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CRITCHLOW
Keith Critchlow. Time stands still. London: Gordon Fraser, 1979
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O mito, em seu sentido tradicional, expressa em linguagem simbólica verdades essenciais sobre a condição humana que não podem ser transmitidas em termos literais.
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Distinção entre mito tradicional (atemporal, psicológica e espiritualmente preciso) e mito moderno (tese parcial e plausível apenas no tempo).
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A teoria darwiniana da Origem das Espécies é um mito no sentido moderno.
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Apenas pelo mito os níveis expressivo, poético, intelectual e inspiracional da mente se unem no simbólico.
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A busca humana pelas origens nasce da intuição de que a chave do destino está escondida no princípio da existência.
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Celebrações de aniversário e a teoria de Darwin expressam igualmente essa busca.
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Os grandes mitos de criação da humanidade transmitem raízes e conferem sentido original à existência.
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O valor dos mitos de criação reside em sua efetividade, não em sua logicidade.
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A fascinação pelos megalitos decorre do reconhecimento dos próprios mitos de criação mudos inscritos na pedra.
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A cultura tecnológica ocidental atravessa uma fase anômala ao tentar conduzir a sociedade sem dimensão metafísica ou espiritual.
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A minoria tecnológica da família humana atual é tomada pela ganância material e energética.
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A dimensão espiritual é precisamente aquela que trata das origens, do destino e da relação da humanidade com o todo.
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Os paradoxos da riqueza material, da destruição dos recursos naturais e do aumento das doenças mentais apontam para o inédito histórico de uma cultura sem dimensão espiritual.
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Uma sociedade sem dimensão espiritual não é corretamente definível como humana.
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O preconceito moderno contra a religião resulta da falta de diferenciação entre experiência individual de religião e experiência religiosa em sentido pleno.
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A tradição é orientada pela certeza, enquanto as teorias modernas de substituição elevam a incerteza a valor absoluto, o que constitui contradição de sentido.
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A incerteza pressupõe a existência prévia da certeza, sem a qual não tem significado.
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O princípio de incerteza de Heisenberg refere-se à impossibilidade de um absoluto empírico, não a uma verdade filosófica geral, conforme citado ingenuamente por alguns.
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As tradições consensuais da humanidade apontam para dimensões metafísicas constitutivas de uma herança espiritual sem a qual a vida na terra carece de sentido.
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S. H. Nasr, em Ciência e Civilização no Islã, distingue o conhecimento mundano (empírico, relativo ao devir e à mudança) do conhecimento celestial (permanente, arquetípico e imutável).
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O conhecimento mundano fundamenta a scientia e as ciências separadas; o conhecimento celestial fundamenta a sapientia, descrita por Nasr como um conhecimento que ilumina todo o ser do conhecedor.
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A filosofia moderna confundiu-se ao atribuir status igual a opiniões relativas na busca pela certeza, resultando no questionamento da própria verdade como valor.
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O sol e a lua, marcos do tempo biológico e símbolos de permanência e ciclicidade, funcionam como focos de orientação física e metafísica nos templos humanos.
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Os círculos de pedra da Grã-Bretanha são templos no sentido verdadeiro do termo.
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A palavra origem deriva do latim orire (erguer-se como o sol), ligando-se a oriente e orientação; lúcido, luminoso e lunar compartilham a mesma raiz.
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As descobertas do professor Thom indicam implicitamente o uso de triângulos pitagóricos por construtores megalíticos cerca de um milênio antes de Pitágoras.
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Uma tabuinha babilônica da Coleção Plimpton da Universidade Columbia, antes classificada entre tablets comerciais, revelou conjuntos de pares de triplas pitagóricas.
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Os números envolvidos, como 12.709 e 18.541 (com tripla 13.500), exigiriam álgebra, trigonometria ou calculadora pelo método moderno, mas a álgebra era desconhecida no período pré-cristão.
