Vida, Saber e Sabedoria
TANNER, André. Gnostiques de la Révolution. Paris: Engloff, 1946
O Novo Homem
Que fazes, doutos ignorantes, quando destrinchas as leis da formação do mundo?
É com a morte que compões a vida; obteis toda vossa física nos cemitérios.
De que vossos gabinetes de ciência estão cheios? de esqueletos e de cadáveres, dos quais cuidas em bem conservar a forma e as cores, mas cujo princípio e a vida estão separados.
Vossos pensamentos não vos dizem que há uma física melhor que essa aí; e que é ela onde não há ocupação senão dos princípios, e onde os corpos mortos estão afastados?
Mas não, portastes este olhar morto e destruidor sobre todos os objetos de vossas especulações.
Os homens não buscam as obras vivas. Tudo que fazem, tudo que escrevem, suas ocupações, seus tratados científicos, não são dirigidos para a vida.
Enquanto um só instante de atividade poderia os pôr em união com o verdadeiro, para dele jamais se separar!
A razão humana, funesto instrumento do qual abusamos, serve no entanto a aproximar o homem da vida, depois de tanto ter servido a dela se afastar.
Porque o conhecimento da essência do Ser é interdito, eles creram que o conhecimento de suas leis também fossem; e porque o conhecimento das leis do Ser nos foi recomendado, creram que aquele da essência era permitido.
O homem que está ligado à ação está na sua lei, porque o pensamento que o governa não o deixa. O homem que se lança por si mesmo ao pensamento não o é, porque a ação aí falta para completá-lo.
Da mesma maneira, que maior prova da fraqueza do homem, que multiplicidade de sua palavras?
Veja onde a penúria de ação conduz os homens insensivelmente. Ela os conduz à penúria das ideias, e a penúria das ideias os leva a não ter por recursos senão os relatos.
És um ser ativo por tua natureza; quando vives afastado dos princípios e das verdades que esclarecem, tens recurso à pintura de seus resultados, que distraem.
Assim o mundo está pleno de pessoas que recitam, vazio de pessoas que instruem. Eles tomam esta aparência de ação pela ação mesma, na medida que o homem é facilmente enganado pelas similitudes.
Eles tomaram o bisturi, e empreenderam a demonstração da inteligência, como o anatomista empreende aquela dos animais.
Mas a mão do anatomista não é assassina? e o menor dos atos que opera para conhecer os corpos não é um ato de destruição?
A natureza intelectual do homem, quando assim te dissecaram por este instrumento pernicioso, poderias te mostrar vivente, como serás sempre em tem conjunto?
Não, não oferecestes senão os membros isolados, desfigurados, e que seria preciso enterrar nos sepulcros.
E é sobre esta base alquebrada, que sempre vai se despencando, que elevaram o edifício do homem e do soberano Criador dos seres! Cientistas, esqueçam vossas ciências, elas puseram uma faixa sobre vossos olhos!
Mortais, não é nada conhecer estas verdades, não é nada estar convencido; o todo é realizá-las, e não vos dar um instante de repouso até que as sensações morais vos tenham sido tornadas tão naturais quanto as sensações elementares o são para vosso ser sensível.
Ministério do Homem Espírito
Kircher quis explicar os hieróglifos egípcios e a tabela isíaca. O que ele nos ensinou?
Se esses monumentos são fruto da sabedoria, estude primeiro o que é a sabedoria, para então poder descobrir sua ligação com eles. Mas essa noção verdadeira de sabedoria, não a busque por meio de pesquisas comuns, pois elas ainda não a encontraram.
Seria bom dizer a ele que não deve se gabar de possuir a sabedoria pela memória e pela simples cultura do entendimento; que essa sabedoria é como o amor materno, que só pode ser realmente sentido após as fadigas da gestação e as dores do parto.
Por fim, seria bom dizer a ele que não basta ao homem adquirir a tocha dessa sabedoria, mas que é preciso ainda conservá-la, o que é incomparavelmente mais difícil.
Do Espírito das Coisas
Como alcançará as obras e as operações invisíveis, se não adquiriu experiência nas obras visíveis e terrenas?
A medida de um erro é, ao mesmo tempo, a medida da verdade correspondente.
