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SWEDENBORG
ROWLANDSON, William. Borges, Swedenborg and Mysticism. Oxford: Peter Lang AG, Internationaler Verlag der Wissenschaften, 2013.
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A presença de Emanuel Swedenborg na produção literária de Jorge Luis Borges revela-se uma realidade intelectual mais densa do que a exegese tradicional admite, manifestando-se em uma vasta rede de poemas, ensaios e contos que transcendem as noventa e cinco referências a Dante Alighieri catalogadas por Rodríguez Risquete.
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Constam na lista de aparições literárias identificadas as obras Testigo a lo invisible, o poema Emmanuel Swedenborg de El outro, el mismo e Doomsday de Los Conjurados.
O inventário das alusões ao místico sueco abrange obras fundamentais como El espejo de los enigmas, Nueva refutación del tempo e Historia de la Eternidad, além de prefácios e notas críticas sobre autores como Oscar Wilde, Blaise Pascal e George Bernard Shaw.-
Sir William Barrett, William Blake e Léon Bloy são associados a Emanuel Swedenborg em análises sobre a sobrevivência da personalidade após a morte e mitologias pessoais.
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Experiências pós-morte relatadas por Sir William Barrett corroborariam a teologia celestial de Emanuel Swedenborg, enquanto Léon Bloy é descrito como um profeta e visionário semelhante ao sueco.
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Leslie Weatherhead e Xul Solar são mencionados em notas sobre a continuidade da vida e catálogos de obras.
A atividade de seleção e tradução de textos de Emanuel Swedenborg em antologias como Historia universal de la infamia e El Libro del cielo y del infierno estabelece o autor sueco como a autoridade máxima em questões escatológicas e na descrição da vida após a morte.-
Un teólogo en la muerte e Un doble de Mahoma figuram entre as reproduções selecionadas para a Antología de la literatura fantástica organizada com Silvina Ocampo e Adolfo Bioy Casares.
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Sete passagens de Emanuel Swedenborg, incluindo Correspondencias arcanas e Las formas del infierno, compõem o volume sobre o além.
A intenção recorrente de dedicar um volume monográfico a Emanuel Swedenborg manifestou-se em diversas entrevistas concedidas a interlocutores como Miguel Enguídanos, Willis Barnstone e Hughes, embora tal projeto nunca tenha atingido a publicação definitiva.-
Salas, Bourne, Ernesto Sábato, Amelia Barili, Ronald Christ e Donald Yates registraram em diálogos a persistência desse interesse temático borgeano.
O volume expressivo de referências indica a presença perpétua de Emanuel Swedenborg no pensamento borgeano, funcionando como o parâmetro absoluto para o julgamento de relatos sobre viagens celestiais, comunicação com anjos e teologias heterodoxas.-
Adolfo Bioy Casares é mencionado como coautor do Libro del cielo y del infierno, onde o místico sueco ocupa papel central e recebe referência específica no prólogo.
O início da atividade de conferencista aos quarenta e sete anos proporcionou uma nova justificativa existencial e financeira, permitindo a exposição de temas como Emanuel Swedenborg, William Blake, o budismo e a cabala em viagens pela Argentina e Uruguai.-
Martin Buber, Miguel de Cervantes, Dante Alighieri, T. E. Lawrence, Heinrich Heine e os místicos persas e chineses integravam o repertório de palestras que superou a rotina da biblioteca.
A identificação da origem do contato com a obra de Emanuel Swedenborg é dificultada pelo impacto profundo que o visionário exerceu sobre uma vasta gama de autores lidos com afeição, incluindo Johann Wolfgang von Goethe, Samuel Taylor Coleridge, Ralph Waldo Emerson, Thomas De Quincey, Thomas Carlyle, Henry David Thoreau, Walt Whitman, Herman Melville, Nathaniel Hawthorne, Henry Wadsworth Longfellow, Emily Dickinson, Robert Frost, Algernon Charles Swinburne, Dante Gabriel Rossetti, August Strindberg, Friedrich von Schelling, Alfred Tennyson, William James, Henry James, Charles Sanders Peirce, William Butler Yeats, Edgar Allan Poe, Victor Hugo, Gustave Flaubert, Honoré de Balzac, Charles Baudelaire, Paul Valéry, George Sand, Robert Browning, Elizabeth Barrett Browning, Gilbert Keith Chesterton, Arthur Conan Doyle, Arthur Schopenhauer, Immanuel Kant, Carl Jung, Henry Corbin, Rudolf Steiner, Liev Tolstói, Fiódor Dostoiévski, Carl Sandburg, Soren Kierkegaard, Karl Jaspers, Bertrand Russell, C. S. Lewis, James Joyce e Howard Phillips Lovecraft.-
Johann Wolfgang von Goethe teria concluído Fausto após ler De Coelo et ejus Mirabilibus et de Inferno, conforme James Lawrence, enquanto Honoré de Balzac expõe a teologia espiritual em Serafita.
