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Tempo do Apocalipse
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Na obra de Santo Agostinho reencontram-se as grandes tendências do pensamento judaico, a começar pela estrutura em vinte e dois livros de A Cidade de Deus, que simboliza as vinte e duas letras do alfabeto de Israel.
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A Cidade de Deus se confunde com a Jerusalém celeste de que fala o Apocalipse.
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A conclusão necessária à qual chega a cidade terrena é seu inelutável aniquilamento, para que se instaure o reino do Messias.
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As raízes dessa reflexão agostiniana devem ser buscadas nas tradições de Israel e em suas esperanças.
O aparecimento do cristianismo no Ocidente, no século I da era cristã, foi marcado a fogo por sinais apocalípticos, e um acontecimento sacudiu a Diáspora de uma extremidade a outra do Império romano: em 70, o Templo foi destruído por Tito, iniciando uma longa série de perseguições.Em 132, outro acontecimento agitou a Diáspora: a insurreição liderada por Bar Kochba — o filho da Estrela — na Palestina, aclamado como messias ou como precursor.-
As esperanças suscitadas por Bar Kochba e as adesões e apoios que obteve demonstram claramente que a destruição do Templo foi considerada um sinal certo da iminência do fim dos tempos.
Os primeiros séculos da era cristã foram marcados por acontecimentos capazes de reavivar a esperança messiânica própria do pensamento judaico, transformando-a em uma inquieta busca, em todos os textos sagrados, de argumentos em favor da iminência do Apocalipse.-
Para Flávio Josefo, é a crença na iminente chegada de um rei messiânico que empurra os judeus para uma guerra suicida, que se concluirá com a conquista romana de Jerusalém e a destruição do Templo, conforme o Livro VI, v.
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Os cristãos imprimirão a esse pensamento seus Apocalipses, aguardando a destruição dos inimigos de Deus e a recompensa dos justos.
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O cristianismo, em um primeiro momento, conquistou os judeus da Diáspora, pois a ideia da vinda do Messias se inscreve logicamente no pensamento judaico, enquanto um pagão precisava fazer violência à sua razão para reconhecer o Cristo em um homem gerado da estirpe de Davi.
Por volta do século II, o tema do Apocalipse se precisa melhor no Livro dos Jubileus e nas Parábolas de Enoque, e a noção de reino messiânico é uma adaptação da noção de Terra Prometida: o que se colocava no espaço situa-se agora no tempo, ou melhor, no fim do tempo.-
Dos meios judaicos, essa crença se transmitiu aos cristãos através do Apocalipse, e o prazo de mil anos por ele fixado assumiu o valor de profecia.
No início do século II, a Epístola de Barnabé anuncia que o mundo deve durar seis mil anos, correspondentes aos seis dias da criação, e que ao início do sétimo milênio — ou sabático — aparecerá o Filho de Deus, destruirá os ímpios, julgará os malvados, regenerará o sol, a lua e as estrelas e reinará com os justos por mil anos.-
Terminado esse período, o oitavo dia marcaria o advento de um mundo novo e eterno.
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Pouco tempo depois, Papias de Hierápolis contaria que a terra conheceria uma fertilidade extraordinária durante o Milênio.
Tais exageros, grosseiros e maldestros, provocaram uma reação: primeiro Orígenes, do Egito, condenou o milenarismo, chamado também quiliasmo, afirmando que o advento do Reino não se situa nem no espaço nem no tempo, mas na alma dos crentes; depois o bispo Nepos escreveu um tratado intitulado Refutação das Alegorias para demonstrar que é preciso interpretar o Apocalipse no sentido mais literal, isto é, o que menos tolera implicações materiais.Após o século V, o milenarismo cessou de desempenhar um papel importante na história da Igreja, para penetrar contudo na história do Ocidente, manifestando-se, de século em século, em tempestades repentinas.-
Na realidade, até o século VII, a Europa ainda não havia tomado consciência de sua identidade: havia estendido até o Oceano o Império dos Césares e a civilização mediterrânea enriquecida por complexas correntes.
