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SABEDORIA DA INTIMIDADE NO VERBO DE ELIAS

Fusus, RABW

A Polaridade Microcósmica entre Desejo Natural e Intelecto

Ibn Arabi introduz um aspecto microcósmico particularmente interessante da polaridade fundamental que tanto figura em seu pensamento, ao mesmo tempo sugerindo a verdadeira natureza da gnose.

  • Relacionada à polaridade supra-humana Deus-Cosmo, transcendência-imanência, está a polaridade humana correspondente de desejo natural-intelecto, sendo ambos os elementos capazes de experimentar parte da verdade sobre a Realidade, mas não a verdade sintética da Unidade do Ser.
  • Mais adiante no capítulo, ele usa a palavra wahm (fantasia, ilusão) em lugar de shahwah (desejo, luxúria), enquanto, para o intelecto, usa a palavra única aql.
  • Como pertencem ao estado humano, nenhum dos dois aspectos da experiência humana é ele mesmo divino, mas meramente reflete e serve para manifestar realidades supra-humanas, de acordo com a natureza desse estado.
  • Embora seja o modo microcósmico e o reflexo do Espírito divino em seu Desejo de reintegração na Essência, o intelecto não pode compreender adequadamente nem a natureza de seu complemento vital nem a Unidade da qual é uma função, mas apenas verdades transcendentais e intangíveis.
  • De forma semelhante, o desejo vital, ou o impulso para a experiência instintiva, embora reflita e manifeste o imperativo urgente da Vontade divina para o devir infinito, não pode compreender nem o princípio de seu complemento mental nem a Unidade na qual ambos são resolvidos, mas apenas as atualidades da vida natural.
  • Como a Misericórdia criativa da Vontade divina engloba a Misericórdia obrigadora do Desejo divino, o intelecto humano raramente está livre da influência da fantasia natural, que é precisamente a expressão humana daquela ilusão primordial de alteridade e multiplicidade sem a qual não haveria existência vital.

A Gnose Parcial e a Gnose Perfeita

A ênfase excessiva nas reivindicações do desejo natural ou do intelecto resulta na possibilidade apenas de gnose parcial.

  • A gnose perfeita não é outra coisa senão o conhecimento e a experiência imediatos da Unidade do Ser que tudo sintetiza.
  • Para ser um verdadeiro gnóstico, não é suficiente, como no caso de Elias, concentrar-se exclusivamente no intelecto, purgado de impulsos e suscetibilidades vitais, mas também experimentar, tão plenamente quanto possível, o impulso inarticulado da vida animal, desprovido de pensamento e preceito, que afinal não é outra coisa senão a própria vida divina de Sua Forma.
  • Para qualquer realização verdadeira do pleno potencial do estado microcósmico, os dois aspectos da experiência humana devem trabalhar juntos mutuamente: a vida natural sendo inspirada e comandada pelo intelecto, o intelecto sendo temperado e condicionado pela vida, vendo a presença da Realidade em ambos como refletindo Sua Vida no Espírito e o Espírito na Vida.
  • Naqueles em quem um aspecto predomina sobre o outro, o aspecto predominante atua como um véu que oculta as realidades do outro, impedindo assim qualquer visão verdadeira da Realidade.

O Paradoxo Místico da Causa ser Efeito de seu Próprio Efeito

No final do capítulo, retorna-se ao grande paradoxo místico implícito na doutrina da Unidade do Ser.

  • É possível que uma causa seja o efeito de seu próprio efeito, uma noção que a lógica do tipo usual considera difícil, para dizer o mínimo.
  • Esse paradoxo é ilustrado pela noção das essências latentes, uma vez que a criatura que é causada a existir pelo Criador é, como o conteúdo essencial latente do conhecimento de Deus, aquilo que O faz tornar-se “Deus”.
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