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A descoberta de Fiódor Dostoiévski é comparada por Jorge Luis Borges à descoberta do amor e do mar.
Permanece incerta a condição de leitores de Emanuel Swedenborg em relação a outros favoritos borgeanos como Oscar Wilde, Rudyard Kipling, Robert Louis Stevenson, Joseph Conrad, George Bernard Shaw, Samuel Johnson, William Wordsworth, Mark Twain, Miguel de Unamuno, Lewis Carroll, Thomas Stearns Eliot, Robert Frost, Ezra Pound, William Faulkner, Stephen Crane, Ambrose Bierce, John Keats, Herbert George Wells e Franz Kafka, apesar da afinidade intelectual demonstrada em suas obras.-
Immanuel Kant investigou Emanuel Swedenborg em Traume eines Geistersehers, obra também comentada por Bertrand Russell.
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George Bernard Shaw teria chegado a ideias semelhantes de forma independente ou sob estímulo de William Blake.
A influência de Emanuel Swedenborg nas correntes intelectuais, artísticas e espirituais é considerada muito superior ao reconhecimento habitual, conforme defendem estudiosos como Eugene Taylor, Wilson Van Dusen e James Lawrence, abrangendo tanto o Ocidente quanto o Oriente.-
Daisetz Teitaro Suzuki é mencionado como elo da influência swedenborgiana no pensamento oriental.
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James Lawrence descreve a natureza do autor argentino como essencialmente swedenborgiana.
A presença reduzida de Emanuel Swedenborg na tradição hispânica decorre da resistência das autoridades católicas às influências seculares do Iluminismo e da dimensão protestante e anti-eclesiástica do pensamento sueco.-
Henry Chadwick observa a ausência de obras do místico na Biblioteca do Vaticano e na biblioteca da Inquisição.
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O Index Librorum Prohibitorum teria limitado o acesso do público educado em países católicos às obras publicadas em Londres e Amsterdã.
As qualidades inovadoras e a postura crítica em relação às instituições religiosas constituem os elementos que atraíram o interesse borgeano, diferenciando-se radicalmente do catolicismo argentino.-
Publicações de denominações swedenborgianas citam Jorge Luis Borges como um leitor próximo e simpático.
A investigação sobre a medida da influência de Emanuel Swedenborg na estética poética e ficcional revela uma dimensão ética inesperada, caracterizada por marcas visíveis do ethos celestial do visionário sueco.-
O estudo concentra-se no espaço narrativo de contos e poemas sobre a persistência da alma após a morte e a paisagem do mundo visionário.
A existência de uma lei moral intrínseca ao ser humano, percebida independentemente das consequências externas do ato, aproxima a sensibilidade borgeana da perspectiva de que o céu e o inferno são estados da alma que circundam o indivíduo já em vida.-
Amelia Barili registrou declarações sobre a natureza inquestionável da ética e o conhecimento interno sobre o agir bem ou mal.
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O instinto ético orientaria a escolha de caminhos apropriados ao estado moral de cada alma.
A preferência declarada pelas nações protestantes em detrimento das católicas fundamenta-se no rigoroso cuidado com a ética observado nessas sociedades, conforme exposto no prefácio de Elogio de la Sombra.-
A mentalidade protestante é associada a uma valorização superior do ethos moral em comparação à tradição católica.
O ensaio La duración del infierno de 1929 constitui a primeira menção formal a Emanuel Swedenborg, estabelecendo que a eternidade do castigo é uma exigência da dignidade do livre-arbítrio em oposição às conveniências institucionais das igrejas.-
A análise sugere que o objetivo das doutrinas eclesiásticas ao propor o sofrimento eterno era meramente a imposição da obediência aos dogmas.
