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COMPANHEIROS

POURAFZAL, Haleh; MONTGOMERY, Roger. The spiritual wisdom of Hafez: teachings of the philosopher of love. Rochester (Vt.): Inner traditions, 1998.

  • Abrir a vida ao abandono pela renúncia cria espaço para que o rendi convide bons amigos — alguns do espírito, outros do corpo — cuja presença acrescenta os ingredientes finais à mistura alquímica que alimenta o processo interior do rendi.
    • Reconhecer os companheiros e participar com eles em processos criativos gera possibilidades e caminhos que de outra forma permaneceriam desconhecidos.
  • O rendi, até esse ponto, conduziu ao resgate de formas antigas de fazer a casa de oração tremer, à reunião da memória em direção à verdade pela escolha consciente da mitologia, à inspiração sem fantasia pela clareza no êxtase, ao desenvolvimento da compaixão pelo abraço à fúria do amor, e à renúncia ao mistério do abandono e ao poder do mistério competente.
    • A etapa seguinte é o compartilhamento desse processo com os outros.
    • A escola da alquimia deve fundir o mundo exterior com seu universo interior.
  • O poema “Na Companhia de Amigos de Coração Semelhante” traduz essa mensagem, convocando o poder da liberdade entre amigos e reconhecendo a presença da força feminina do amor nutridor em toda a criação.
    • “Amigos, unamo-nos nas ondas dos cabelos da amada; que sua negritude prolongue a alegria desta noite.”
    • “Juro a cada amigo que estarás livre do véu da tristeza; o mistério competente é bondoso se ousares confiar nele.”
    • “Nenhum espaço separa a amada do amante; se ela hesitar, ama-a ainda mais.”
  • Haféz oferece um conselho semelhante à advertência bíblica sobre não lançar pérolas aos porcos — é preciso conhecer quem são os verdadeiros amigos, pois ao oferecer fidelidade, é justo recebê-la de volta.
    • “O primeiro conselho do Ancião sempre foi claro: não viajes com aqueles cuja argila não compartilhas.”
  • A fidelidade, ao longo de toda a poesia de Haféz, é um enraizamento implacável e irreversível do núcleo interior na realidade da unidade com o sagrado, e esse reconhecimento incondicional da ligação com a teia da vida libera o impulso interior pela existência.
    • Quando a sincronicidade traz os sinais desejados, há conforto, amor e contentamento; quando as coisas não correm como esperado, o impulso de seguir em frente tende a enfraquecer.
    • “Estou envelhecendo, mas não pelos meses e anos que passam; é a infidelidade da amada que me envelhece.”
  • Quando a dúvida surge diante de um revés, a paciência é o único antídoto para o enfraquecimento da fé.
    • “Opto apenas pela paciência em tua ausência, pois a paciência é o único caminho que posso trilhar.”
  • Enquanto se espera em silêncio e fé, Haféz aconselha a abraçar a dor e abandonar as lágrimas de autopiedade nascidas do sentimento de abandono.
    • “Ó coração, faze amizade com a dor da separação e da espera; ó olhos, não derrameis mais sangue pela desunião.”
    • A fidelidade é uma dedicação inabalável à amizade na presença de fantasias e tentações.
    • “A liberdade inflama o coração que não sonha com medo nem ambição. A sedução corteja cada portão para saciar cada necessidade.”
  • As bênçãos da boa companhia comportam os mesmos altos e baixos que a fúria do amor, e um desses momentos turbulentos é a escolha entre dois tipos de fidelidade — situação que, vista da cúpula da ninfa da criação, oferece a perspectiva ampla de quem avista rios do cume de uma montanha.
    • O poema seguinte alude ao conto persa do Sheikh de Sanaan, que abandonou o islã para abraçar a fé de uma mulher cristã que adorava.
    • O sheikh encontrou e expressou fidelidade no amor profundo por outro ser humano, escolhendo essa forma de amor em detrimento de sua afiliação religiosa.
    • Trata-se de uma história de conexão com a diversidade pela energia singular e unificadora do amor, e de encontro do caminho pela união devota com um companheiro amado.

TUDO POR AMOR

  • O rouxinol, mesmo possuindo a pétala mais bela no bico, entoa um canto de vida sombria — e ao ser interrogado sobre o motivo, responde que a beleza da amada lhe enfraquece o fôlego.
    • “O rouxinol segurava a pétala tão bela no bico; mas apesar dessa riqueza, cantou uma canção de vida sombria.”
    • “Perguntei-lhe: por que suspirar enquanto possuis tal tesouro? Ele disse: a beleza da amada me enfraquece o fôlego.”
  • Se a amada não caminha conosco, não há protesto — há reis que jamais se misturaram com os humildes — pois o desejo e a hesitação não comovem o coração da amada, e quem percebe sua essência deve buscar para sempre.
    • “Se a amada não caminha conosco, não protestarei; houve um rei que não se misturava com os humildes.”
    • “Nosso desejo e hesitação não movem o coração da amada; aquele que sente sua essência deve buscar eternamente.”
  • O convite à admiração do pintor divino, que com compasso inscreveu a beleza em círculo perfeito, anuncia que no caminho do amor não se deve lamentar a reputação perdida — o grande Sheikh de Sanaan penhorou seu manto pela face do amor.
    • “Levantai-vos, admiremos o pincel daquele pintor que em seu círculo com compasso entalhava a beleza.”
    • “No caminho do amor não lamentes a reputação; o grande Sheikh de Sanaan empenhou seu manto pela face do amor.”
  • Os libertinos percorrem os muitos caminhos da vida, e o sheikh, com contas e uma cruz, falou aos anjos — enquanto a visão de Haféz foi moldada na cúpula daquela ninfa, como em jardim onde os rios são vistos do alto de um pico.
    • “Os libertinos desfrutam dos muitos caminhos da vida; com contas e uma cruz, o sheikh falou aos anjos.”
    • “A visão de Haféz foi moldada na cúpula daquela ninfa, como em jardim onde os rios são vistos de um cume.”
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