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Homem, Astros e Deus

Alexandre Koyré — Místicos, Espirituais e Alquimistas do século XVI alemão

  • O homem compreende tudo — o mundo sensível e material, os astros e Deus — e por isso deve ter partes correspondentes aos três graus do universo: corpo, alma e espírito, sendo um autêntico microcosmo criado à imagem e semelhança de Deus e do mundo.
    • A imagem e semelhança de Deus é o espírito, enquanto alma e corpo representam o universo do qual foram feitos.
    • É possível estabelecer uma relação precisa entre os componentes do organismo humano e os do organismo do mundo, determinando a quais organismos correspondem os planetas, que regulam o universo como os órgãos internos regulam o organismo individual.
    • O Astrum interior do homem está regulado como um relógio, com número determinado de revoluções, e quando o homem morre antes de seu termo a força vital não empregada se encarna no corpo astral formando uma numia com propriedades vitalizadoras utilizáveis em medicina.
  • Todo existente é duplo: visível e tangível por um lado, invisível e intangível por outro, e assim como o homem possui uma alma invisível que governa o corpo, o universo possui uma entidade invisível, o Gestirn ou Astrum, que desempenha em relação ao universo o mesmo papel que a alma desempenha em relação ao corpo.
    • O Astrum é a alma do mundo que o habita, dirige e conduz, expressando-se pela posição dos astros como a alma humana se expresa por seu corpo.
    • O universo inteiro é um livro onde se pode ler a realidade astral, assim como ao perceber o corpo se lê a alma que nele se expressa.
    • Todos os corpos, inclusive os inertes como pedras e metais, possuem uma alma invisível que se expresa pelos corpos materiais, pois cada parte do universo reproduz e reflete a estrutura inicial do todo.
  • A ação dos astros sobre a terra e sobre os homens se realiza de duas maneiras: os astros como corpos que agem sobre os corpos, e o Astrum incorpóreo que influencia a alma humana como alma dos astros.
    • A alma humana sofre a influência do Astrum e quando se liberta um pouco dos laços do corpo vai fabular com a alma do mundo por meio de sonhos maravilhosos, especialmente durante o sono.
    • Existe também a influência inversa: a alma humana pode influir na alma do mundo, sugerindo-lhe ideias e sonhos que ela pensa e imagina por si mesma, realizando-os no mundo, de modo que a alma pode ordenar os astros e dirigir os acontecimentos.
  • Paracelso não é idealista: a relação de expressão à força ou essência expressa postula necessariamente a realidade de dois termos, e nada de exterior existe sem interior, mas também nada de interior sem exterior, nada de alma sem corpo.
    • A noção de um espírito incorpóreo e não encarnado lhe parece absurda.
    • A alma é ao mesmo tempo força mágica e pensamento, centro de força e de consciência, e o corpo é o primeiro produto da alma, a região de dominação que lhe serve de ponto inicial e de meios de ação.
    • O corpo animado humano recebe um duplo espiritual, o espírito corporal, e o mundo paracelsista se complica ao incorporar sonhos proféticos, casas frequentadas por aparições, ação mágica da vontade e comunicação à distância.
  • O corpo físico se dissolve na tumba, mas o espírito corporal subsiste por certo tempo após a morte e por inércia continua frequentando os lugares onde o corpo habitou, realizando simulacros de gestos da vida passada, sem possuir força, vontade nem consciência.
    • Essas sombras, as larvae, são apenas imagens flutuantes da vida passada, não tendo o alma já lá.
    • O evestrum, o corpo astral da alma, é diferente: como força e centro de ação e pensamento, pode determinar ações físicas, atravessar com velocidade extrema regiões distantes e agir diretamente sobre as almas, permitindo aos verdadeiros magos comunicarem-se entre si.
  • Todos os elementos são habitados por seres, e a vida pode criar centros subordinados em qualquer parte, razão pela qual seres menos perfeitos que o homem podem construir-se um corpo com elementos distintos dos que formam o homem e os animais.
    • Os quatro elementos visíveis não são propriamente elementos, mas corpos de verdadeiros elementos não materiais mas dinâmicos, e como os quatro elementos procedem de um só, o que está em um não pode deixar de estar em outro.
    • Ondinas na água, gnomos na terra e elfos no ar são fatos comprovados que a verdadeira ciência deve explicar, não negar.
    • Os gnomos, salamandras e elfos são seres mono-elementais, não comparáveis ao homem.
  • Os espíritos naturais elementais não devem ser confundidos com os demônios, que são anjos caídos, pois os espíritos naturais não pecaram e por isso não serão condenados, mas também não serão salvos nem participarão da imortalidade.
    • Não se deve temê-los como aos demônios, mas desconfiar deles, pois apreciam pregar peças nos homens, embora possam revelar segredos importantes sobre as propriedades de seu elemento.
    • A necromancia é uma solenidade tola, pois as larvae nada sabem nem pensam, salvo quando um demônio se apodera de seu corpo-simulacro para caçar os que se entregam a essas práticas.
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