O argumento herético de que o homem possui o direito atroz de se perder e rejeitar a graça divina atribui a responsabilidade pelo destino eterno à alma humana e não a um julgamento externo.-
O eu é visto como uma entidade cujas ações transcendem o tempo, evitando que a personalidade seja tratada como uma ilusão.
A condição de coexistência invisível com comunidades angelicais ou infernais durante a vida corporal define a transição imediata para esses mesmos agrupamentos no momento da morte.-
Emanuel Swedenborg descreve em De Coelo et ejus Mirabilibus et de Inferno que as pessoas boas estão em comunidades angelicais e as más em comunidades infernais através de seus próprios espíritos.
O amor constitui o princípio orientador que projeta cotidianamente os céus e infernos ao redor do homem, tornando a salvação ou a perdição uma obra constante de esculpir a própria eternidade.-
A doutrina é apresentada em Testigo de lo invisible como mais moral e razoável do que a salvação fortuita obtida no último instante da agonia.
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O equilíbrio entre as esferas do bem e do mal é requerido para o exercício do livre-arbítrio, que deve escolher incessantemente entre o que emana de cada âmbito.
As representações estéticas do inferno em George Bernard Shaw e Emanuel Swedenborg são valorizadas por defenderem o destino humano contra o arbítrio da vontade divina ou as recompensas cegas da fé.-
Man and Superman é citado ao lado dos tratados suecos como modelos de descrição ética que enfatizam o estado de arroubo diante do mistério da existência.
A percepção de que a morte ocorre em cada instante de repetição mecânica ou falta de descoberta define a vida real como um estado de curiosidade perene e recepção de experiências transformadas em fábulas e poemas.-
Willis Barnstone compilou diálogos onde se afirma que um único dia contém muitas mortes e renascimentos.
O juízo final não é compreendido como um evento terminal no tempo, mas como um processo contínuo onde cada ação revela instantaneamente se o indivíduo está agindo de forma correta ou errônea.-
O instinto humano reconheceria a retidão do caminho percorrido a cada momento da existência.
O céu e o inferno não são lugares espaciais, mas condições da alma determinadas pela vida anterior, cujas portas permanecem abertas sem que o paraíso seja vedado ou o castigo imposto a ninguém.-
As almas dos mortos criariam seus próprios âmbitos de existência, conforme a posição defendida por James Lawrence sobre a natureza borgeana.
A admiração pela Divina Comédia coexiste com a rejeição sistêmica da base teológica de prêmios e punições, em favor de uma visão onde o inferno tem início na existência presente.-
Dante Alighieri teria se equivocado sobre a inscrição na porta do inferno, pois a esperança deve ser abandonada aqui para permitir a felicidade momentânea.
A dimensão ética na obra de Emanuel Swedenborg manifesta-se no contraste entre o amor divino e o vício demoníaco, incentivando o autoexame para a identificação do amor predominante.-
George Bernard Shaw e Dante Alighieri são lidos sob essa perspectiva ética derivada das obras do místico sueco.
O tratado De Coelo et ejus Mirabilibus et de Inferno é considerado a obra de maior impacto e beleza, oferecendo um relato lúcido e articulado que confere normalidade à realidade do outro mundo.-
A clareza das descrições swedenborgianas desafia a distinção entre o real e o fantástico, tornando o outro mundo algo comum e cotidiano.
A descrição das hierarquias angelicais e da paisagem do outro mundo encontra uma síntese concisa no texto Los ángeles de Swedenborg inserido no Libro de los seres imaginarios.-
Margarita Guerrero colaborou na redação da obra, enquanto Silvina Ocampo e Adolfo Bioy Casares participaram da Antología de la literatura fantástica.
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Anthony Kerrigan traduziu este último volume como Extraordinary Tales, que posteriormente recebeu prefácio de Ursula K. Le Guin.
O extrato de Arcana Coelestia intitulado Un teólogo en la morte funciona como um modelo para as representações ficcionais de realidades sobrenaturais e para a análise da tensão entre fé e heterodoxia.-
A inclusão do texto em Historia universal de la infamia reforça sua importância na trajetória crítica borgeana.
A precariedade do domínio do latim sugere que a tradução das passagens de Emanuel Swedenborg foi realizada a partir de versões em inglês ou espanhol e não diretamente do original.-
O caráter intrinsecamente borgeseano da passagem escolhida é ressaltado, apesar de ser um relato de segunda mão.