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O domínio babilônico sobre quinze triplas pitagóricas levanta a questão de por que a generalização a² + b² = c² nunca foi expressa em forma abstrata.
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Duas explicações são possíveis: os matemáticos não desejavam que outros conhecessem as generalizações, ou não havia necessidade de expressá-las abstratamente.
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A segunda explicação implica que, para os homens daquela era, os números concretos transmitiam percepção imediata das relações gerais entre eles.
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O domínio demonstrado pressupõe familiaridade com a teoria dos números pitagóricos, a geometria dos triângulos retângulos, a aritmética de quadrados e raízes, elementos de trigonometria e a teoria dos números em expansão sexagesimal, tudo sem álgebra.
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Medida e número são as duas pedras angulares do raciocínio lógico e quantitativo, cabendo a cada civilização antiga uma ênfase distinta.
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Os mesopotâmicos privilegiavam o número; os egípcios, a medida; o megalítico britânico ocupava-se de ambos.
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O professor John Kreitner afirmou que, para as maiores realizações egípcias e babilônicas, não há registro de método, apenas a certeza de que o sabiam, e que a ausência de ferramentas formais implica uma profundidade de intuição maior do que a mente moderna está disposta a reconhecer.
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A intuição representa a antítese da análise e é, por isso, suspeita para a modernidade, mas é exatamente o equilíbrio entre intuição e lógica que se encontra nos artefatos megalíticos britânicos.
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Técnicas de sociedades primordiais, genericamente denominadas xamanismo, podem ser entendidas como meios de acesso não apenas à mente intuitiva, mas a profundidades de consciência além do que a mente moderna, nas palavras de Kreitner, está disposta a conceder.
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Há crescente interesse de psicólogos ocidentais pelas tradições de psicologia hinduísta iogue, budista meditativa, islâmica sufi, contemplativa cristã e pelas técnicas arcaicas de gnose sobre as quais as sociedades tradicionais fundamentam sua visão de mundo.
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Partindo da unidade da existência como característica primária da sociedade tradicional, a distinção entre templo e observatório torna-se desnecessária ao considerar os círculos de pedra.
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A resistência da comunidade arqueológica às descobertas do professor Alexander Thom sobre a estrutura geométrica dos círculos de pedra britânicos decorreu de preconceitos internos e de limitações metodológicas.
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A apresentação científica rigorosa das descobertas de Thom produziu efeito de ação retardada, pois a comunidade não pôde testar imediatamente toda a matemática e o levantamento profissional envolvidos.
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Havia preconceito contra a possibilidade de uma sociedade pré-letrada e, portanto, presumivelmente pré-numérica ser capaz de atividade matemática tão avançada.
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A suposição de que alinhamentos astronômicos implicam observatório e excluem templo reflete uma lógica de ou/ou tipicamente moderna, improvável na mente dos construtores.
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A visão predominante de que os círculos de pedra eram construções toscas de povos primitivos bloqueou a percepção de sua beleza e sutileza.
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Stonehenge era constantemente excusado sob o argumento de que romanos, micênicos ou outras civilizações mediterrâneas seriam os responsáveis.
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Essa atitude impediu o reconhecimento da beleza e da sutileza dos arranjos e das próprias pedras.
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O livro resultou do convite para unir forças com Rod Bull, cujas imagens excepcionalmente intuitivas e inspiradas dos círculos de pedra britânicos foram apresentadas junto à pesquisa acumulada de anos de estudo das mesmas estruturas.
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O trabalho sensível de Bull evidencia uma consciência em transformação quanto à beleza encarnada na forma e no arranjo dessas pedras massivas.
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Essa consciência foi educada pelo contato europeu com as grandes religiões do Oriente, especialmente pelos jardins de areia e rocha dos monastérios budistas japoneses.
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As fotografias de Bull são obras de percepção que capturam algo da imaginação e compreensão intuitivas dos construtores originais, complementando a tendência a superintelectualizar tais realizações criativas.
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