KRISTELLER
PAUL OSKAR KRISTELLER
Renascença: (Latim re + nasci, nascer) É um termo utilizado por historiadores para caracterizar diversos períodos de revivificação intelectual, e especialmente aquele que ocorreu na Itália e na Europa durante os séculos XV e XVI. O termo foi cunhado por Michelet e desenvolvido como conceito histórico por J. Burckhardt (1860), que considerou o individualismo, o revival da antiguidade clássica, a “descoberta” do mundo e do homem como os principais traços desse período em oposição à Idade Média. O significado, os limites temporais e até mesmo a utilidade do conceito têm sido disputados desde então. Pois a ênfase colocada por vários historiadores nos diferentes campos da cultura e na contribuição de diferentes países deve levar a interpretações diversas do período como um todo, e tentativas de expressar um fenômeno histórico complicado em uma definição simples e abstrata tendem a falhar. Os historiadores agora estão inclinados a admitir uma continuidade muito considerável entre a “Renascença” e a Idade Média. No entanto, uma rejeição total de todo o conceito é excluída, pois expressa a visão dos próprios escritores do período, que consideraram seu século uma revivificação da civilização antiga após um período de decadência. Enquanto Burckhardt não tinha prestado atenção à filosofia, outros começaram a falar de uma “filosofia da renascença”, considerando o pensamento desses séculos não como um acompanhamento acidental da cultura renascentista, mas como sua manifestação filosófica característica. Até agora, essa visão serviu mais como um princípio orientador frutífero do que como uma hipótese verificada. O pensamento renascentista pode ser definido de maneira negativa como o período de transição da interpretação teológica medieval para a interpretação científica moderna da realidade. Também exibe algumas características comuns, como uma ênfase no homem e em seu lugar no universo, a rejeição de certos padrões e métodos medievais de ciência, a maior influência de algumas fontes antigas recém-descobertas e um novo estilo e forma literária na apresentação de ideias filosóficas. Mais óbvias são as diferenças entre as várias escolas e tradições que não podem ser facilmente reduzidas a um denominador comum: Humanismo, Platonismo, Aristotelianismo, ceticismo e filosofia natural, aos quais podem ser adicionados o grupo dos fundadores da ciência moderna (Copérnico, Kepler, Galileo).–P.O.K. Cf. “Study of the Renaissance Philosophies,” P. O. Kristeller e J. H. Randall, Jr. in Jour. History of Ideas, II, 4 (Out 1941).
