VON FRANZ
Marie-Louise von Franz (1915-1998)
KINGSLEY, Peter. Catafalque: Carl Jung and the end of humanity. London: Catafalque Press, 2018.
[…] “A resposta ao problema espiritual… em nenhum outro lugar senão no simbolismo da alquimia”: M.-L. von Franz, C.G.Jung: his myth in our time (Nova York 1975) 279; apenas algumas páginas antes, a própria von Franz havia, evidentemente sem compreender seu pleno significado, repetido a observação do próprio Jung de que o simbolismo do Graal remonta aos gnósticos (ibid. 271-2), assim como ela frequentemente repetia de passagem sua observação de que a alquimia ocidental remontava ao gnosticismo. Mas, como Lance Owens observou de forma muito pertinente sobre a sutil marginalização do gnosticismo antigo pelos junguianos posteriores: “Os últimos discípulos a trabalhar pessoalmente com Jung chegaram em um período em que suas palestras e publicações se concentravam na alquimia, e isso sem dúvida influenciou as percepções sobre os fundamentos de seu trabalho. Talvez a figura mais importante entre essa geração final tenha sido Marie-Louise von Franz, colaboradora indispensável de Jung ao longo de sua pesquisa sobre a literatura alquímica a partir do final da década de 1930. Após a morte de Jung, a Dra. von Franz tornou-se naturalmente uma força formativa na perpetuação de seu trabalho… Sua erudição e estreita associação com os estudos alquímicos de Jung também ressaltaram o papel da alquimia como um ponto focal histórico para o comentário junguiano” (prefácio a A. Ribi, The search for roots, Los Angeles 2013, 279-80 n.13; sobre o lado menos teórico e mais pessoal da identificação de von Franz com o campo da alquimia, compare D. Bair, Jung, Boston 2003, 370-2). Sobre o dogmatismo de professora de von Franz, que, naturalmente, lhe rendeu muitos admiradores devotos que, sem ele, se sentiriam bastante perdidos, ver, por exemplo, PB iv/II 196, além do retrato infantilmente inocente em T.B. Kirsch, A Jungian life (Carmel, CA 2014) 19; sobre seu orgulho positivo em sua rigidez dogmática e “fossilização” de Jung, M. Anthony, Jung’s circle of women (York Beach 1999) 66-8 com Bair 368, 770 n.69; e quanto às consequências lamentáveis de sua tendência comum de se expressar em termos de “sempre” ou “em nenhum outro lugar a não ser”, cf. A. Samuels, Jung and the post-Jungians (Londres 1985) 94. Infelizmente, a determinação consciente de von Franz, bem como de Edward Edinger, de manter as ideias de Jung inalteradas levou, em um nível sutil, ao resultado exatamente oposto, pois fossilizar ideias, leis ou ensinamentos trazidos de outro mundo já é alterá-los.