O uso de relatos atribuídos a anjos estabelece camadas de ficcionalidade que convidam o leitor ao espaço textual, mesclando ficção e lenda histórica em uma justaposição narrativa.-
A possibilidade de dialogar com pessoas que viveram há mais de dois mil anos é mencionada como parte das atividades visionárias.
O destino do reformador Philipp Melanchthon ilustra a obstinação dogmática de quem, mesmo após a morte, insiste no valor da fé isolada em detrimento da caridade, terminando por distanciar-se do amor divino.-
Martinho Lutero é mencionado como colaborador de Philipp Melanchthon, que acaba em consórcio com demônios e mágicos devido ao seu orgulho.
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Hermann Hesse e James Joyce são citados em nota sobre a profundidade da leitura de Arcana Coelestia, sugerindo que a exegese bíblica extensiva era frequentemente ignorada em favor de passagens sobre anjos e demônios.
A constatação de que a fé desprovida de amor e caridade não possui utilidade no mundo espiritual ressoa o posicionamento de São Paulo e expõe a impossibilidade de hipocrisia no céu.-
A natureza real da alma torna-se visível no além, onde a experiência e a imaginação constituem as bases epistemológicas da visão filosófica.
O conto Diálogo de muertos apresenta os personagens Juan Manuel de Rosas e Juan Facundo Quiroga em um estado de desorientação inicial sobre a própria morte, exigindo uma adaptação às novas circunstâncias espirituais.-
A narrativa situa-se no retorno de Juan Manuel de Rosas à Argentina em 1877, figurando como um arena pós-morte para a reconciliação com as vidas anteriores.
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Edwin Williamson trata da ascendência borgeana vinculada a essas figuras históricas retratadas em poemas de juventude.
Uma atmosfera de escualidez e decomposição permeia o relato da morte dos caudilhos argentinos, evocando as paisagens infernais pantanosas e ruinosas descritas por Emanuel Swedenborg.-
Juan Manuel de Rosas manifesta o orgulho característico de Philipp Melanchthon, enquanto Juan Facundo Quiroga demonstra capacidade de aprendizado no reino dos mortos.
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Juan Rulfo e o romance Pedro Páramo são citados como paralelos literários para a revelação gradual da condição de falecido dos personagens.
O inferno é caracterizado como um mundo de baixa política e conspiração constante, onde os réprobos se sentem felizes em seu ódio mútuo e na ausência de um monarca absoluto.-
As zonas pantanosas e cidades destruídas por incêndios compõem a cenografia infernal percebida tanto por anjos quanto por observadores externos.
As regiões infernais abrigam espíritos em cabanas rudimentares ou ruínas urbanas marcadas por brigas constantes, hostilidade e atos de violência praticados por ladrões.-
A presença de lixo e excrementos em bordéis fétidos define as zonas mais abjetas do inferno espiritual.
Os recém-mortos projetam uma imagem ilusória de seu âmbito habitual e das pessoas conhecidas por um tempo indefinido, até que a realidade do estado espiritual se imponha.-
Os móveis do quarto de Philipp Melanchthon começam a desaparecer conforme ele persiste na autoridade terrena, enquanto figuras sem rosto gravitam ao redor de Juan Manuel de Rosas.
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Almas cheias de amor divino são atraídas para as regiões angelicais, enquanto almas odiosas gravitam para os reinos demoníacos.
A incapacidade de habitar o calor celestial por parte daqueles entregues ao amor carnal e à crueldade conduz naturalmente à afinidade com as regiões infernais, onde a felicidade reside no exercício do poder e no ódio recíproco.-
A política é definida no sentido sul-americano como a vida dedicada a conspirar, mentir e se impor aos outros.
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Juan Manuel de Rosas é retratado como uma alma desafiadoramente relutante em abandonar o poder político mundano.
O encontro entre Juan Facundo Quiroga e Juan Manuel de Rosas assemelha-se ao dos irmãos Caim e Abel na narrativa Leyenda, onde o esquecimento permite o perdão, embora o caudilho resista em abandonar sua identidade terrena.-
Ralph Waldo Emerson descreve o tormento dos fantasmas que não conseguem lembrar que morreram, situação em que se encontra Juan Manuel de Rosas.
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Juan Facundo Quiroga reconhece sua condição de fantasma imortal preparado para avançar nas regiões dos mortos.
