Movimento
TANNER, André. Gnostiques de la Révolution. Paris: Engloff, 1946
DOS ERROS E DA VERDADE
Se eles [os geômetras] ainda não formaram uma ideia mais precisa do movimento, não será por causa do mesmo equívoco que os leva a confundir as coisas mais distintas, não será porque eles buscam apenas na extensão, em vez de buscar em seu princípio?
Pois essa extensão, tendo apenas propriedades relativas ou abstrações, é impossível que ofereça algo fixo e estável o suficiente para que a inteligência do homem se repouse de maneira satisfatória; e querer encontrar nela a fonte de seu movimento é repetir todas essas tentativas insuficientes que já foram refutadas e querer submeter o princípio à sua produção, enquanto que, segundo a ordem natural e verdadeira das coisas, a obra sempre esteve abaixo de seu princípio gerador.
É, portanto, no princípio imaterial de todos os seres, sejam eles intelectuais ou corporais, que reside essencialmente a fonte do movimento que se encontra em cada um deles. É pela ação desse princípio que se manifestam todas as suas faculdades, de acordo com sua posição e seu emprego pessoal, ou seja, intelectuais na ordem intelectual e sensíveis na ordem sensível.
Ora, se a única ação do princípio dos seres corporais é o movimento, se é somente por meio dele que eles crescem, se alimentam; enfim, manifestam e tornam sensíveis e aparentes todas as suas propriedades e, consequentemente, a própria extensão, como se pode então fazer depender esse movimento da extensão ou da matéria, uma vez que, pelo contrário, é a extensão ou a matéria que provém dele? Como se pode dizer que esse movimento pertence essencialmente à matéria, quando é a matéria que pertence essencialmente ao movimento?
É incontestável que a matéria só existe pelo movimento; pois vemos que, quando os corpos são privados daquele que lhes é concedido por um tempo, eles se dissolvem e desaparecem imperceptivelmente. É igualmente certo, por essa mesma observação, que o movimento que dá vida aos corpos não lhes pertence propriamente, pois vemos que ele cessa neles antes que eles deixem de ser sensíveis aos nossos olhos; da mesma forma, não podemos duvidar que eles estejam absolutamente dependentes dele, pois a cessação desse movimento é o primeiro ato de sua destruição. […]
Concluímos, portanto, que, se tudo desaparece à medida que o movimento se retira, é evidente que a extensão só existe pelo movimento, o que é bem diferente de dizer que o movimento está na extensão e na extensão.
