GOLESTÂN (ROSEIRAL)
HMAP
O debate entre a bandeira e a cortina.
Ouve esta história: certa vez, em Bagdá, a bandeira e a cortina entraram em disputa. Insatisfeita por ter de suportar a poeira das estradas e o cansaço das procissões, a bandeira começou a dizer, em tom de reprovação: «Nós dois somos súditos do mesmo senhor; ambos servimos na corte do sultão. Ora, eu nunca tenho um momento de descanso; em qualquer clima, estou em movimento. Tu, por outro lado, nunca passaste por sofrimento, nem por cerco, nem pelo deserto, nem pelo vento, nem por redemoinhos de poeira. Eu, por zelo, sempre me coloco à frente; por que, então, serias mais honrado do que eu? Escondendo aquelas que são belas como a lua, estás na companhia dos pajens perfumados. Mas eu, na viagem, nas mãos dos escudeiros, encontro-me perdido, enrolado sobre mim mesmo. » A cortina respondeu: «Eu mantenho minha cabeça no limiar do palácio, mas não voltada para o céu como a tua; aquele que, sem motivo, quer erguer a cabeça acaba caindo e quebrando o pescoço. (Golestân, livro III.)
Uma epígrafe.
Uma grande personalidade perdeu um filho. Perguntaram-lhe o que convinha inscrever no monumento funerário. Ele respondeu: «Os versículos do Alcorão possuem demasiada nobreza e grandeza para que seja permitido inscrevê-los nesse lugar, pois o tempo os apagaria, os homens os pisariam e os cães os sujariam. Se for absolutamente necessário inscrever algo, os seguintes versos serão suficientes:
«Ai de mim! Sempre que a vegetação brotava no jardim, «meu coração se alegrava! Passe pela primavera, «meu amigo! Verás a vegetação cobrindo a terra onde repouso.» (Id., livro VII.)