A manutenção do ódio por parte dos vivos impede a dissolução infinita de figuras históricas, mantendo-as presas a uma existência sombria pela força da memória coletiva e da caridade invertida.-
Juan Facundo Quiroga, apesar do orgulho demonstrado no poema anterior, parece ter encontrado um caminho para além das regiões infernais através do aprendizado na morte.
O posicionamento swedenborgiano sobre as escolhas conscientes das almas estabelece que o inferno habitado pelas figuras históricas não é um castigo externo, mas a continuidade das batalhas que definiram suas vidas.-
A investigação sobre a duração do inferno revela a rejeição das perspectivas teológicas medievais sobre o sofrimento.
O espaço poético e ficcional é compreendido como uma ordem epistemológica semelhante à Imaginação de William Blake ou ao mundus imaginalis de Henry Corbin, transcendendo a mera fantasia literária.-
A realidade das visões de Emanuel Swedenborg é contraposta à irrealidade poética de Dante Alighieri para evidenciar a natureza liminar do espaço imaginal.
A defesa de Emanuel Swedenborg contra as acusações de loucura fundamenta-se na ideia de que suas visões não são delírios, mas percepções perceptíveis de uma realidade angélica equivalente ao mundo físico.-
O céu e o inferno da doutrina sueca não são lugares geográficos, mas condições da alma determinadas pela vida anterior.
O céu e o inferno correspondem a espaços liminares situados entre a realidade material e a ficção pura, assemelhando-se ao mundo dos sonhos de Carl Jung e à imaginação de Samuel Taylor Coleridge.-
Cristóvão Colombo, J. R. R. Tolkien e Érico o Vermelho são mencionados em comparações sobre a natureza das descobertas e a criação de mundos como Mordor ou o Condado.
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Kathleen Raine afirma que as paisagens da alma na arte e na poesia são linguagens para discursar sobre realidades do mundo inteligível e metafísico.
Emanuel Swedenborg não criava ficções como um romancista, mas vivenciava experiências de deslocamento pelo espírito que mantinham a lucidez e a visão clara de palácios e rios.-
O estado de ser levado pelo espírito anula a percepção do tempo, da distância e da fadiga corporal.
O desafio imposto à mente reside na interação constante da imaginação com as coisas percebidas pelos sentidos, recusando o enclausuramento do espiritual no domínio exclusivo da arte ou da poesia.-
Czeslaw Milosz analisa o respeito de William Blake pela imaginação de Dante Alighieri e Emanuel Swedenborg, apesar do latim pedestre deste último.
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Karl Jaspers é citado quanto ao direito do poeta de inventar, distinguindo tal ato da escrita de ficção consciente.
As jornadas espirituais de Emanuel Swedenborg originaram-se em sonhos, visões e transe despertado pelo controle da respiração e meditação, estabelecendo uma relação direta com o numinoso.-
Robert Moss classifica essas experiências como formas estáticas e potentes de sonho.
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Carl Jung e a Função Transcendental, posteriormente renomeada como Imaginação Ativa no Livro Vermelho, são associados a esse processo de busca visionária.
Os relatos de experiências fora do corpo e de quase-morte em Emanuel Swedenborg encontram eco em pesquisas contemporâneas que descrevem a visão através dos olhos do espírito em detrimento dos olhos corporais.-
Raymond Moody e Wilson Van Dusen discutem a perplexidade das pessoas que se encontram fora de seus corpos em ressonância com os relatos do místico sueco.
O diálogo entre Juan Facundo Quiroga e Juan Manuel de Rosas culmina na percepção de que o âmbito em que se encontram assemelha-se a um sonho sonhado por outrem, indicando a transitoriedade de todas as coisas.-
Juan Manuel de Rosas manifesta a estranheza de estar morto ao perceber o cenário como uma projeção alheia.
O chamado de Alguém interrompe a conversa dos caudilhos, sugerindo uma intervenção externa que encerra o diálogo no ano de 1877.-
A identidade desse Alguém permanece misteriosa, podendo referir-se ao autor Jorge Luis Borges, ao leitor ou a uma entidade angélica.
A provocação de uma relação labiríntica entre ficção e realidade, vivos e mortos, desafia as certezas ontológicas essenciais e questiona a natureza do real no clima latino-americano.-
Henry Corbin argumenta sobre a necessidade de ferramentas epistemológicas corretas para abordar questões imaginais em vez de buscar respostas concretas.