No século VII, o Islã se manifestou impetuosamente como religião, força militar e potência política ao mesmo tempo, em um início imprevisível e brutal que preludiou a uma expansão rápida e duradoura — talvez originalmente um movimento milenarista que tirou as tribos do Hidjaz de seu isolamento para lançá-las à conquista do Ocidente.-
A costa oriental e as margens meridionais do Mediterrâneo subtrair-se-iam por muito tempo ao Império de Cristo.
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O mar que os latinos chamavam Mare nostrum deixou de ser o milênio elo entre Oriente e Ocidente e tornou-se uma perigosa fronteira que encerrava a Europa do Sul.
Em 669, menos de trinta anos após a morte do Profeta, Constantinopla foi atacada pelos Omíadas; a Sicília, Creta, Rodes e Chipre foram postas a ferro e fogo, e cinquenta anos depois mil minaretes pontuavam de uma extremidade a outra um novo Império que se estendia do Mar Cáspio ao Oceano Atlântico.-
Já no século VIII, a Europa havia se reduzido ao papel de potência rural, e sua tradicional e densa rede comercial foi bruscamente interrompida e redimensionada.
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É precisamente a partir de então que a Europa toma consciência de ser o Maghreb: o Ocidente que se contrapõe ao Oriente, identificando-se com a Igreja no pensamento de reunir todos os cristãos de rito latino.
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Alcuíno, conselheiro de Carlos Magno, assimilou o reino de seu senhor à Cidade de Deus, baseando-se em Santo Agostinho, conforme Walter Ullmann em A History of Political Thought: the Middle Ages (p. 69).
Os navegantes abriram novas rotas comerciais, e os povos do Norte exportavam para o Oriente cobre, âmbar e estoques vivos de homens: os Eslavos, de cujo nome étnico deriva a palavra escravo.-
Do final do século IX ao século X, as proas dos drakkar sulcaram os mares da Europa setentrional, penetraram no Mediterrâneo pelo Atlântico, aventuraram-se além da Groenlândia e, pelos rios europeus, avançaram até o Mar Negro, o Mar Cáspio, Bagdá e o longínquo Oriente, conforme Holger Arbman em The Vikings (pp. 75-80).
Os vikings, que semearam destruição e morte em numerosas regiões europeias, foram contudo a origem do desenvolvimento industrial do condado de Flandres, de Arras a Gand.-
Flandres, desde a época romana, era um importante centro têxtil; essa indústria encontrou novo impulso no século X, com a importação de lã inglesa, podendo assim assegurar os novos mercados que se abriam com o revigoramento do comércio.
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A atual Bélgica e o Nordeste da França, a partir do século X, tornaram-se florescentes zonas industriais, e no século XII os comerciantes flamengos exportavam seus tecidos nos novos mercados da Alemanha central e meridional e, via Colônia, entroncamento de tráfegos internacionais, para o Levante.
Os novos centros industriais atraíram a população camponesa excedente, e o poder de compra se concentrou nas mãos de uma classe privilegiada, cuja conquista se transformou em cobiça de todos os bens do mundo, e a repartição da riqueza criou uma profunda desigualdade entre as classes sociais.-
Essa desigualdade não era mais a do feudalismo fundado em uma ordem precisa: a nova desigualdade era absoluta e nada a justificava, nem em termos morais nem filosófico-metafísicos.
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Bastava uma especulação afortunada para transformar um miserável em indivíduo abastado.
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A sociedade mercantil da Idade Média oferecia uma escolha aos deserdados que haviam abandonado uma terra incapaz de nutri-los.
Do século XI ao XIII, a população aumentou vertiginosamente no Principado de Flandres, entre o Somme e o Reno, e o Nordeste da França, os Países Baixos e o vale do Reno atingiram uma densidade de população tal que o sistema agrícola tradicional se revelou incapaz de assegurar o sustento.-
Muitos camponeses começaram a desflorestar, a sanear pântanos internos e costeiros para obter novas terras cultiváveis, ou tomaram o caminho do Leste para participar da grande colonização alemã dos territórios eslavos.
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Outra parte da população foi engrossar as fileiras do pauperismo rural; por fim, uma última e significativa fatia da população rural afluiu para os novos centros urbanos e industriais, dando origem a um verdadeiro proletariado.
