SABEDORIA DO ALENTO NO VERBO DE JONAS
Fusus, RABW
A Natureza Especial do Estado Humano
A história do resgate de Jonas do ventre da baleia e da poupança de Nínive por Deus ilustra o tema principal do capítulo, que é a natureza especial do estado humano e a importância de preservar sua vida a qualquer custo.
- O estado humano é especial por ser microcósmico, refletindo tanto realidades cósmicas quanto divinas, sendo parte anjo e parte animal.
- Os sufis descreveram o homem como o “Istmo” (barzakh) entre Deus e o Cosmo, o elo essencial entre o Criador e Sua criação, o medium importantíssimo pelo qual Deus Se percebe como manifestado no Cosmo e pelo qual o Cosmos reconhece sua fonte em Deus.
- Isolado, sem sua referência cósmica ou espiritual, o estado humano não passa de um absurdo.
- O estado humano, cujo epítome é o Homem Perfeito, é ao mesmo tempo extremamente precioso e a ser valorizado acima de todos os outros estados de existência, e também patético e sem sentido, pois fora do contexto da polaridade Deus-Cosmo, não é uma coisa nem outra; na verdade, não é nada.
O Objetivo da Vida Humana e a Preservação da Vida
O objetivo de toda vida humana é a realização da perfeição e plenitude implícitas e potenciais no estado humano.
- Cada nascimento humano apresenta mais uma oportunidade preciosa para o cumprimento do potencial original de ser, por um lado, o representante fiel da servidão cósmica e, por outro, o transmissor perfeito do domínio espiritual.
- É importante, tanto para Deus quanto para o homem, preservar cada vida humana, na medida do possível, e destruí-la apenas quando as ações humanas efetivamente cancelarem o privilégio acompanhante desse estado.
A Rememoração (dhikr) como o Melhor dos Atos Humanos
Um dos objetivos dessa oportunidade humana deve ser tornar-se, na medida do possível, o instrumento perfeito para a Autoconsciência de Deus na imagem refletida que é o Cosmo.
- A melhor maneira de fazer isso, de fato o melhor de todos os atos humanos, é a rememoração (dhikr) de Deus, não apenas mencionando Seu Nome com a língua, mas imbuindo cada membro e condição com essa rememoração, uma vez que Deus está com e lembra de tudo o que O lembra.
- O ser humano que esquece completamente Deus esqueceu a si mesmo, isto é, sua humanidade, como sendo também divina, de modo que ele perde esse estado e se torna “o mais baixo dos mais baixos” [XCV:5], dissipado e disperso na multiplicidade infinita do Cosmos, pois é apenas por aquela centelha divina dentro dele que ele pode preservar sua unidade e integridade como homem.
A Morte e os Estados da Outra Vida
A morte, longe de ser um fim, é antes a dispersão dos vários elementos e aspectos que compõem esta síntese humana e sua reassimilação, cada um à sua própria espécie.
- Como pode chegar ao fim aquilo que é, na verdade, nada mais do que Ele?
- A identidade e consciência pessoais tornam-se plenamente, mais uma vez, o que sempre foram na realidade, ou seja, Sua Identidade, enquanto as várias partes constituintes do corpo físico revertem aos seus estados cósmicos originais, sendo elas mesmas nada mais do que aspectos de Sua Forma.
- Não pode haver perda ou esquecimento em nenhum sentido real, visto que tudo não é outro senão Aquele Que nunca morre.
A Subordinação da Ira Divina à Misericórdia Divina
Uma vez que a Ira divina é subordinada à Misericórdia divina, a punição do Inferno na Outra Vida não pode ser eterna ou sem alívio.
- Todos estão, última e inexoravelmente, no Caminho Reto, obedientes à Vontade divina e retornando inescapavelmente à sua fonte nEle.
- A salvação reside, em última análise, na realidade inalienável da Unidade do Ser.
- De acordo com vários mestres sufis, até mesmo Satanás tinha apenas os melhores motivos para desobedecer ao comando de Deus de se prostrar diante de Adão, pois, percebendo apenas o efêmero no homem, ele não pôde se associar ao que via como contingente com Deus.
- É, na verdade, apenas a percepção e experiência ilusórias da alteridade que são a dor, a morte e a danação.