A presença das obras visionárias de Emanuel Swedenborg constitui um elemento poderoso dentro da produção borgeana, fornecendo elementos para contos que exploram a condição pós-morte.-
A inclusão da passagem sobre o teólogo em Un teólogo en la morte é considerada um elo significativo com o conto Diálogo de muertos.
As peças breves das obras tardias, como as contidas em Elogio de la sombra, costumam receber menor atenção crítica apesar de confrontarem a natureza da morte de forma profunda.-
Uma lista de trinta e sete provérbios intitulada Fragmentos de un evangelio apócrifo permanece como um objeto de estudo pouco explorado.
Os provérbios sintetizam a posição ética borgeana influenciada por Emanuel Swedenborg, revelando-se iconoclastas, humildes e dotados de sabedoria prática.-
A natureza desses aforismos assemelha-se a um koan do Budismo Zen em sua capacidade de oferecer conselhos perspicazes e humorados.
Jorge Luis Borges exercia uma forma de aconselhamento espiritual e ético através de suas máximas, embora evitasse o rótulo de mestre ou professor espiritual.-
A análise de provérbios específicos revela a profundidade do pensamento swedenborgiano integrado à sua própria voz.
A advertência de que os pobres de espírito permanecerão na sepultura o que foram na terra enfatiza a necessidade do engajamento pleno com o mundo como condição para a felicidade celestial.-
Emanuel Swedenborg relata o destino melancólico de eremitas que renunciaram ao mundo em busca de piedade, mas acabaram por perturbar a felicidade dos anjos.
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Aqueles que se isolam dos deveres da caridade terminam em lugares desertos liderando vidas semelhantes às que tiveram no mundo material.
A felicidade dos misericordiosos reside no próprio exercício da misericórdia e não na expectativa de um prêmio futuro, diferenciando o ato generoso da busca por autoengrandecimento.-
Norman Thomas di Giovanni é o tradutor responsável pela versão bilíngue de In Praise of Darkness utilizada nas análises.
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Os anjos recusariam qualquer agradecimento pelo bem realizado, pois o verdadeiro bem provém do Divino e não do indivíduo egoico.
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Os puros de coração são descritos como aqueles que já são capazes de ver a Deus em seu estado presente.
O ato de amar o inimigo é descrito como uma tarefa angélica que transcende as capacidades humanas ordinárias, comumente focadas em obras de mera justiça.-
O amor ao próximo é frequentemente mal compreendido como um meio de obter favor celestial, quando deveria ser um ato de total abnegação.
A acumulação de ouro é denunciada como geradora de ócio, tristeza e tédio, embora a riqueza em si não constitua um obstáculo à entrada no céu conforme a teologia swedenborgiana.-
A felicidade do pobre sem amargura e do rico sem soberba é destacada como um estado ideal de desapego moral.
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Riquezas abundantes não impedem a salvação, desde que haja um reconhecimento interno da Divindade e a intenção de servir ao próximo.
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O amor ao eu e o amor ao mundo são apontados como os únicos obstáculos reais para trilhar o caminho celestial.
O amor conjugal é apresentado como a porção terrestre do amor divino, permitindo que os amantes permaneçam unidos no mundo espiritual dentro de um estado de felicidade perene e alegria celestial.-
Emanuel Swedenborg dedica extensas descrições ao avanço dos anjos em direção a uma primavera eterna e ao gozo pleno de tudo o que é bem-aventurado.
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A felicidade é vista como um bem em si mesmo que não requer causa externa, sendo a ausência dela considerada um pecado grave no poema El remordimiento.
A narrativa His end and his beginning relata as atividades de um homem recém-falecido que inicia um processo de aprendizado sobre a natureza da morte em um ambiente reminiscente dos tratados suecos.-
O protagonista afunda-se em um sono profundo após a agonia da morte, marcando o início de sua transição espiritual.
A relação entre o sono e o desencarne é fundamental para a compreensão da dimensão swedenborgiana, onde os espíritos despertariam e dormiriam no plano espiritual.-
O sonho dos mortos pode constituir uma jornada de descoberta em níveis mais profundos da mente, conforme relatos em De Coelo et ejus Mirabilibus et de Inferno.
O destino celestial de um indivíduo pode ser dificultado pela sua própria incapacidade cognitiva de compreender o novo estado de existência, levando-o a tentar manter a rotina anterior.-
Tal como Philipp Melanchthon, o protagonista percebe o desaparecimento gradual dos objetos materiais que o cercam e a indiferença de seus antigos colegas.