O crescimento demográfico não é suficiente, por si mesmo, para provocar uma crise milenarista ou uma revolução, pois acumular explosivos não faz surgir a centelha, sendo necessário que entre em jogo outro fator.-
Formaram-se cidades-contêineres de homens, não de ou para os homens; os desenraizados que nelas habitavam não tinham ideais, devorados pela cobiça dos bens deste mundo.
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Os poucos que conseguiam se destacar alimentavam a louca esperança de massas inteiras.
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A indústria não conseguia mais absorver a população excedente, e as ruas das cidades e dos campos pululavam de mendigos, a quem se somavam bandidos e mercenários.
As indústrias da Idade Média, ou ao menos algumas delas, haviam deixado para trás há muito o estágio artesanal, quando, com benevolência patriarcal, um artesão trabalhava com dois ou três operários e um aprendiz.-
No âmbito da indústria têxtil, grandes comerciantes inauguraram uma forma de capitalismo arcaico e rudimentar, mas já capaz de romper as regras da sociedade tradicional e substituir com suas próprias regras as tradições corporativas dos artesãos: a exploração do homem pelo homem.
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Os operários especializados encontravam-se em situação precária: as guildas não podiam mais protegê-los eficazmente em uma sociedade onde regras morais e códigos de comportamento se atenuavam diante de uma vontade geral de enriquecimento.
A sociedade artesanal tradicional estava semisubmersa por uma massa de diaristas e trabalhadores ocasionais, desprovidos dos códigos profissionais e da proteção das corporações.-
Essa massa instável havia perdido a noção das relações sociais do velho mundo camponês, os laços tradicionais que uniam as famílias de um vilarejo a outro.
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Havia se formado um primeiro proletariado, constituído por camponeses sem terra, mendigos e vagabundos, e por todos os que, por uma razão ou outra, não podiam acessar um status social definido e reconhecido, vivendo em condição de miséria e incerteza crônicas.
Durante os séculos XI e XII, cada homem do povo carregava em si as imagens do Apocalipse, buscando nelas reconhecer os dramas de sua vida cotidiana, frequentemente martelada pelo galope dos Quatro Cavaleiros: a peste, a fome, a guerra e a morte.-
Cada mínimo motivo de preocupação, medo e entusiasmo era imediatamente reconectado a esse eixo de referência: o Apocalipse, o fim dos tempos.
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Como reação à sua miserável condição material, os homens se reuniam em grupos de salvação, de salvacionistas, sob a égide de indivíduos considerados santos.
A santidade, segundo o Evangelho, é dada também pela renúncia aos bens deste mundo, e era quase espontâneo para os pobres e deserdados reconhecer na indigência o sinal místico de sua eleição.-
A população excedente, às margens das grandes cidades industriais, considerava-se escolhida, eleita por Deus.
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A sede dos bens deste mundo, por um processo conhecido pelos psicólogos, tornava-se desejo de edificar uma nova ordem.
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As profecias escatológicas vindas de um país longínquo tornavam-se mito social, mola que impulsionava à ação nos albores do Ocidente.
Todos os movimentos quiliastas, da Idade Média ao Renascimento, tiveram como teatro de ação uma zona geográfica bem definida: o vale do Reno, a atual Bélgica, o Norte da França, algumas regiões da Alemanha central e meridional, a Holanda, a Vestfália e, nas duas margens dessa área, Londres e a Boêmia.-
Como sublinhado por Norman Cohn em Les Fanatiques de l'Apocalypse, basta um simples golpe de vista para perceber que as condições sociais que estão na origem dessas explosões revolucionárias apresentam uma notável uniformidade.
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Eram de fato as regiões onde o desenvolvimento econômico particularmente rápido se havia acompanhado de um forte incremento demográfico.
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Os laços sociais tradicionais haviam se enfraquecido ou desaparecido completamente, concomitantemente ao afirmar-se da vontade individual de enriquecer.
