O tempo cósmico se relaciona com o supratemporal como a parte se relaciona com o todo.
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No interior do tempo cósmico, há apenas um “uma coisa após e fora de outra” (nacheinander und auseinander): WERKE 2, 27.
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A experiência da realidade temporal é de inquietação, gerando uma atração em direção à reintegração no supratemporal, à integridade e à plenitude do ser.
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Os filósofos da natureza erram ao tomar a temporalidade, a materialidade e a mudança como primitivas e constitutivas da realidade, pois o tempo cósmico não foi previsto desde o início da criação, sendo resultado da Queda e tendo origem em um evento pré-mundano.
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A referência ao evento pré-mundano aparece em WERKE 14, 38.
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O cosmos temporal é simultaneamente um mal e uma bênção: impede a queda total no nada e oferece a possibilidade de redenção.
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“O tempo nos foi dado para que nos tornemos livres do tempo”: WERKE 12, 417-19.
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O infratemporal é o tempo falso em que habitam os demônios, possuindo apenas passado.
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As diferentes regiões do tempo são concentricamente inclusivas, sendo cada região superior central em relação à inferior e cada região inferior periférica em relação à superior, princípio que se tornou igualmente central na filosofia de Dooyeweerd, conforme ele mesmo afirmou em sua conferência de 1964, às vésperas de sua aposentadoria.
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Sem a distinção central/periférico, a filosofia de Dooyeweerd não pode ser compreendida.
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A conferência de 1964 está referenciada em DOOYEWEERD 2007.
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