A consciência da própria morte ocorre através da súbita realização de que não era possível recordar as formas, os sons e as cores dos sonhos, revelando que a realidade atual do indivíduo tornou-se, ela mesma, um sonho.-
Este despertar para o caráter onírico da morte estabelece a conexão final entre a visão espiritual e o ato de sonhar.
Emanuel Swedenborg relata que o acesso à terra dos mortos ocorre através de visões e sonhos de grande profundidade, possibilitados pela inatividade do corpo material e da respiração.-
Arthur Conan Doyle observa que a morte é facilitada por seres celestiais que garantem um período de repouso absoluto ao recém-chegado.
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William Shakespeare e Pedro Calderón de la Barca são associados à metáfora da vida como irrealidade onírica, onde o despertar para o céu ou o inferno constitui a verdadeira realidade.
O ingresso no céu exige o abandono doloroso de tudo o que constituía a identidade terrena, sob o risco de a alma ser abandonada pelos anjos psicopompos ao seu próprio destino demoníaco caso resista à mudança.-
Juan Manuel de Rosas e Philipp Melanchthon exemplificam a recusa em abandonar o poder e a autoridade, resultando na exclusão do paraíso.
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A identidade angélica é descrita como universal e não particular, refletindo preocupações borgeanas sobre o status do eu e o budismo.
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O protagonista anônimo atinge a graça divina ao desvincular-se do passado e do futuro, percebendo que sempre estivera no céu desde o momento do desencarne.
A presença de Emanuel Swedenborg informa as narrativas sobre a vida após a morte em toda a obra borgeana, fornecendo a substância essencial para contos de diversas décadas e para o sistema ético do autor.-
As imagens e paisagens swedenborgianas perpassam desde os ensaios iniciais até as Ficciones da década de 1940 e as entrevistas finais.
A academia de estudantes celestiais em Las ruinas circulares assemelha-se às comunidades de espíritos descritas no tratado De Coelo et ejus Mirabilibus et de Inferno, sugerindo níveis concêntricos de almas ansiosas por encarnação.-
O mago protagonista possui a habilidade de entrar na paisagem espiritual através de sonhos e meditação em sua busca por progênie.
O encontro com a alma falecida de Haydée Lange no volume Atlas ocorre através de uma visão onírica onde o narrador decide não atuar como psicopompo, deixando a função de guia para entidades angélicas.-
O diálogo silencioso com a morta é apresentado como um episódio de comunicação sutil entre planos.
O texto intitulado Abramowicz, pertencente ao último volume Los Conjurados, carrega as marcas das visões swedenborgianas sobre o além e constitui um estado de revelação genuína sobre os mistérios da morte.-
Maurice Abramowicz é mencionado como o amigo de juventude em Genebra cuja presença é percebida após o falecimento.
A experiência de revelação sobre a persistência da alma, ocorrida através da música grega, confirma por via empírica as doutrinas estudadas durante décadas nos livros de Emanuel Swedenborg.-
Amelia Barili recebeu relatos sobre a percepção de que a morte é mais implausível do que a vida e que a alma perdura quando o corpo se torna caos.
A multidão de sombras que acompanhava Maurice Abramowicz evoca as comunidades de espíritos descritas na obra swedenborgiana, sugerindo que ninguém morre verdadeiramente enquanto sua sombra for projetada.-
Ulisses e aqueles que beberam na fossa são convocados à presença do amigo falecido, que permaneceria silencioso e sorridente diante do maravilhamento dos vivos.
A exploração do espaço imaginal definido por Henry Corbin revela uma terceira via onde a imaginação e a realidade material encontram-se em uma curiosa inter-relação, superando a mera fantasia.-
Maria Kodama estava presente na taverna grega onde a música revelou que a entrada na morte deve ocorrer como o ingresso em uma festa.
A percepção de que a alma é persistente e o aspecto jubiloso das comunidades angélicas tornaram as palavras de Emanuel Swedenborg repentina e raptuosamente verdadeiras no final da vida de Jorge Luis Borges.-
O diálogo póstumo entre Jorge Luis Borges e Maurice Abramowicz envolveria debates teológicos com anjos e reflexões sobre os sonhos denominados Jules Laforgue e Charles Baudelaire.
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