Nesse clima socioeconômico, a antiga crença no Reino vindouro parecia ter-se transferido das margens do Mediterrâneo para a Europa do Centro-Norte, e de especulação filosófica parecia transformar-se em um vinho novo forte demais que embriagava massas cujas estruturas tradicionais haviam sido destruídas ou abaladas pela nascente indústria.-
A Igreja, por seu lado, se entrincheirava em posições conservadoras diante de problemas sociais e econômicos cuja plena dimensão não conseguia captar, tendo durante muito tempo considerado o comércio uma forma de usura e os comerciantes aventureiros sem escrúpulos.
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Por sua parte, comerciantes e proprietários de empresas incluíram em um mesmo ressentimento não apenas a doutrina econômica da Igreja, mas também certos dogmas, certos costumes e o clero encarregado de aplicá-los.
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Nesses campos renanos, nos arredores de Colônia, estava se preparando lentamente o terreno onde germinaria a Reforma.
Revoltas populares, as primeiras de uma longa série, prepararam o mundo moderno e caracterizaram a Idade Média muito mais do que os castelos, as chansons de geste e os cavaleiros em armadura.-
Pareciam atiçadas por grandes comerciantes ansiosos por salvaguardar seus interesses e por perturbar as estruturas de uma sociedade camponesa ainda ligada às modalidades do contrato feudal, estável em seu equilíbrio como uma sociedade tradicional, e por separá-la da tutela da Igreja.
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Frequentemente os burgueses obtinham pacificamente seus objetivos e conseguiam governar por si mesmos suas cidades, mas se algum senhor rural se mostrava intratável, mobilizavam grupos insurrecionais, e o mesmo ocorria no interior das cidades.
Os historiadores frequentemente equivocaram o significado desses movimentos, nos quais acreditaram reconhecer o retorno de uma ingênua fé cristã tornada fanatismo.-
Na realidade, tratava-se de uma vontade dos homens de fundar pela força o reino prometido pelo Evangelho, cuja vinda, diferida de época em época, parecia ser adiada para o fim dos tempos.
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Não é a grande paura do Ano Mil que deve ser privilegiada em excesso, mas sim a grande esperança do Ano Mil, cultivada por aqueles que haviam visto frustrada sua ânsia de revanche neste mundo.
Formavam-se agregados sociais que tinham como objetivo não a construção de uma igreja em honra da Virgem ou dos santos, mas a edificação de um novo Estado justo, em que os pobres se tornariam donos da terra.-
Visionários, indivíduos de poucos escrúpulos, que talvez incluíssem santos em suas fileiras, leigos ou padres apóstatas, colocavam-se à frente desses movimentos proclamando-se profetas ou salvadores, quando não messias.
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Em 1110, Tanchelmo, vestido de monge, pregou a revolta às multidões que vinham ouvi-lo — insurreição que não era mais do que obediência ao espírito da reforma pontifícia, caso os bispos não fossem senhores feudais —, mas logo renunciou ao hábito para se vestir de ouro, acabando por se proclamar depositário do Espírito Santo, no mesmo plano de Cristo, e por desposar uma estátua da Virgem na presença de uma imensa multidão.
Movimentos análogos se desenvolveram e desapareceram periodicamente nesses séculos: por volta de 1135, Eudes da Estrela colocou-se à frente de um movimento insurrecional formado por camponeses famintos, exasperados por dois anos de carestia e miséria inimaginável, e hordas andrajosas de famintos o seguiram até as florestas da Bretanha.-
Talvez Eudes tenha tomado emprestado seu nome e a própria inspiração da revolta de Bar Kochba, que em 132 buscou expulsar da Palestina os invasores romanos para reconstruir o Templo, e cujo nome significava Filho da Estrela.
A voz de Urbano II, pregando a Cruzada, canalizou oportunamente em outra direção as aspirações daqueles que queriam construir a Cidade dos Justos, prometendo aos cruzados recompensas espirituais e a remissão dos pecados, mas também fazendo relampejar o miragem dos tesouros do Oriente.-
No Concílio de Clermont, o pontífice declarou que a terra habitada, cerrada pelo mar e por altas montanhas, constrangia em estreitezas a população numerosa demais, sem riquezas e fornecendo a custo o sustento de quem a cultivava, por isso convidando a abandonar os ódios mútuos e a tomar o caminho do Santo Sepulcro.
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Foram precisamente as superpovoadas regiões do Norte e de Flandres que forneceram às cruzadas suas tropas de pauperes — para falar como os cronistas da época —, considerados os únicos dignos de reconquistar a cidade santa e o túmulo de Cristo.
Os pobres, cuja ameaçadora angústia e intransigência evangélica preocupavam os príncipes, os bispos e os burgueses das ricas cidades industriais, foram direcionados e empurrados para o caminho das Cruzadas, ao assalto de uma Terra Prometida que o Ocidente lhes havia recusado.-
A Jerusalém que lhes havia sido prometida, mais do que uma cidade terrena, tornara-se a seus olhos o símbolo de uma esperança prodigiosa, o fim de uma miséria moral e material indescritível.
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O Ocidente saiu de seus confins europeus e lançou-se à sanguinária conquista do mundo, reaparecendo no pensamento ocidental a noção de Terra Prometida, não mais apenas como selo da aliança entre Deus e seu povo, mas como o inesgotável tesouro de todos os bens deste mundo, a ser conquistado não com orações ou jejuns, mas com a espada e a morte.
Diante dos santos, como os cruzados se autodefiniam, que não podiam nem fracassar nem pecar — diante dessa Armada da Luz vestida de linho branco de brancura perfeita, conforme o Apocalipse (XIX, 14) —, erguia-se um inimigo com suas hostes de demônios, cujo nome mudaria com o passar dos séculos conforme os climas socioculturais: o Infiel, o Judeu, o Padre malvado, Babilônia, a Prostituta escarlate.À frente dessas massas instáveis se sucederam diversos profetas que criaram nelas imensas correntes, comparáveis a marés: após a Cruzada dos Pobres, em 1198, liderada por Foulques de Neuilly, sucederam-se a Cruzada das Crianças em 1212 e a Cruzada dos Pastores em 1251.-
O fim religioso começou a se esvanecer e a fome de justiça tornou-se vontade de revolta.
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As Cruzadas terminaram mal do ponto de vista daqueles que haviam acreditado poder se livrar dessas massas inquietas lançando-as pelo caminho do Oriente.
Era necessário destruir a injustiça para construir a Cidade de Deus, como afirmou Renart o Disforme, identificando a injustiça entre os ricos e os poderosos deste mundo: em suas palavras, bravos trabalhadores preparavam o pão de cevada mas não podiam levar um bocado à boca, bebiam apenas a borra do bom vinho, teciam belas roupas mas só vestiam trapos miseráveis, pois tudo o que havia de bom e belo ia para os nobres e os padres.-
Esse sombrio ressentimento encerrava toda a força explosiva de um igualitarismo militante.
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De 1180 a 1325, movimentos revolucionários sacudiram incessantemente Flandres e o Norte da França.
A Europa enlouqueceu porque a peste reduziu em um terço sua população em um ano, e os povos reconheceram nela o sinal da cólera divina, procurando bodes expiatórios e perseguindo e queimando os judeus.-
Os flagelantes percorreram a Europa em todas as direções, animados por uma fé cristã radicalizada, mas logo escaparam ao controle da Igreja e seu movimento tornou-se uma verdadeira busca do Milênio.
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Passando da Itália para a Alemanha, reencontraram correntes milenaristas controladas a duras penas pela burguesia e pela nobreza, dando nova vida às velhas profecias de Joaquim de Fiore.
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A seus olhos, fundos de sofrimentos mais duros do que uma Paixão, a Igreja não era mais a esposa imaculada de Cristo, e eles, cujos corpos estavam reduzidos a massas inchadas de carne lívida e sangrante, recusavam a Eucaristia, considerada maculada pelas mãos dos padres de Roma.
Para os povos do Norte, a Igreja havia se tornado a casa do Diabo, que era preciso abater, o último refúgio dos réprobos que era preciso exterminar para que o Reino de Deus pudesse se instaurar na terra, dando aos eleitos uma felicidade milenar.esoterismo/servier/utopia/tempo-do-apocalipse.txt · Last modified: by 127.0.0.1
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